
Por: Marcos Souza
Em tempos em que as coisas parecem desconectadas e sem sentido, com a razão deixando de prevalecer em nome de uma nova ordem doentia, onde a hipocrisia passou a ocupar os espaços de forma agressiva e colérica nas suas apresentações argumentativas, haja vista à ira e a obsessão em que alguns indivíduos defendem suas convicções oralmente, já não existe clima para diálogos entre as pessoas, ocasionando um grande bloqueio dialético sem precedente na comunicação.
O diálogo inexiste entre as pessoas, transformando os debates em grandes monólogos. Mesmo quando ocorrem entre grupos, às pessoas passaram a conviver sob a égide dos etiquetamentos sociais, onde as pessoas não conseguem mais expressar seus pensamentos ou opiniões por si só sem criar atritos ou serem etiquetados com siglas partidárias, apontado como participante de grupos radicais, ou ainda de lateralidade como esquerdistas, devido aos seus posicionamentos em relação a assuntos envolvendo ocorrências locais e mundiais, principalmente quando se referem a assuntos no campo dos direitos e defesas das classes menos favorecidas, ou situações que envolvam a geopolítica mundial.
O pensamento individual sufocado pelas bolhas
O posicionamento político na atualidade em relação aos fatos que se apresentam diante da sociedade deixou de ter caráter individualizado de percepção, e passou para um campo de percepção coletiva de grupos e compartimentada como se todos os envolvidos estivessem condensados em latas, que passam a ver as situações sociais e os problemas globais através de um único olhar linear como se utilizando antolhos.
Alimentam-se de informações recebidas e retransmitidas entre essas bolhas ideológicas, criando narrativas propagadas em forma de redes, tornando os usuários reféns, tão alienados e incapazes de ter uma visão ou opinião, outorgando a tarefa para aquele que se apossa de seus subconscientes, determinando conceitos e comportamentos a serem seguidos.
A perda da capacidade de pensar e refletir
Incorpora-se, assim, um novo movimento comportamental, perdendo suas individualidades e capacidades mentais de pensar e refletir suas ações e contextos.
É justamente nesse ponto que surge uma das questões centrais deste texto: até que ponto estamos realmente pensando por nós mesmos?
Eleições marcadas por discursos vazios
O período eleitoral está aí, com candidatos à presidência da República completamente vazios em suas propostas, demonstrando um grande desconhecimento dos problemas nacionais e despreparo político na resolução de problemas, com discursos vazios e repetitivos incapazes de dar luz a suas falas.
Alguns se portam claramente de forma que soam como atos e propostas racistas para com o nosso povo, grosseiramente excludentes, reforçando os etiquetamentos sociais e propondo demarcar ainda mais determinados grupos como se gados fossem, chegando a propor até pena de morte.
Onde estão as propostas para o cidadão comum?
A falta de propostas que beneficiem o cidadão comum e trabalhador é percebida nos discursos e nas falas que aniquilam ainda mais os cidadãos que trabalham e fazem esse país funcionar.
Vê-se que os candidatos que se apresentam como novos, mas alguns deles há muito na política, não demonstram nenhum aprendizado ou conhecimento sobre o que é governar.
Propõem como soluções dos problemas a construção de presídios, modificação do sistema previdenciário cortando benefícios, modificação do sistema criminal e de justiça como solução, criação de mais polícia e utilização de novos armamentos.
Segurança pública não se resume a equipamentos
A utilização de novos armamentos é vista como valorização dos profissionais da segurança pública, como se equipamentos demonstrassem valorização profissional.
Essa ação é obrigação do Estado: aparelhar suas instituições, em todas as esferas do serviço público, com o que há de melhor no mercado de trabalho.
Também chega a ser uma proposta esdrúxula como campanha eleitoral a confecção de uma bomba atômica.
E as políticas sociais?
Em nenhum momento foram feitas proposições de cunho social, erradicação da pobreza e da fome, prevenção dos fenômenos naturais e outras voltadas ao desenvolvimento do país.
A ausência dessas discussões revela uma preocupação ainda maior: a distância entre os discursos políticos e as necessidades concretas da população.
Precisamos sair das bolhas
É preocupante o que vem se apresentando no cenário político com os postulantes aos cargos executivos e legislativos desse país, com visões reducionistas imersos em suas bravatas ilusórias e manipulativas.
É perda de tempo mencionar seus adversários, falando mal ou demonstrando defeitos neles. O foco deveria estar em propostas concretas e compatíveis com as demandas sociais e nacionais.
Precisamos sair dessas bolhas e olhar para a realidade do que está ocorrendo ao nosso redor.
O direito de pensar
Precisamos nos afastar do módulo zumbir.
Mais do que escolher entre lados, partidos ou grupos, é necessário recuperar a capacidade de pensar, questionar, refletir e formar opiniões próprias.
Pensar não deveria ser motivo para receber uma etiqueta.
Ser cidadão também significa ter o direito de discordar, concordar, questionar e, acima de tudo, construir sua própria visão sobre o mundo.
Quero meu direito de pensar e ser cidadão.
(*) Marcos Antônio de Souza.
Formação Licenciatura Plena em Educação Física – UCSAL
Investigador de Polícia Civil da Bahia
Mestre em Segurança Pública, Justiça e Cidadania - UFBAEspecializado em:
Metodologia do Ensino Superior - FESP/UPE
Prevenção da Violência, Promoção da Segurança e da Cidadania – UFBA
Planejamento Estratégico – ADESG
Inteligência Estratégica – ADESG
Gestão da Investigação Policial, do Programa de Desenvolvimento
Permanente para Gestores da P. Civil e da P. Técnica – Fundação Luís Eduardo Magalhães/Academia de Polícia Civil.
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