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VIOLÊNCIA NO BRASIL: o vazio das propostas e o esquecimento dos policiais

O Brasil convive há décadas com índices de criminalidade que colocam o país entre os mais violentos do mundo. por LUIZ FERREIRA

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por LUIZ FERREIRA
23/06/2026 às 10h28
 VIOLÊNCIA NO BRASIL: o vazio das propostas e o esquecimento dos policiais

O Brasil convive há décadas com índices de criminalidade que colocam o país entre os mais violentos do mundo. Homicídios, roubos, tráfico de drogas e crimes contra o patrimônio afetam diretamente a rotina de milhões de brasileiros, especialmente nas periferias das grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e aqui no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre e região metropolitana.

Os números que persistem  

Mesmo com oscilações anuais, o Brasil registra taxas de homicídios muito acima da média global. O Atlas da Violência e dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o país perde mais vidas para homicídio do que muitos países em guerra. Roubos de celular, latrocínio e violência urbana viraram pauta diária de noticiário. A sensação de insegurança é um dos principais medos apontados em pesquisas de opinião pública ano após ano.

O foco em Salvador e na Bahia  

A Bahia, e Salvador em especial, vive um cenário de violência marcado por homicídios, tráfico de drogas e domínio territorial de facções em bairros periféricos como Subúrbio Ferroviário, Cajazeiras, Nordeste de Amaralina e Pau da Lima. Salvador já figurou entre as capitais com maior taxa de homicídios do país, com grande parte das vítimas sendo jovens negros de 15 a 29 anos. Roubos a pedestres, assaltos a ônibus e invasões domiciliares são frequentes, e a sensação de insegurança afeta até áreas turísticas do Centro Histórico e da Orla.

O problema se intensifica pela disputa entre grupos criminosos pelo controle de pontos de venda de droga, pela baixa efetividade da investigação criminal e pela dificuldade de integração entre as forças de segurança. Apesar de programas estaduais de policiamento, os índices seguem altos e o debate público raramente avança para propostas objetivas de longo prazo.

O discurso político x a prática  
Em época de eleição, segurança pública aparece em todos os palanques. Os candidatos prometem “combate ao crime”, “mão dura” ou “políticas sociais preventivas”. Só que na prática as propostas concretas são raras. O que se vê são slogans genéricos, criação de ministérios, programas com nomes diferentes a cada governo, e promessas de mais investimento sem detalhamento de como o dinheiro será aplicado, metas, prazos ou indicadores de resultado.

Projetos de reestruturação das polícias, integração real entre polícias civil, militar, penal e guardas municipais, uso de inteligência e tecnologia investigativa, e políticas de ressocialização com metas claras quase não saem do papel. Quando saem, ficam dependentes de troca de governo e perdem continuidade. Nenhum candidato apresenta plano detalhado com custo, cronograma e responsabilidade por resultado. O debate fica preso em “mais polícia” x “mais educação”, sem mostrar como cada um reduz índice de homicídio no curto e médio prazo.

A falta de valorização dos policiais  
Quem está na ponta do problema é o policial. Salários defasados, jornadas exaustivas, falta de efetivo, viaturas sucateadas, coletes vencidos e déficit de saúde mental. Policial civil e militar trabalha com risco de vida, mas sem plano de carreira atrativo, sem suporte psicológico e com aposentadoria que não compensa o risco da função.

Pouquíssimos políticos colocam valorização policial como eixo central. Quando falam, é só em aumento salarial pontual para efeito de campanha. Raramente se discute: concurso regular para repor efetivo, melhoria de condições de trabalho, equipamento moderno, treinamento contínuo, e proteção jurídica para quem age dentro da lei. Sem polícia valorizada, motivada e bem equipada, qualquer “plano de segurança” fica só no discurso.

O resultado  
Sem proposta concreta e sem cuidar de quem executa a segurança, os índices continuam altos. O crime se organiza, usa tecnologia e coopta jovens. O cidadão comum paga a conta com medo, grades nas janelas e seguro caro. Enquanto o debate político não sair do improviso e não tratar o policial como peça-chave da solução, a violência segue sendo o problema que todo mundo comenta, mas ninguém resolve de fato.

Sobre o autor:
(*) Luiz Ferreira é articulista e analista político, com atuação voltada à leitura crítica da história política brasileira contemporânea. Acompanha de forma permanente os movimentos ideológicos, as relações de poder e os impactos das decisões governamentais na vida da sociedade. Seus textos priorizam a análise histórica, o debate público e a formação de opinião, com foco no interesse do cidadão comum.

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Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Luiz Carlos Ferreira - Brasileiro, baiano, casado, servidor público aposentado, torcedor do vitória, residente no Rio Grande do Sul, Bacharel em Direito, com formação técnica em redator auxiliar, acadêmico em História, pós graduado em Ciências Criminais, política e estratégia e mestrando em políticas públicas.
E-mail: lcfsferreira@gmail.com | facebook.com/LcfsFerreira
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