Quarta, 09 de Setembro de 2026
25°C 26°C
Salvador, BA
Publicidade

XEQUE-MATE

No xadrez você protege o rei a todo custo. Na vida do policial, o “rei” é a sociedade, e proteger às vezes significa se colocar na frente do perigo, sabendo que seu próprio rei pode cair sem que ninguém perceba. Bel LUIZ CARLOS FERREIRA

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
18/05/2026 às 10h14 Atualizada em 18/05/2026 às 11h11
XEQUE-MATE

No xadrez você protege o rei a todo custo. Na vida do policial, o “rei” é a sociedade, e proteger às vezes significa se colocar na frente do perigo, sabendo que seu próprio rei pode cair sem que ninguém perceba.

Você precisa pensar cinco movimentos à frente, como um grande mestre, mas o tabuleiro não é de madeira. Ele é uma rua às 3 horas da manhã, uma ocorrência com adrenalina, um pai esperando em casa.

O paradoxo: 

1. Controle vs. Caos: No xadrez, cada peça se move de um jeito previsível. Na rua, a mesma situação nunca se repete. Você treina pra ter precisão de bispo, mas vive o improviso de um jogo sem regra escrita.

2. Avançar recuando: O policial precisa ser forte pra conter, e sensível pra entender. Um movimento “forte” de torre pode quebrar a confiança. Um movimento “suave” de peão pode evitar uma guerra. Ganhar a partida, muitas vezes, é não precisar chegar ao xeque-mate.

3. Sacrifício obrigatório: No xadrez você sacrifica peças pra ganhar vantagem. Na vida policial, o sacrifício é tempo com a família, sono, paz. E o jogo nunca te diz se o sacrifício valeu a pena até muito depois.

4. O adversário invisível: Você estuda o adversário no tabuleiro. Na rua, o maior adversário às vezes é a dúvida: “Será que estou fazendo certo?” E diferente do xadrez, não dá pra pedir pra repetir a jogada.

O policial termina o dia como quem fecha um tabuleiro: cansado, com peças faltando, e com a sensação de que venceu e perdeu ao mesmo tempo. Porque proteger a vida é o único jogo em que empatar já é uma vitória.

O que muitos não enxergam é que diferente do xadrez, a atividade policial é essencialmente coletiva, onde uma peça depende da outra, o delegado depende do investigador, que depende do escrivão, que depende do perito, que cria uma interdependência sem limites e sem controle. Na vida policial o xeque-mate é para ser dado no crime, na bandidagem,  pois ao contrário, todo o tabuleiro cai, toda a sociedade perde. 

Não é justo em um trabalho coletivo, o bispo ganhar, ou ser mais importante que o cavalo, a torre se sentir melhor que o peão, afinal, todos dependem e precisam um do outro, para vencer juntos a partida. Já que no final dela, todas as peças irão, querendo ou não, para mesma caixa, fria e gélida do jogo da vida.

Bel Luiz Ferreira.

*COMENTE A MATÉRIA E COMPARTILHE, assim você estará apoiando o jornalismo independente!*

*INSCREVA-SE* no Canal do YouTube do PÁGINA DE POLÍCIA - @tvpaginadepolicia

Clique no *"GOSTEI"* e COMPARTILHE...:

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
RELATO REAL: Há 8 horas

RELATO REAL: JOVEM CUBANO REFUGIADO NO SUL DO BRASIL REVELA A DURA ROTINA SOB VIGILÂNCIA POLICIAL, CENSURA E MISÉRIA EM SEU PAÍS NATAL

Em depoimento exclusivo gravado no Rio Grande do Sul, imigrante cubano detalha a repressão a quem contesta o regime, a falta de itens básicos e alerta: “Lá a polícia não dialoga; ou você faz como eles querem, ou vai preso”. por |Bel Luiz Carlos Ferreira

A História de Helena Há 1 semana

O Preço da Negação - A História de Helena

A morte do filho que a mãe tanto quis negar venceu, e ainda a levou também. Duas vidas se foram onde uma havia decidido que só uma importava. por Bel LUIZ FERREIRA

Salário vergonhoso Há 4 semanas

O DESCASO COM QUEM INVESTIGA: o salário vergonhoso de investigadores e escrivães da Polícia Civil da Bahia

Na Bahia, quem carrega a investigação nas costas recebe o mínimo. Investigadores e escrivães da Polícia Civil trabalham com carga excessiva, risco real, plantões, cumprimento de mandados e atendimento direto à população. por LUIZ FERREIRA

“Capitão do mato”. Há 2 meses

O SILÊNCIO DOS INOCENTES

Às vezes vejo que o silêncio pode se confundir com covardia, e em outras vezes com sabedoria. por LUIZ FERREIRA

Sem a ocorrência? Há 3 meses

Resiliência depois da aposentadoria: recomeçar sem o distintivo

Aposentar da polícia civil é trocar a viatura pela rotina de casa. Por décadas o ritmo foi sirene, plantão, adrenalina e responsabilidade por vidas. De repente, o rádio cala. E aí bate a pergunta: quem eu sou sem a placa e sem a ocorrência? por Bel LUIZ FERREIRA

Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Luiz Carlos Ferreira - Brasileiro, baiano, casado, servidor público aposentado, torcedor do vitória, residente no Rio Grande do Sul, Bacharel em Direito, com formação técnica em redator auxiliar, acadêmico em História, pós graduado em Ciências Criminais, política e estratégia e mestrando em políticas públicas.
E-mail: lcfsferreira@gmail.com | facebook.com/LcfsFerreira
Ver notícias
Salvador, BA
26°
Tempo limpo
Mín. 25° Máx. 26°
27° Sensação
6.67 km/h Vento
72% Umidade
20% (0.12mm) Chance chuva
05h33 Nascer do sol
17h30 Pôr do sol
Quinta
26° 24°
Sexta
26° 24°
Sábado
26° 22°
Domingo
26° 23°
Segunda
25° 24°
Publicidade

? LOCALIZAR UNIDADE NA BAHIA

Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,11 +0,59%
Euro
R$ 5,94 +0,60%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 425,171,93 -0,15%
Ibovespa
185,221,34 pts -1.15%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Anúncio