
A prisão de Luciano Sá Sampaio em Muritiba (BA) - um ex-funcionário administrativo da prefeituera que se passava por Policial Civil - escancarou um problema crônico no Brasil: a proliferação de falsos agentes de segurança, conhecidos regionalmente como "X9", "Gansos" ou outros codinomes. Esses indivíduos, muitas vezes com conexões políticas ou vínculos precários com o Estado, usam uniformes, armas e credenciais falsas para extorquir, coagir e até prender cidadãos, agindo com mais autoridade que policiais legítimos.
A Raiz do Problema: Conivência e Corrupção Institucional
O fenômeno não é novo. Relatos se multiplicam pelo interior do país:
Delegados que distribuem carteiras ilegais: Recentemente, um ex-delegado-geral foi processado por fornecer identidades policiais a servidores da REDA (Regime Especial de Direito Administrativo), que foram flagrados portando essas credenciais quando presos.
Autoridades que transformam a segurança pública em cabide eleitoral: Um dos casos mais emblemáticos envolve um ex-secretário de Segurança que, anos atrás, distribuiu carteiras funcionais em massa para alavancar a campanha de seu filho, eleito posteriormente como deputado federal.
Funcionários de prefeituras "emprestados" a delegacias: Muitos agem como se fossem policiais, usando equipamentos táticos e até participando de operações, sem qualquer formação ou autorização legal.
Modus Operandi: Do Prestígio Ilícito ao Crime Organizado
Esses falsos agentes não apenas usam a farda para assustar a população, mas também se inserem em esquemas maiores:
Extorsão: Cobram "taxas" para resolver problemas ou oferecem "proteção" a comerciantes.
Tráfico de influência: Usam sua falsa autoridade para beneficiar criminosos ou interferir em investigações.
Fraude eleitoral: Alguns são recrutados como "capangas" de políticos, usando a intimidação para garantir votos.
O Círculo Vicioso da Impunidade
Apesar de alguns casos chegarem à Justiça - como o do ex-delegado-geral citado ou de Luciano Sampaio -, muitos "X9" continuam atuando porque:
Há falta de controle rígido sobre a emissão de credenciais e armamentos.
Autoridades locais fecham os olhos, seja por conivência ou interesse político.
A população tem medo de denunciar, já que muitos falsos policiais mantêm ligações com o crime organizado ou com políticos influentes.
Conclusão: É Preciso Desmantelar a Máfia dos Falsos Policiais
Para acabar com essa chaga, medidas urgentes são necessárias:
✔ Investigação ampla sobre todas as credenciais emitidas nos últimos anos, especialmente em cidades do interior.
✔ Punição exemplar não só dos "X9", mas dos servidores públicos que os apoiam.
✔ Fim do uso político das delegacias, com auditorias independentes em todas as unidades.
✔ Campanhas de conscientização para que a população denuncie sem medo.
Enquanto o Estado não tratar o problema com a seriedade devida, os falsos policiais seguirão agindo à sombra da lei - não como exceção, mas como parte de um sistema podre que precisa ser desmontado. A segurança pública não pode ser moeda de troca para interesses escusos.
Chega de "X9".
A origem do termo "X9" no Brasil e seus equivalentes regionais
O termo "X9" surgiu como gíria policial no Brasil, mas sua origem exata é envolta em curiosidades. Uma das teorias mais aceitas remete ao Código 10, usado em radiotransmissões de polícias e táxis, onde "10-9" significaria "repita a mensagem", associando-se a quem "repete" informações às autoridades. Com o tempo, o "10-9" teria sido abreviado para "X9", virando sinônimo de delator.
Outra teoria sugere que o termo vem do "X" (incógnita) + "9" (gíria antiga para "caixão"), indicando que um X9 estaria "marcado para morrer" por trair o crime. Curiosamente, o termo ganhou até representação cultural no Carnaval: em São Paulo, existe a X-9 Paulistana, uma das escolas de samba mais tradicionais da capital, fundada em 1947 e sediada na Zona Norte. Além dela, há a X-9 de Santos, que se consagrou campeã do Carnaval santista em 2025. Ambas as agremiações carregam o nome que, nas ruas, tem um significado bem diferente.
Seja qual for a origem, o termo se espalhou pelo país, ganhando variações regionais. No Rio e em São Paulo, "X9" e "dedo-duro" são os mais comuns. Na Bahia, mesmo com alternativas como "garganta" ou "fofoqueiro", o "X9" ainda domina. Em Minas, usa-se "cagueta", enquanto no Sul aparecem termos como "xurumela".
No fim, o "X9" se tornou a expressão mais universal, um símbolo da relação tensa entre crime, polícia e os que vivem na linha tênue entre os dois lados – e também um nome que, ironicamente, virou motivo de orgulho para algumas das maiores escolas de samba do estado de São Paulo.
(*) ESCÂNDALO NA POLICIA CIVIL: Ex-Delegado-Geral é denunciado pelo MP
(**) CONFIRA DENÚNCIA: Ministério Público Estadual denuncia ex-Delegado-Geral da Polícia Civil por falsificação e peculato
(***) Motorista “VIP” do ex-Delegado Chefe é detido passando-se por Policial Civil da Bahia




