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“É tudo nosso”

Um retrato crítico e provocativo sobre comportamento, alienação e desigualdade, com uma leitura social direta que expõe a repetição de comportamentos e seus impactos. por LUIZ CARLOS FERREIRA

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por LUIZ CARLOS FERREIRA
26/12/2025 às 00h39 Atualizada em 27/12/2025 às 03h56
“É tudo nosso”

Enquanto tiver pobre fazendo filho feio, ouvindo Ygor Kanário, gritando Baêêa, é tudo nosso, descendo e subindo para as festas de largo, carnaval, praia do canta galo e “comendo água” adoidado, então tá tudo bom, de boa, de “queque”. O negócio é descer atrás do “chicrete”...
Pobre Bahia ...

A frase, dura e provocativa, escancara um incômodo antigo. Não se trata apenas de música, festa ou lazer, elementos legítimos da cultura popular baiana, mas do modo como, segundo a crítica, tudo isso passa a ocupar o centro da vida social enquanto problemas estruturais seguem intocados. A repetição dos mesmos rituais, dos mesmos slogans e das mesmas euforias cria a sensação de que está tudo bem, mesmo quando falta o básico.

O texto aponta para um ciclo onde a celebração constante funciona como anestesia. A miséria se normaliza, a ausência de políticas públicas vira pano de fundo e a precariedade é maquiada por discursos de pertencimento e alegria forçada. Grita-se “é tudo nosso”, mas pouco se questiona quem realmente se beneficia dessa lógica. A festa termina, o som baixa, e a realidade segue a mesma para quem sempre esteve à margem.

Há também uma crítica ao conformismo, à aceitação passiva de um modelo que oferece distração em vez de oportunidade. O “descer atrás do chicrete” simboliza a busca por prazeres imediatos, por migalhas de satisfação, enquanto educação, consciência política e mobilização social ficam em segundo plano. Nesse cenário, a pobreza deixa de ser apenas condição econômica e passa a ser também um estado de espírito induzido.

“Pobre Bahia” não é apenas um lamento geográfico, mas um alerta social. O texto provoca porque expõe feridas abertas e usa uma linguagem crua para romper com a romantização da pobreza e da festa permanente. A crítica não é à cultura popular em si, mas à forma como ela é explorada para manter tudo como está, desviando o olhar das desigualdades profundas e da falta de perspectivas reais de mudança.

Ao incomodar, o texto convida à reflexão sobre responsabilidade coletiva, consciência social e o preço da acomodação. Enquanto a festa for tratada como solução e não como expressão cultural dentro de um contexto mais amplo, a miséria continuará sendo empurrada para debaixo do tapete. E a Bahia, rica em história e potencial, seguirá sendo chamada de pobre, não por falta de recursos, mas por escolhas que se repetem.

(*) Bel. Luiz Carlos Ferreira de Souza
Brasileiro, baiano, casado, 63 anos, Servidor público aposentado pelo Estado da Bahia, Residente no Rio Grande do Sul e Rubro-negro das  antigas, ex-diretor da Colônia Penal de Simões Filho/BA.

Formação Acadêmica:
# Mestrando em Políticas Públicas (em andamento)
# Pós-graduado em Ciências Criminais, Política e Estratégia
# Acadêmico em Direito
# Acadêmico em História
# Técnico em Redator Auxiliar

Atuação Profissional:
Colunista da PÁGINA DE POLÍCIA – Analista de Segurança Pública, políticas criminais e questões jurídico-sociais.
Acesse suas últimas publicações: Luiz Carlos Ferreira - PÁGINA DE POLÍCIA

Perfil Profissional:
Especialista em segurança pública e políticas criminais, com ampla experiência em análise jurídico-social e estratégias de políticas públicas. Sua trajetória acadêmica e profissional é marcada pelo compromisso com a justiça social, a valorização das instituições de segurança e a crítica construtiva às estruturas de poder. Suas colunas abordam temas urgentes, como a desvalorização salarial de policiais, a eficiência das políticas de segurança e os desafios do sistema judiciário brasileiro.

E-mail: lcfsferreira@gmail.com
Facebook: /LcfsFerreira

“É tudo nosso”. Pobre Bahia.Pod Cast, baseado em texto de Luiz Carlos Ferreira:

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Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Luiz Carlos Ferreira - Brasileiro, baiano, casado, servidor público aposentado, torcedor do vitória, residente no Rio Grande do Sul, Bacharel em Direito, com formação técnica em redator auxiliar, acadêmico em História, pós graduado em Ciências Criminais, política e estratégia e mestrando em políticas públicas.
E-mail: lcfsferreira@gmail.com | facebook.com/LcfsFerreira
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