
Muito boa a matéria. No entanto, neste breve artigo, faltou mencionar a influência do Foro de São Paulo, idealizado por Luiz Inácio Lula da Silva, que reunia lideranças socialistas da América Latina. O objetivo, em tese, era a construção de uma nação bolivariana, com apoio direto à ilha comunista de Cuba, então liderada por Fidel Castro, buscando transmitir ao mundo a ideia de que o comunismo havia dado certo e que os Estados Unidos eram perversos ao impor sanções que prejudicaram a economia cubana.
No Brasil, sob influência do lulismo, muitos passaram a defender essa narrativa sem conhecer, de fato, a história da Revolução Cubana. Ignoraram-se os assassinatos e justiçamentos cometidos por seus líderes, como Fidel Castro e Che Guevara, contra opositores do regime. Houve também perseguição e morte de homossexuais e religiosos, especialmente Testemunhas de Jeová, fatos amplamente documentados, mas pouco debatidos.
Ainda no Brasil, após a intervenção militar de 1964, quando parte da população clamou para que as Forças Armadas impedissem a instalação de um regime comunista, ocorreu uma ruptura política e social. Os militares, não sendo políticos, tinham limitações nesse campo, mas, durante os cerca de vinte anos do regime, o país não enfrentou crises econômicas significativas. Pelo contrário, viveu um período de forte crescimento do PIB, controle social e destaque para a segurança pública.
Com o passar do tempo, a população passou a exigir a redemocratização, sobretudo o direito ao voto direto. Em 1984, liderado por Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, o movimento Diretas Já conduziu o Brasil a uma eleição que, embora indireta, representou um marco. Tancredo foi eleito, mas faleceu antes da posse, assumindo José Sarney.
Com a abertura política, entidades de classe ganharam força e emergiu uma nova liderança nacional: o metalúrgico Luiz Inácio da Silva, que se popularizou como Lula. Nordestino, com pouca escolaridade formal e discurso inflamado, prometia combater a fome, a miséria e as desigualdades sociais, sendo visto por muitos como um novo Getúlio Vargas.
Lula chegou ao poder em 2002 e, inicialmente, fez um governo considerado razoável, o que garantiu sua reeleição. No segundo mandato, os problemas se intensificaram. Ficou evidente que não havia um sucessor natural e que o projeto era, na verdade, de manutenção do poder. Usando sua popularidade, Lula emplacou Dilma Rousseff como presidente, cujo governo foi marcado por graves crises e terminou em impeachment.
Com a queda de Dilma, vieram à tona os bastidores dos governos petistas, revelando esquemas de corrupção, desvios e irregularidades que culminaram na prisão de Lula. Para surpresa de muitos, o líder sindical se mostrou no centro de um dos maiores escândalos da história política do país.
Nesse cenário, surgiu Jair Bolsonaro, ex-capitão do Exército e deputado federal, com discurso duro, promessas de enfrentamento ao sistema e retórica semelhante à bravata que marcou o início da trajetória de Lula. Eleito em 2018, seu governo foi impactado pela pandemia mundial, o que não justifica, segundo muitos, as falhas de gestão, o confronto constante com a imprensa e a entrega de protagonismo excessivo ao Supremo Tribunal Federal. O discurso do “jogar dentro das quatro linhas” contrastou com a postura firme que havia sido prometida.
Lula, libertado por decisões do próprio sistema, encontrou o caminho para retornar ao poder, aliado a uma Suprema Corte vista por seus críticos como aparelhada e desgastada perante a opinião pública. Eleito novamente, repetiu promessas antigas, como acabar com a fome e reconstruir o país, problemas que, segundo seus opositores, ele próprio ajudou a criar.
Com poucos anos de governo, escândalos voltaram a surgir, acompanhados de denúncias de corrupção, aumento de impostos e um rombo fiscal estimado em cerca de R$ 3 trilhões. O brasileiro, que ouviria promessas de prosperidade, sente-se hoje mais taxado, pagando imposto de renda, IPTU, IPVA, ICMS e inúmeras outras cobranças.
Enquanto o governo arrecada cada vez mais e gasta sem freios, parte significativa do erário é destinada às altas estruturas do poder. A população, por sua vez, permanece à espera de soluções concretas, ouvindo, mais uma vez, o discurso recorrente de que a fome será combatida.
A história política recente do Brasil revela um ciclo repetido de promessas grandiosas, projetos de poder e frustrações coletivas. Entre discursos ideológicos, escândalos e alianças questionáveis, o país segue enfrentando os mesmos desafios estruturais, enquanto o cidadão comum continua pagando a conta e aguardando que, algum dia, palavras se transformem em ações efetivas.
Sobre o autor:
(*) Luiz Ferreira é articulista e analista político, com atuação voltada à leitura crítica da história política brasileira contemporânea. Acompanha de forma permanente os movimentos ideológicos, as relações de poder e os impactos das decisões governamentais na vida da sociedade. Seus textos priorizam a análise histórica, o debate público e a formação de opinião, com foco no interesse do cidadão comum.
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