Quarta, 09 de Setembro de 2026
25°C 26°C
Salvador, BA
Publicidade

O que os policiais pensam sobre os acontecimentos de 8 de janeiro

Para 39,9% dos profissionais de segurança pública entrevistados, a invasão às sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro é condenável e não pode ser tolerada, mas ao mesmo tempo eles entendem que as pautas defendidas pelos invasores eram legítimas e não atentam contra a democracia.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: fontesegura.forumseguranca.org.br/
05/02/2023 às 16h28
O que os policiais pensam sobre os acontecimentos de 8 de janeiro

A invasão das sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro é um marco para segurança pública. As responsabilidades ainda estão sendo apuradas e alguns dos invasores estão sendo processados, mas ainda resta identificar quem financiou as ações e quem organizou as invasões. Além disso, é importante saber a opinião dos demais profissionais de segurança pública sobre os acontecimentos de 8 de janeiro.

Nesse intuito, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública realizou na semana passada uma sondagem junto aos profissionais de segurança pública de todo o país para saber suas opiniões sobre os acontecimentos. A sondagem ouviu policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, penais e guardas municipais entre os dias 24 e 27 de janeiro, às vésperas do fim da intervenção decretada pelo Governo Federal na segurança do Distrito Federal. Para isso, um formulário eletrônico foi desenvolvido e, após a realização de um pré-teste inicial, os questionários foram inicialmente enviados para uma base cadastral de cerca de 6.351 endereços eletrônicos exclusivos de profissionais da segurança pública construída desde 2008, representativos de todas as forças de segurança do país.

A sondagem mostrou que 75,7% dos profissionais ouvidos concordaram total ou parcialmente que houve falha de planejamento do policiamento da Praça dos Três Poderes no dia 8/01. Outros 51,2% dos entrevistados afirmaram que a conduta da PMDF foi correta e o problema foi exclusivamente do comando político.


Quanto às responsabilidades, 72,3% dos entrevistados apontaram que concordam que houve falha de comando, enquanto 57,5% avaliam que o que houve foi omissão do comando na contenção das invasões às sedes dos Três Poderes. Para 61,7% dos entrevistados, o Comando do Exército demorou para colaborar com a dissolução do acampamento em frente ao seu quartel-general.

Com relação à ação dos policiais, 55,8% dos entrevistados concordaram total ou parcialmente que houve omissão do policiamento. E para 58,9% dos entrevistados, a conduta dos policiais designados para as linhas de proteção inicial dos prédios foi inadequada e sem o devido rigor para controle de distúrbios civis. Ainda, 62,1% concordaram que os policiais flagrados confraternizando com os invasores devem ser punidos.

Um dado preocupante é a adesão dos policiais às pautas radicais. Para 39,9% dos agentes, a invasão às sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro é condenável e não pode ser tolerada, mas ao mesmo tempo entendem que as pautas defendidas pelos invasores eram legítimas e não atentam contra a democracia. Ou seja, concordaram com o conteúdo da manifestação – intervenção militar – e discordaram da forma. Para 62,9% dos profissionais entrevistados, as forças de segurança pública estão contaminadas pelo discurso político.

Por fim, os profissionais ouvidos pelo levantamento consideraram acertada a resposta dada pelo governo federal. Para 58,8% dos entrevistados, a intervenção federal na segurança pública do DF foi a solução menos traumática para a pacificação e solução da crise.

O levantamento é coerente com resultados de pesquisas, com diferentes metodologias, que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública tem realizado desde 2020 e que indicam que, a despeito dos resultados globais dos estudos indicarem adesão majoritária dos profissionais da segurança pública à democracia, entre 15% e 40% dos respondentes podem ser considerados radicalizados ou potencialmente radicalizáveis, a depender das características da conjuntura política e institucional.

BETINA BARROS - Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

ISABELA SOBRAL - Pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Mestre em Administração Pública pela Faculdade Getúlio Vargas (FGV).

ARTHUR TRINDADE M. COSTA - Professor de sociologia da Universidade de Brasília e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
EDITORIAL Há 4 semanas

Registros de agressão decorrentes de violência doméstica contra mulheres crescem 28,8% em dias de jogos de futebol, aponta estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Pesquisa elaborada pelo FBSP também aponta aumento de 27,4% nos casos de ameaça contra as mulheres em dias de jogos; mulheres na faixa entre 15 e 29 anos são as mais impactadas, com aumento de 44,4% em ameaças e em lesões corporais.

Lei nº 15.487 Há 4 semanas

Nova lei endurece combate à violência sexual contra crianças e adolescentes e amplia atuação policial no ambiente digital

Lei nº 15.487/2026 reforça penas, permite novas estratégias de investigação na internet e alcança crimes praticados com inteligência artificial, deepfakes e técnicas de anonimização.

Anuário Brasileiro Há 1 mês

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 | Estados impulsionam aumento das despesas com segurança pública

Volume gasto pelas Unidades da Federação (Estados e Distrito Federal) cresceu 26% nos dez anos (até 2025).

FÓRUM BRASILEIRO Há 1 mês

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026

Pela primeira vez, Anuário traz um Raio-X dos registros de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil.

Fonte Segura Há 1 mês

20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que os lares se tornaram ambientes mais violentos para mulheres, crianças e adolescentes; homicídios caem 8,2% na comparação com 2024

O Brasil alcançou, pela primeira vez, a meta nacional de redução dos homicídios que faz parte da Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, revisada em 2021. Norma orientadora para a implementação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) vigente, havia estabelecido a meta de um máximo de 16 homicídios por 100 mil habitantes para 2027. Com dois anos de antecedência, já em 2025, chegou-se a 15,4

Salvador, BA
25°
Parcialmente nublado
Mín. 25° Máx. 26°
25° Sensação
7.18 km/h Vento
71% Umidade
20% (0.12mm) Chance chuva
05h33 Nascer do sol
17h30 Pôr do sol
Quinta
26° 24°
Sexta
26° 24°
Sábado
26° 22°
Domingo
26° 23°
Segunda
25° 24°
Publicidade

? LOCALIZAR UNIDADE NA BAHIA

Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,11 +0,47%
Euro
R$ 5,93 +0,47%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 424,683,49 -0,14%
Ibovespa
185,248,66 pts -1.13%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Anúncio