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O Desalento de um Servidor da Lei

Uma reflexão sobre a crise da Segurança Pública e o enfraquecimento do combate ao crime organizado. Por Bel Luiz Ferreira

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Por Luiz Ferreira
02/11/2025 às 15h51
O Desalento de um Servidor da Lei

Breve Análise

Gostaria de estar errado, mas depois de labutar com Segurança Pública por mais de trinta e dois anos, passando por experiências das mais diversas, alcançando muitas felicidades, como também decepções, vejo hoje a realidade do enfrentamento ao crime organizado como, no mínimo, algo muito preocupante. Senão vejamos:

O policial hoje é tratado com discriminação dentro da própria instituição. Ou seja, os policiais de departamento têm um “valor” e os de delegacias territoriais (bairros) têm outro “valor”. Isto é fato, é inegável. Porém, a instituição tenta camuflar essa diferença, sem sucesso.

O policial hoje não pode mais ter um informante — os quais atualmente chamam de “colaboradores”, mas que continuam sendo o mesmo “X-9” de sempre. O envolvimento indiscriminado do policial com esses indivíduos pode levá-lo a sérios problemas junto à Corregedoria, pois pode ser acusado de associação ao tráfico ou ao crime, e isso pode lhe custar a demissão.

Os policiais de departamento, privilegiados com acesso a tecnologia de ponta, são obrigados a repassar suas informações aos delegados, que, por sua vez, repassam aos diretores, que comunicam ao Secretário de Segurança. Este, obrigatoriamente, leva ao Governador, que repassa ao seu grupo político. E “não sei como”, essas informações acabam chegando com antecedência aos traficantes.

Hoje, quando ocorre uma diligência exitosa, com prisões e apreensões, 90% dos indivíduos são liberados na famigerada audiência de custódia. E, em caso de “peixe muito grande”, sem dúvidas, o STF põe em liberdade o “peixão”, assim como fez com o mega traficante André do Rap.

Vivemos uma era em que a liberdade imoral foi legalizada. O policial está desmotivado a exercer suas funções, diante da ineficiência dos resultados. Afinal, na próxima esquina, ele pode se deparar novamente com o mesmo traficante que tanto se esforçou para prender.

Não há mais dissimulação. A situação é pública. Hoje, há inúmeros políticos que constroem suas plataformas eleitorais defendendo bandidos. O Ministro do STF Flávio Dino, quando ainda era Ministro da Justiça, entrou na favela da Maré à luz do dia, em carros oficiais. O atual Presidente foi ovacionado nos presídios assim que venceu as eleições.

O brasileiro quer mais o quê para entender que já não vivemos em uma sociedade democrática de direito?

O que se observa é um sistema que, ao invés de fortalecer as forças da lei, as enfraquece. A criminalidade se adapta, enquanto o Estado se desorganiza e pune quem ainda tenta fazer cumprir a justiça. É urgente repensar o papel das instituições e resgatar o respeito por quem arrisca a vida diariamente em defesa da sociedade.

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Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Luiz Carlos Ferreira - Brasileiro, baiano, casado, servidor público aposentado, torcedor do vitória, residente no Rio Grande do Sul, Bacharel em Direito, com formação técnica em redator auxiliar, acadêmico em História, pós graduado em Ciências Criminais, política e estratégia e mestrando em políticas públicas.
E-mail: lcfsferreira@gmail.com | facebook.com/LcfsFerreira
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