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O que o futuro nos reserva: avanços que impulsionam as Ciências Forenses do século XXI – parte 2

Se de um lado o crime se especializa, migrando seus métodos e alvos, de outro a Criminalística evolui e a busca por novas respostas é cada vez maior e mais diversificada.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: https://fontesegura.forumseguranca.org.br/ | EDIÇÃO N.265
13/02/2025 às 13h43 Atualizada em 13/02/2025 às 13h52
O que o futuro nos reserva: avanços que impulsionam as Ciências Forenses do século XXI – parte 2

Assim como na coluna anterior, o tema de hoje é a descrição de importantes avanços verificados nas Ciências Forenses neste século. Nesta segunda parte, listamos e comentamos novos avanços e tendências que apontam na direção do futuro e para tal seguiremos a numeração iniciada na coluna anterior, em que já listamos 5 (cinco) temas que incorporam significativa evolução em diversas áreas periciais:

(6) Bases de dados interconectáveis: Embora a importância de se construir bancos de dados sólidos para serem empregados na área forense não seja em si uma novidade, a sua consolidação e interconexão é um caminho sem volta. Podemos perceber isso em áreas como o Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB), base de dados que registra informações de munição de armas de fogo usadas em crimes. O BNPB é parte do Sistema Nacional de Análise Balística (SINAB), integrado por todas as unidades federativas do país. É importante entendermos que a sua consolidação passa por um investimento em pessoal qualificado para alimentar e manter esse banco de dados, algo que não é tão simples quanto parece, em especial pelas dificuldades e entraves ainda presentes em muitos estados da federação. O Banco Nacional de DNA de Pessoas Desaparecidas, ferramenta do Ministério da Justiça que coleta amostras de DNA de familiares de pessoas desaparecidas, já é uma realidade, mas ainda necessita de aprimoramentos que dependem de uma maior inserção de dados, o que certamente permitirá tornar essa ferramenta muito importante em relação ao tema do desaparecimento de pessoas. Outro grande desafio é sempre interconectar esses bancos de dados não apenas dentro do país, mas quem sabe, em cooperações futuras até mesmo com países vizinhos.

(7) Nanotecnologia aplicada. Avanços na área de nanotecnologia tem sido incorporados às pesquisas associadas à revelação de impressões digitais latentes em cena de crime, superando limitações como baixo contraste, baixa sensibilidade e alta toxicidade de alguns produtos empregados como reveladores. Uma pesquisa recente criou uma maneira muito mais simples de fazer pós-fluorescentes de pontos de carbono que podem ser aplicados a impressões digitais latentes. Esses novos pontos de carbono multicoloridos (CD) permitem que as impressões digitais fluoresçam sob luz UV com cores vermelha, laranja e amarela.

(8) Inteligência artificial e aprendizagem automática: Assim como em diversos ramos e atividades, a Inteligência Artificial (IA) chegou para ficar também entre os avanços e inovações. Diversas áreas das Ciências Forenses estão buscando empregar ferramentas de IA em suas rotinas de processos, análises e no que couber a incorporação dessas ferramentas. Cada vez mais teremos mudanças que implicam, inclusive em contribuições que podemos denominar de Inteligência Pericial, uma atuação cada vez mais proativa da atividade de perícia, agregando de modo cada vez mais decisivo um apoio ainda na fase investigativa e não apenas cumprindo a função de produção de provas técnicas.

(9) Realidade aumentada e Realidade Virtual: Essa área está ligada a ferramentas que permitem avanços na reconstrução de cenas de crimes e dos próprios eventos, ilustrando a dinâmica na forma mais precisa possível. A chamada Arquitetura Forense aplica técnicas e tecnologias da arquitetura na produção e visualização de evidências em casos criminais. O processo envolve coleta de dados dos locais de crimes, de imagens audiovisuais, de fotografias, de laudos previamente elaborados, dentre outros, permitindo, com precisão, inclusive, simular e testar hipóteses baseadas em modelos tridimensionais (3D). Apresentações imersivas também já fazem parte de uma realidade em vários países, onde, nos tribunais, juízes e jurados podem “assistir”, mediante realidade aumentada, incursões na cena de crime e acompanhar a dinâmica proposta por experts.

(10) Cibercriminalística: campo da ciência forense que se dedica à análise e coleta de evidências digitais de crimes cibernéticos. Avanços relacionados à recuperação cada vez maior de dados criptografados, análises de redes sociais e metadados são alguns exemplos. O chamado Blockchain Forense também se refere a essa realidade. Ele pode ser entendido como a análise de dados de redes de blockchain para investigar atividades criminosas. Essa prática é multidisciplinar e envolve ciência da computação, análise de dados, finanças e aplicação da lei.

Totalizamos, assim, 10 tópicos com avanços na área das Ciências Forenses. Se de um lado o crime se especializa, migrando seus métodos e alvos, de outro a Criminalística evolui e a busca por novas respostas é cada vez maior e mais diversificada. Que possamos vencer essa batalha!

Cássio Thyone Almeida de Rosa - Membro do Conselho de Administração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Graduado em Geologia pela UnB, com especialização em Geologia Econômica. Perito Criminal Aposentado (PCDF). Professor da Academia de Polícia Civil do Distrito Federal, da Academia Nacional de Polícia da Polícia Federal e do Centro de Formação de Praças da Polícia Militar do Distrito Federal.

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O QUE O FUTURO NOS RESERVA: Avanços que impulsionam as Ciências Forenses do Século XXI – Parte 1

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