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DO “IMBATÍVEL NO BARRADÃO” AO TOMBO EM CASA

Vitória cai diante do Vasco na Copa do Brasil, expõe suas contradições na temporada e agora precisa provar que ainda tem futebol para transformar discurso em resultado.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Editoria de Política
03/09/2026 às 15h01 Atualizada em 03/09/2026 às 15h29
DO “IMBATÍVEL NO BARRADÃO” AO TOMBO EM CASA

Por Carlos Alberto

Há uma velha tradição no futebol: transformar estádio em fortaleza, torcida em décimo segundo jogador e algumas boas campanhas em uma espécie de certificado de invencibilidade.

No Vitória, essa narrativa ganhou força em 2026.

O Barradão passou a ser tratado quase como território sagrado. O adversário poderia chegar embalado, poderia ter um time melhor, poderia viver um momento superior. Pouco importava. Em Salvador, existia sempre a sensação de que o Vitória encontraria uma maneira de sobreviver.

Até que chegou o Vasco.

E a história mudou.

O time carioca venceu o primeiro confronto por 1 a 0 e, quando todos esperavam a tradicional reação rubro-negra diante de sua torcida, voltou a Salvador e venceu novamente, desta vez por 2 a 0.

No agregado, 3 a 0.

Vitória eliminado da Copa do Brasil.

E justamente no Barradão.

A mística, pelo menos por enquanto, caiu por terra.

Não há vergonha alguma em perder para o Vasco. Futebol é imprevisível e mata-mata não respeita favoritismo.

O que merece reflexão é outra coisa.

Durante meses, criou-se a impressão de que jogar no Barradão seria quase suficiente para garantir uma vantagem ao Vitória.

Não foi.

O Vasco entrou em campo, jogou futebol e mostrou que estádio nenhum ganha partida sozinho.

A Copa do Brasil deixou uma impressão contraditória

É preciso reconhecer que o Vitória fez coisas importantes na competição.

Eliminou o Flamengo.

Depois, atropelou o Athletico-PR com um 4 a 0 que provavelmente foi uma das atuações mais convincentes da equipe na temporada.

Naquele momento, o torcedor tinha motivos para acreditar.

O Vitória parecia crescer justamente quando a competição exigia personalidade.

Chegou às quartas de final.

E então veio o Vasco.

Duas partidas.

Duas derrotas.

Nenhum gol marcado pelo Vitória.

Três sofridos.

Fim de Copa do Brasil.

A eliminação não apaga os méritos anteriores, mas coloca tudo em perspectiva.

Porque futebol não pode ser analisado apenas pelas noites em que o time parece invencível.

É preciso olhar também para as noites em que ele parece não encontrar respostas.

E contra o Vasco, as respostas simplesmente não apareceram.

O Barradão deixou de ser uma garantia

Talvez essa seja a principal lição da eliminação.

O Barradão continua importante.

Continua sendo um estádio de pressão, de torcida apaixonada e de ambiente difícil para qualquer visitante.

Mas existe uma diferença enorme entre ter força dentro de casa e ser imbatível dentro de casa.

O Vasco mostrou isso.

E mostrou duas vezes.

A primeira, ao construir a vantagem no Rio.

A segunda, ao suportar a pressão em Salvador e vencer novamente.

Isso desmonta qualquer discurso de invencibilidade.

A partir de agora, será preciso trocar a mística pela realidade.

O Vitória precisa voltar a fazer do Barradão uma vantagem esportiva, não uma certeza antecipada de vitória.

E o Brasileirão?

Se a Copa do Brasil produziu momentos de euforia, o Campeonato Brasileiro tem apresentado uma realidade bem menos confortável.

Após 25 rodadas, o Vitória soma 29 pontos, com oito vitórias, cinco empates e 12 derrotas.

São 24 gols marcados e 37 sofridos.

Saldo negativo de 13 gols.

É uma campanha que exige atenção.

Não necessariamente desespero, mas atenção.

O Vitória está longe de poder se considerar tranquilo.

A tabela não se impressiona com goleada sobre o Athletico, eliminação do Flamengo ou qualquer noite histórica no Barradão.

Pontos corridos são cruéis.

Cada ponto perdido volta para cobrar a conta mais adiante.

E o Vitória perdeu muitos.

Principalmente fora de casa.

Durante boa parte da competição, o desempenho como visitante foi um dos grandes problemas da equipe. E um time que não consegue pontuar longe de Salvador acaba criando uma dependência perigosa dos jogos em casa.

Foi exatamente essa dependência que o Vasco tratou de questionar.

Contratações: o problema nunca foi apenas quantidade

O Vitória se movimentou no mercado.

E bastante.

Foram muitos reforços, incluindo nomes conhecidos e jogadores que chegaram cercados de expectativa.

Marinho, Cacá, Emmanuel Martínez, Zé Vitor, Caíque Gonçalves, Tarzia, Lucas Silva, Anderson Pato e Renê estiveram entre as apostas.

Depois vieram outros jogadores para reforçar o elenco.

A pergunta, porém, continua sendo inevitável:

o Vitória contratou melhor ou simplesmente contratou mais?

São coisas diferentes.

Montar um elenco não significa empilhar nomes.

É preciso encontrar equilíbrio, características complementares e, acima de tudo, uma identidade de jogo.

E é justamente essa identidade que parece oscilar.

Há partidas em que o Vitória é intenso, agressivo e competitivo.

Em outras, parece um time sem capacidade de controlar o jogo.

Contratações podem resolver carências individuais.

Não resolvem automaticamente problemas coletivos.

E talvez essa seja uma das principais questões que a diretoria precisará enfrentar depois da eliminação da Copa do Brasil.

Jair Ventura também precisa olhar para o próprio discurso

Jair Ventura chegou a momentos importantes da temporada com méritos.

Conquistou a Copa do Nordeste.

Eliminou o Flamengo.

Levou o Vitória às quartas de final da Copa do Brasil.

E conseguiu, em vários momentos, transformar o Barradão em um ambiente favorável ao time.

Mas treinador também precisa saber interpretar o momento.

Depois da goleada sobre o Athletico-PR, Jair afirmou que era difícil estudar o Vitória e provocou o adversário dizendo que seria necessário estudar mais.

A declaração fazia sentido naquele contexto.

O Vitória havia acabado de vencer por 4 a 0.

O problema é que o futebol possui uma característica implacável: ele sempre oferece uma oportunidade para o discurso ser confrontado pela realidade.

O Vasco estudou.

E aparentemente estudou muito bem.

O resultado foi uma eliminação por 3 a 0 no agregado.

Talvez a lição seja simples:

confiança é necessária. Excesso de confiança é perigoso.

Jair tem personalidade, e isso não é um defeito.

Mas personalidade não pode significar resistência à crítica.

O treinador precisa encontrar soluções quando o plano inicial não funciona.

Precisa mudar durante a partida.

Precisa reconhecer quando a equipe não está bem.

E precisa, principalmente, transformar discurso em desempenho.

Porque no futebol a coletiva termina.

A bola fica.

O Vitória é um time de grandes momentos e grandes interrogações

Essa talvez seja a definição mais precisa da temporada.

O Vitória consegue produzir atuações que fazem o torcedor acreditar que o time pode chegar longe.

Depois, produz outras que fazem o mesmo torcedor perguntar como aquilo foi possível.

Elimina o Flamengo.

Goleia o Athletico.

Perde duas vezes para o Vasco.

É forte em determinados jogos no Barradão.

Sofre para manter regularidade no campeonato.

Contrata jogadores.

Continua procurando uma formação.

Tem um treinador confiante.

Mas ainda procura consistência.

Esse é o grande problema.

Um campeonato longo não é vencido por espasmos de qualidade.

É vencido por regularidade.

Agora não há mais Copa do Brasil para dividir a atenção

A eliminação para o Vasco muda o cenário.

Agora é Brasileirão.

Sem mata-mata.

Sem possibilidade de transformar uma grande noite em justificativa para uma sequência irregular.

A missão ficou mais simples de entender e mais difícil de executar: pontuar.

O Vitória precisa construir uma distância segura da parte de baixo da tabela e, para isso, terá de melhorar aquilo que mais o incomodou durante a competição.

Regularidade.

Principalmente fora de casa.

E, naturalmente, precisa continuar fazendo do Barradão um lugar onde vencer seja difícil.

Mas não porque existe uma mística.

Porque existe um time capaz de impor seu futebol.

O Vitória de 2026 não é um desastre.

Também está longe de ser o time que alguns discursos fizeram parecer.

É uma equipe capaz de produzir grandes feitos e, na mesma temporada, colecionar resultados que levantam dúvidas.

A Copa do Brasil mostrou exatamente isso.

O Vitória eliminou o Flamengo.

Goleou o Athletico.

Chegou às quartas.

E caiu diante do Vasco.

Duas derrotas.

Nenhum gol marcado.

E uma eliminação dentro do próprio Barradão.

Talvez seja hora de abandonar definitivamente a ideia de que o estádio, sozinho, resolve.

Não resolve.

Torcida empurra.

Camisa pesa.

História inspira.

Mas quem ganha jogo é o time.

E se existe algo que o Vasco ensinou ao Vitória nesta Copa do Brasil é que nenhuma fortaleza é indestrutível quando quem está dentro dela não consegue defendê-la.

O Barradão continua sendo a casa do Vitória.

Continua podendo ser um caldeirão.

Continua podendo ser uma vantagem.

Mas a era do “aqui ninguém ganha” acabou de sofrer um duro golpe.

Agora, cabe ao Vitória reconstruir essa reputação do único jeito possível:

jogando futebol.

Porque, no fim das contas, estádio não marca gol, torcida não escala time e discurso não levanta taça.

Quem faz isso é o futebol.

(*) PIORES MOMENTOS!

(*) "Diante do explicitado acima, não há como descartar a presença nefasta do Sportingbet no futebol, processado ao longo dos anos pela interferência no submundo da bola. Muitos jogos sofrem interferência direta de certas casas de apostas, com procedimentos comprovados de aliciamentos de jogadores com a finalidade de atender à criminosa manipulação de resultados.

Muitos jogadores foram punidos severamente, mas não se tem notícia de prisões envolvendo  proprietários das tais Bets."

 Cesteiro que faz um cesto faz um cento.

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