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11 de Abril, Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson

Neurologista lembra que pacientes podem ter qualidade de vida quanto mais cedo for o diagnóstico

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por Dr. Guilherme Torezani, Neurologista
10/04/2025 às 11h36
11 de Abril, Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson

11 de Abril, Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson alerta para os cuidados com as doenças degenerativas

Neurologista lembra que pacientes podem ter qualidade de vida quanto mais cedo for o diagnóstico

No dia 11 de abril, é comemorado o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson e, só no Brasil, estima-se que 200 mil pessoas sofram com a enfermidade. 

A data foi estabelecida pela Organização Mundial de Saúde, em 1998, com o objetivo de esclarecer à sociedade sobre as possibilidades de tratamento para que o paciente e a sua família tenham uma melhor qualidade de vida.  

Ser diagnosticado com a doença de Parkinson não é nada fácil, mas o paciente pode ter qualidade de vida significativa se o quadro clínico for descoberto no tempo correto e, dessa forma, iniciar o tratamento adequado o quanto antes. 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença.

O Dr. Guilherme Torezani, coordenador do setor de Doenças Cerebrovasculares do Hospital Icaraí e coordenador da Neurologia do Hospital & Clínica São Gonçalo, esclarece que, diferentemente do que é pensado, nem todo paciente com Parkinson apresenta tremor — que, quando presente, é comumente em um dos membros em repouso e nas extremidades do corpo. Os sintomas principais da doença são, na verdade, rigidez muscular e lentidão nos movimentos — além de progressiva perda de equilíbrio (instabilidade postural).

“O início dos sintomas motores pode ser sutil, com lentidão em uma das mãos, que leva à diminuição da letra ao escrever (chamado de micrografia) ou, ainda, muito comumente, a redução do balançar de um dos braços durante a caminhada.”

Há, também, outros sintomas não motores, como a diminuição do olfato, os distúrbios do sono, a prisão de ventre (constipação) e, até mesmo, a depressão. 

Quanto ao sono, o especialista lembra que tem sido muito estudado um tipo específico, chamado distúrbio comportamental do sono REM. Essa fase do sono deriva do inglês, “rapid eye movement”, em tradução livre, “movimento rápido dos olhos”, e se caracteriza pela ocorrência dos sonhos. 

“Nosso cérebro produz uma paralisia de todo o corpo e, nesse distúrbio, a paralisia se faz ausente. Como resultado, o paciente apresenta movimentos complexos, como se vivenciasse seus sonhos. Em estudos, a presença dessa alteração, que pode anteceder o surgimento dos sintomas motores em muitas décadas, relacionou-se com risco bem elevado de se desenvolver doença de Parkinson e outras doenças similares”, explica Torezani. 

Tratamento 

A doença deve ser tratada por um neurologista. Mesmo com os avanços científicos, como identificação de algumas proteínas e alterações metabólicas nos pacientes, ainda não se sabe exatamente quais são os motivos que levam a essa perda progressiva de neurônios. 

Segundo Guilherme, a doença é dita idiopática, ou seja, não há um fator claro que tenha produzido o Parkinson. No entanto, há algumas formas genéticas que podem acometer famílias, ainda que sejam formas mais raras. 

O médico complementa que outro fator ligado ao risco de se desenvolver a doença é a exposição a certos tipos de agrotóxicos, muitos deles banidos em diversos países. 

“A luta contra a liberação desses pesticidas é ainda um ponto em que o Brasil precisa evoluir. Em comunidades rurais, a incidência de Parkinson costuma ser maior que em áreas urbanas”, alerta. 

Guilherme explica que ao envelhecermos é natural que tenhamos a morte progressiva dos neurônios que produzem dopamina, que é responsável pelo aprendizado motor, pelo sistema de recompensas e outras várias funções cerebrais complexas. 

“Porém, no caso dos pacientes com Parkinson, essas células são perdidas com mais rapidez, reduzindo os níveis de dopamina”, explica o médico.

E complementa que essa perda preferencial de neurônios de dopamina pode ter a ver com o fato dessas células possuírem muito mais conexões (sinapses) que outras em nosso cérebro, deixando-as mais sensíveis ao processo de neurodegeneração.

De acordo com Guilherme, na década de 1960, com a descoberta do uso da levodopa no tratamento, houve uma drástica mudança na história natural da doença. O resultado era tão potente que se apelidou de “efeito milagroso”. 

“A levodopa, que persiste sendo o principal tratamento dos sintomas até o presente dia, é uma forma de dopamina que consegue ser ingerida e chegar até o cérebro. Ela age como se fosse uma reposição contínua dessa substância que o paciente não consegue mais produzir de forma eficaz”, explica. 

Segundo o Dr. Guilheme, é preciso administrar de forma correta a dose e os efeitos colaterais com um neurologista que tenha experiência com Parkinson para o sucesso do tratamento. 

“Haja vista que o paciente, adequadamente tratado, pode exercer muitas atividades diárias e ter uma vida praticamente normal por muitos anos. O tratamento não para somente nos medicamentos. Deve-se aliar à prática da fisioterapia motora contínua, terapia ocupacional e atividade física, o que ajuda na melhora do equilíbrio, da força física e do resgate da autonomia e da autoestima”, afirma.

Nos casos em que não há melhora com o uso destes medicamentos, também é possível realizar — quando adequadamente indicado — um procedimento cirúrgico, chamado “estimulação cerebral profunda” (ou DBS). 

“O DBS já possui muitos anos de estudo e tem sido cada vez mais empregado no tratamento, com resultados muito favoráveis no controle de tremor, rigidez muscular e lentidão de movimentos. No entanto, deve-se buscar um grupo de neurocirurgia funcional e neurologistas especializados em Neuromodulação, para que seja verificada a precisa indicação (ou não) da cirurgia. De nada adianta passar pelo procedimento cirúrgico se o processo de triagem não foi feito de forma adequada”, constata.

Dr. Guilherme lembra também que o tratamento com derivados da Cannabis parece promissor, porém é preciso mais estudos para melhor entender o papel desses medicamentos no tratamento. 

“Na Cannabis, encontramos mais de 100 substâncias químicas diferentes, e ainda estamos começando a entender a função delas. O canabidiol, por exemplo, ainda que não tenha nível de evidência para indicação, parece ser mais benéfico para sintomas não motores do que sintomas motores da doença. Creio que ainda vamos precisar esperar grandes ensaios clínicos, que sejam feitos de forma muito criteriosa, para prescrevermos derivados da Cannabis com segurança e embasados em dados científicos”, finaliza.

Dr Guilherme Torezani 
Gerente médico - Hospital Itaipu

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