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2026 será o ano dos ataques aos parentes dos inimigos da direita

Um influencer fascista pregou essa semana nas redes sociais que é preciso agir logo e pegar a filha de Alexandre de Moraes. Esse sujeito só é diferente dos jornalões por ser mais autêntico, sincero e explícito. por MOISÉS MENDES

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por MOISÉS MENDES
10/01/2026 às 13h12
2026 será o ano dos ataques aos parentes dos inimigos da direita

Um influencer fascista pregou essa semana nas redes sociais que é preciso agir logo e pegar a filha de Alexandre de Moraes. Esse sujeito só é diferente dos jornalões por ser mais autêntico, sincero e explícito.

Moraes já está sabendo que não terá folga em 2026. O Globo não conseguiu as provas da acusação de Malu Gaspar contra o ministro, mas isso pouco ou nada significa para o jornalismo que disputa o prêmio pela sua cabeça.

Não vão deixar Moraes em paz. É a tática das facções da grande mídia já usada contra Lula. O triplex de dona Marisa Letícia, os pedalinhos dos netos de Lula no sítio de Atibaia, os atrevimentos de Janja, a ex-mulher de Toffoli, a mulher de Alexandre de Moraes, o irmão do Lula, o filho de Lula.

Gangues, quadrilhas, facções cercam os parentes para que possam chegar a quem deve ser caçado. Os que se fazem de desentendidos dirão que os filhos de Bolsonaro também são alvos da imprensa e do sistema de Justiça.

Ora, os filhos do presidiário são figuras públicas, todos com mandatos. Ocupam cargos públicos, desfrutam de dinheiro público e têm exposição pública. São investigados por acusações em muitas frentes e alguns deles já deveriam estar presos.

Todos estão impunes, apesar das rachadinhas, dos 50 imóveis comprados com dinheiro vivo, da fantástica franquia de chocolate, das fábricas de fake news, das relações com milicianos, das milícias digitais que funcionavam no Planalto e das ameaças de golpe.

Mas os filhos de Bolsonaro estão fora de pauta. Vão caçar Moraes e Lula em 2026 e prestar serviço indireto aos derrotados de 2022. Vão retomar, como já está acontecendo, as pautas do arcabouço fiscal, da dívida pública bruta, do ‘rombo’ nas estatais e dos parentes deles.

É dureza a vida do jornalismo lavajatista, com o PIB crescendo mais do que o previsto, a inflação sob controle, o nível recorde de emprego, a reversão de parte do tarifaço de Trump e com 69% da população otimista quanto aos planos pessoais para 2026, como mostrou o Datafolha.

O jornalismo das corporações, que se dedica a investigar parentes, foi incapaz de acrescentar uma informação relevante, uma só, ao que recebeu de graça dos investigadores e julgadores do golpe.

Não há uma reportagem média, que não precisaria ser espetacular, sobre o golpe fracassado. A cobertura do 8 de janeiro foi precária. A imprensa do colunismo de intrigas não se dedicou à pauta oferecida pelos que planejaram assassinar Lula.

O jornalismo brasileiro da grande imprensa foi incapaz de tentar contar, fora do que leu no inquérito e todo mundo sabia, o que era e por que falhou o plano para eliminar Lula, Alckmin e Moraes.

Um plano inédito, arquitetado dentro do governo pelo general Mario Fernandes, só se tornou público em detalhes porque as informações foram expostas pelas investigações e pelo julgamento no STF.

Mas o jornalismo preguiçoso das fontes ocultas quer saber tudo dos parentes de Lula e Moraes, porque é assim que funciona o botão do último recurso, quando todos os outros já não respondem: é preciso chegar aos alvos pelas bordas dos familiares.

Flávio Dino está na fila. Gabriel Galípolo é um dos próximos. A velha direita e o novo fascismo se agrupam e se misturam, e as corporações de mídia se integram a esses aglomerados, porque é preciso inviabilizar Lula e conter Moraes.

O influencer que tocou o apito para que a cachorrada cerque a filha de Moraes não é uma excrescência fora da curva do fascismo nesse ambiente, nem uma anormalidade dentro do padrão de comportamento das facções extremistas.

É uma figura já aceita pela direita pelos serviços que presta. Serve para que se compreenda o estágio do novo lavajatismo, em que os interesses da Faria Lima, das milícias, do antigo conservadorismo dos 300 picaretas, das corporações de mídia e do fascismo em crise são quase os mesmos, com diferenças em detalhes sobre a forma de agir.

O arcabouço moral deles todos é o mesmo. A grande imprensa não se constrange em fazer o jogo da extrema direita fracassada, no desatino para encontrar alguém que possa enfrentar Lula.

Repete-se o que aconteceu em 2018. Mesmo que não queira, o lavajatistas dos jornalões trabalham para o bolsonarismo e para tornar 2026 uma versão aperfeiçoada do inferno de 10 anos atrás.

(*) Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Escreve também para os jornais Extra Classe, DCM e Brasil 247. É autor do livro de crônicas Todos querem ser Mujica (Editora Diadorim). Foi colunista e editor especial de Zero Hora.

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