
Nós, todos os aposentados, somos, inevitavelmente, vítimas do sistema, e não adianta bravatas de alguns, enaltecendo este ou aquele governo. Desde que ingressei no serviço público em 1988, vejo que nenhum governo foi bom para a nossa categoria. Houve, entretanto, uma época em que os investigadores e escrivães tinham um maior poder de compra. É histórico e cultural o tratamento que os políticos dispensam a nós, como se fossemos lacaios de delegados, todavia a complexidade das nossas atividades, inclusive exigindo formação de nível superior, é um fator que deveria mudar o nosso status quo, contudo os próprios investigadores e escrivães, não generalizando, insistem em usar grilhões, e dormir nas senzalas.
Da mesma forma que não existia sinhozinho de terra bom, também não existe político (governante) bom. A subserviência, a ignorância de alguns colegas em enaltecer políticos, é que nos colocam em situações extremamente subalternas, e permitem remunerações degradantes.
Pela postura, pelo comportamento, pelas atitudes, é indiscutível que a categoria dos delegados, estão a anos luz de nós, e isto se reflete nos salários.
Nos governos ditos de direita na Bahia, ganhavamos mal, veio o governo de esquerda e continuamos ganhando mal. Isto carece de uma reflexão: "a culpa é dos governantes ou é nossa, da mentalidade da nossa categoria?". Por que os delegados ganhavam mal e tiveram um upgrade salarial? A resposta está na forma de como nós nos comportamos, como agimos a vida toda. Sempre disse que não adianta você sair da senzala e a senzala não sair de você.
É indiscutível que há inúmeros colegas nossos, passando sérias dificuldades, injustiçados, e ainda assim o egoísmo, e a ignorância, gritam mais alto, preterindo o compadecimento, fazendo com que optem em fazer defesas calorosas de políticos.
Magistrados, promotores, delegados, coronéis, auditores, defensores, todas estas categorias fazem parte da casta de servidores públicos que têm um salário razoavelmente satisfatório, e nós, apesar de também sermos servidores de nível superior, não temos. Sabem por que? Postura, nível, comportamento, atitudes.
Ou mudamos o nosso comportamento, ou estamos fadados a no máximo alcançar o posto de "capitão do mato".
Sobre o autor:
(*) Luiz Ferreira é articulista e analista político, com atuação voltada à leitura crítica da história política brasileira contemporânea. Acompanha de forma permanente os movimentos ideológicos, as relações de poder e os impactos das decisões governamentais na vida da sociedade. Seus textos priorizam a análise histórica, o debate público e a formação de opinião, com foco no interesse do cidadão comum.
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