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Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026

Pela primeira vez, Anuário traz um Raio-X dos registros de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: fontesegura.forumseguranca.org.br/EDIÇÃO N.332
30/07/2026 às 11h58 Atualizada em 30/07/2026 às 12h02
Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026

Em 2025, houve 4.063 vítimas desses crimes; mais de um terço (34,2%) dos autores são adolescentes. Anuário também mostra o ranking das 10 cidades mais violentas do país

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA

De forma inédita, a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública investigou os crimes de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil. Em 2025, o número de vítimas foi 4.063 – crescimento de 25,3% desde o ano anterior. Quanto à autoria, a ampla maioria (86,5%) é constituída por autores do sexo masculino; a autoria é exclusivamente de mulheres em 9,1% dos casos. Nos 4,4% restantes, a autoria é mista, compreendendo os sexos masculino e feminino. Chama a atenção que 34,2% dos autores eram adolescentes. 

Quanto ao perfil das vítimas, 84,2% eram do sexo feminino; 51,2% eram brancas; e 48,2% eram negras. 

Migração da criminalidade para o ambiente digital 

O grande movimento para essa espécie de “esvaziamento” da violência das ruas é a ascensão do ambiente digital entre as preferências da criminalidade para executar suas ações. Essa tendência, já captada anteriormente pelo FBSP, consolida-se. Em 2025, calculou-se que houve 258 golpes por hora. Foi ultrapassada a casa de dois milhões de registros – 2.261.055 – crescimento de 2,7% em relação a 2024. Desde 2018, o crescimento acumulado é de 429,8%.

A cada 60 minutos, tivemos 258 golpes no país. O sistema de persecução penal, no entanto, esbarra levemente nos criminosos. Apenas 63.771 dessas ocorrências se transformaram em processos penais; e meros 4.819 indivíduos foram presos por terem cometido estelionato. 

“Estamos falando de um tipo de ocorrência que está absolutamente fora de controle, e claramente as respostas do Estado mostram-se insuficientes. Para 85% da população, o maior temor relativo à segurança pública é perder dinheiro em um golpe. Os criminosos entenderam que é muito mais rentável cometer crimes no ambiente digital do que praticar crimes de rua”, explica Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP.

Cidades mais violentas 

A 20ª edição do Anuário atualizou o ranking das 10 cidades mais violentas do país com mais de 100 mil habitantes. Mais uma vez, todas elas estão no Nordeste, sendo cinco municípios baianos e três cearenses. Maranguape (CE) ocupa o topo do ranking, com taxa de 100,3 por 100 mil habitantes, seguida por Eunápolis (BA), com 85,1; Maracanaú (CE), com 80,7; Porto Seguro (BA), com 71,2; Simões Filho (BA), com 68,1; Jequié (BA), com 67,4; Caucaia (CE), com 66,6; Cabo de Santo Agostinho (PE), com 65,1; Santa Rita (PB), com 60,9, e Juazeiro (BA), com 55,8.

Olhando-se para os estados, o que apresenta a maior taxa é o Amapá (42,5), seguido por Bahia (36,8) e Ceará (34,7). As menores taxas pertencem a Santa Catarina (7,6), São Paulo (7,8) e Distrito Federal (9,6).

Entre as vítimas de MVI, os homens formam uma parcela de 90,8%, as pessoas negras são 79,7%, e 41,6% são jovens na faixa etária entre 18 e 29 anos.

Vitimização e letalidade policiais

A letalidade policial – as mortes causadas por agentes de segurança pública durante o exercício de suas funções ou em função delas –  voltou a crescer, depois de uma queda de 3,2% entre 2023 e 2024. De 2024 para 2025, elevou-se em 5,4% – total de 6.602 vítimas. A cada dia de 2025, 18 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais. No recorte da última década (2016 a 2025), houve 60.558 mortes nessas circunstâncias. A Operação Contenção, realizada no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro, está ligada a 122 mortes e foi um símbolo da letalidade policial no Brasil em 2025. 

Quanto aos estados, as maiores taxas de letalidade policial pertencem a Amapá (17,1), Bahia (10,6) e Sergipe (8,4).

A desigualdade racial é expressiva. Negros morrem 3,5 vezes mais na comparação com brancos quando se trata de letalidade policial. 

É uma polícia que mata mais e que se mata mais. Desde 2017, os suicídios de policiais cresceram 37,8%. Considerando apenas 2025, 110 policiais cometeram suicídio, uma queda de 12,7% na comparação com 2024. A vitimização policial como um todo caiu 3,5% de 2024 para 2025, com um total de 139 policiais vítimas de MVI no ano passado. Armas

O mercado de armas de fogo parece estabilizado. Há 2,1 milhões de registros ativos de armas de fogo, na soma de pessoas físicas e jurídicas. O número de CACs apresenta ligeiro crescimento, de 0,8%. Existe um milhão de pessoas com certificado de Caçadores, Atiradores Desportivos e Colecionadores, que possuem um total de 1,6 milhão de armas de fogo, agora sob gestão exclusiva da Polícia Federal. Três em cada dez registros encontram-se vencidos. Por outro lado, 108.786 armas foram apreendidas pelas polícias estaduais no ano passado – crescimento de 5,4%.

Drogas

Cresceram os registros de tráfico de drogas – 18,5% sobre o número de 2024; total de 207.058 ocorrências em 2025. Desde 2013, crescimento de 33,1% desse crime.

O número de ocorrências de posse e uso de drogas em 2025 foi 107.986 – queda de 18,3% em relação a 2024. Num recorte temporalmente mais amplo, queda de 17,5% desde 2013. O auge dos registros de posse se deu em 2023 – número despenca (- 38,8%) a partir de 2024, ano em que o Supremo Tribunal Federal descriminalizou o porte de maconha para consumo pessoal.

Sistema prisional

O país se aproxima de um milhão de pessoas encarceradas (964.668). O número cresceu 314,5% desde 2000 – 5,6% de 2024 para o ano seguinte. Há um déficit de 281.213 vagas no sistema prisional brasileiro. 

A desigualdade racial neste tema mais uma vez se manifesta de forma acentuada – 69,6% dos presos são negros; 94% são homens.

Há uma tendência de crescimento do número de presos envolvidos em atividades laborais: mais de um quinto de todo o contingente de presos (21,6%), o que equivale a 207.680 pessoas – crescimento de 13,2% em relação a 2024. 

O número de óbitos dentro do sistema prisional cresceu 0,3%: foram 3.318 ocorrências, das quais: 1.622 naturais, 477 criminais; houve 202 suicídios, 28 mortes acidentais e um expressivo número de mortes de causa desconhecida (989).

Sistema socioeducativo

Em 2025, cresceu também o número de adolescentes cumprindo medida socioeducativa em meio fechado (12.203), o que significa um aumento de 1,2% em relação ao ano anterior. Num recorte mais amplo, entretanto, é significativa a redução: queda de 53,9% desde 2016.

Entre esses adolescentes, 93,4% são meninos; 73,7% são negros, e mais de três a cada quatro (76,1%) têm idade entre 16 e 18 anos.

Os atos infracionais mais frequentes cometidos foram roubo (29,1%) e tráfico de drogas (27,9%). 

fontesegura.forumseguranca.org.br/EDIÇÃO N.332

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