
Na semana do julgamento mais importante da nossa história, o semestre letivo na UFBA se inicia. Nesse ensejo do Congresso UFBA 2025 que abre o semestre, o grupo de pesquisa coordenado por mim faz seu seminário. Muita gente não sabe o que é um grupo de pesquisa. Sendo historiador, acostumado a fazer análise política e escrever colunas para este jornal, convém esclarecer.
A universidade pública brasileira é responsável pela quase totalidade da pesquisa científica realizada no país. Há investigações em muitas áreas: da matemática pura, às tecnologias, passando pelas engenharias, ciências naturais e medicina. Há pesquisa na área jurídica, artes, filosofias e ciências humanas, entre muitas outras, o que coloca a UFBA em patamar respeitável no cenário nacional.
É nas humanidades que se insere o Politiza, Grupo de Pesquisa História Política, dos Partidos e Movimentos Contemporâneos de Esquerda e Direita. No Congresso UFBA o Politiza buscar se afirmar como espaço de interlocução de estudantes de graduação e pós-graduação da UFBA e de outras instituições e pesquisadores do Brasil e do exterior.
Inscrito na Plataforma de Grupos do CNPq, o Politiza se apresenta como atento ao desenvolvimento da chamada História do Tempo Presente, às relações entre a história e memória, que redundam em variadas formas de usos políticos do passado. Os interesses dos seus investigadores articulam-se aos desdobramentos relacionados às movimentações políticas da contemporaneidade. Como historiadores do político, seus membros travam diálogos com áreas próximas, como as ciências sociais, a filosofia, a psicologia, os estudos jurídicos e mesmo a área da saúde coletiva.
Desde que foi criado em 2020, o Politiza se ocupa em tentar entender a inserção das organizações de esquerda e direita nos movimentos sociais, em compreender o fascismo histórico e suas vertentes contemporâneas, em analisar a experiência do socialismo e a atuação de partidos marxistas. Também nos dedicamos a estudar a ditadura militar e as manifestações de revisionismo e negacionismo históricos e não nos escapa a atuação dos grupos políticos nos meios digitais e nas mídias sociais, o fenômeno da desinformação e das fake news, algo que passou a influir nos processos políticos e eleitorais.
No Congresso da UFBA o Politiza se apresenta através de futuros historiadores que comunicaram trabalhos de Iniciação Científica. Ao lado disso, realizamos mesas-redondas, discutindo esquerdas, direitas, memória e usos políticos do passado, além do observatório, que funciona no Instagram com o “Politiza_observa”. É, portanto, do ponto de vista da ciência que lidamos com os fenômenos políticos do nosso tempo. Sem tirar os olhos do noticiário, não deixamos de produzir conhecimento e fazê-lo chegar à sociedade sob a forma de análises embasadas em literatura consistente e vasta pesquisa empírica. É para isso que existimos.
* Carlos Zacarias de Sena Júnior, graduado em História pela Universidade Católica do Salvador (1993), mestre em História pela Universidade Federal da Bahia (1998) e doutor também em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2007).
Contato: zacasenajr@uol.com.br
Publicado no Jornal A Tarde, (Coluna do autor), edição de 05.09.2025.

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