
A Bahia espera mais do que a continuidade de um governo. Espera mudanças, resultados e decisões que estejam à altura da confiança depositada nas urnas. Neste segundo mandato, Jerônimo Rodrigues tem a oportunidade de imprimir sua própria marca à administração estadual.
Uma das primeiras questões que merece atenção é a política tributária. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou o reajuste do ICMS sobre combustíveis, com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2027. A gasolina passará de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro; o diesel, de R$ 1,17 para R$ 1,30; e o gás de cozinha, de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. No botijão de 13 quilos, serão R$ 0,91 a mais em imposto.
Embora seja uma decisão de âmbito nacional, com participação dos estados no Confaz, o reajuste terá reflexos também no bolso dos baianos. E a pergunta é inevitável: antes de aumentar a tributação, o governo não deveria buscar alternativas para melhorar sua arrecadação?
O contribuinte já suporta uma carga tributária pesada. Por isso, uma das prioridades deveria ser a reestruturação da Secretaria da Fazenda (SEFAZ). É necessário fortalecer a fiscalização, realizar concursos públicos para auditor fiscal e nomear os aprovados, ampliando a presença desses profissionais nas empresas. Há empresas que sonegam impostos e outras que acumulam dívidas milionárias com o fisco estadual.
A Bahia precisa arrecadar melhor, e não simplesmente cobrar mais.
Outro desafio está na formação do novo secretariado. É compreensível que Jerônimo tenha compromissos políticos e precise abrir espaço para aliados que não conseguiram se eleger ou renovar seus mandatos. Lideranças como Lídice da Mata, Moema Gramacho e Zé Neto, de Feira de Santana, entre outros nomes, naturalmente podem estar entre aqueles que buscam espaço na nova administração.
Não vejo problema nisso. Faz parte da política e da composição de uma base de governo. Entretanto, é preciso estabelecer prioridades: primeiro, a competência e o critério técnico; depois, as acomodações políticas. As secretarias de Estado não podem se transformar em espaços destinados apenas a atender interesses partidários. A Bahia precisa de gestores preparados para enfrentar os desafios de cada área.
Na Secretaria da Fazenda, Manuel Vitório tem uma trajetória respeitável e conhece profundamente a máquina estadual. Mas, depois de tantos anos à frente da pasta, talvez seja o momento de renovar. Um novo nome, preferencialmente um auditor fiscal de carreira, poderia trazer novas ideias e contribuir para um necessário choque de gestão. Renovar não significa desmerecer o trabalho realizado, mas reconhecer que a administração pública também precisa de oxigenação.
Também merece atenção o volume de empréstimos contratados pelo Estado nos últimos anos. É verdade que esses recursos financiaram obras, infraestrutura e programas sociais, mas empréstimos comprometem receitas futuras. O novo governo precisa rever prioridades, avaliar os resultados dos investimentos e conduzir o endividamento com cautela e transparência.
Jerônimo inicia um novo ciclo com experiência administrativa e respaldo popular. Tem a oportunidade de tomar decisões com independência, sem ficar excessivamente condicionado às pressões partidárias ou à preocupação com uma futura reeleição.
O segundo mandato precisa ser marcado pela renovação, pela competência técnica e pela responsabilidade com o dinheiro público. Os aliados merecem consideração, mas a Bahia precisa de gestores preparados, fiscalização eficiente e equilíbrio nas contas.
Aumentar impostos pode ser o caminho mais fácil, mas não necessariamente o mais justo. O governador tem a oportunidade de mostrar que sabe fazer diferente.
O contribuinte já faz a sua parte. Cabe ao governo fazer a dele.

