
A engrenagem invisível: como o crime organizado usa servidores aposentados como “mulas financeiras”. O lado silencioso que pouca gente enxerga.
O que acontece no Rio de Janeiro não representa a lógica real do crime organizado, como a polícia do Estado, especialistas e alguns políticos tentam transmitir. Ali, como em diversas cidades, o que se vê são bandos desordenados, ações barulhentas e muita violência explícita. É diferente do crime organizado de verdade, que age de forma silenciosa, discreta e quase sempre permanece intocado.
A vulnerabilidade dentro do próprio Estado
O ponto mais grave nessa história é a participação, que direta e indireta da própria estrutura estatal. A miséria atinge muitos servidores públicos, especialmente profissionais da polícia, saúde, militares e professores — principalmente os aposentados — e acaba abrindo espaço para que se tornem o alvo perfeito das organizações criminosas. As Mulas.
O servidor aposentado vira presa fácil sem levantar suspeita
O objetivo da organização criminosa é simples: escolher a presa que não gere desconfiança. O alvo passou a ser o servidor público aposentado.
O papel dos fundos de pensão e dos consignados
Daí surgem os aposentados do INSS e Estado, fundos de pensão e os consignados, que funcionam como porta de entrada. O esquema começa pelo fracionamento dos valores que impede qualquer alerta nos sistemas de controle. Assim, servidores federais, estaduais e municipais acabam sendo usados sem perceber.
Como funciona o esquema
Entenda o esquema, simples e eficiente. O crime usa contas de servidores públicos - aposentados, inclusive idosos - como se fossem “mulas” da organização criminosa.
O conceito de “mula” no contexto criminal
No meio criminoso, “mula” é o termo para quem transporta dinheiro ou drogas ilícitas. No caso dos servidores, o dinheiro é pulverizado em pequenas parcelas, mas com movimentações constantes que não levantam suspeita. Pelo contrário, essas transações seguem para contas de bancos digitais e até para o exterior, movimentando trilhões sem ruído.
A verdadeira lógica do crime organizado no Brasil
Quando afirmo que o crime organizado no Brasil segue outra lógica, podem acreditar: está muito distante dos embates violentos que ocorrem no município do Rio de Janeiro e em outras cidades, com confrontos de violência urbana, delitos locais, transformados em territórios, tendo as gangues a cada dia se aperfeiçoando, com armas potentes, como fuzis e assassinatos que chamam a atenção da imprensa, e assim o crime organizado tem a livre atuação e controle.
A Submissão do Servidor Público ao Sistema de Consignados
O Decreto nº 18.353, de 27 de abril de 2018, evidencia como o governo acabou cedendo às contas-salário e ao sistema de consignados, situação que transformou o servidor público em uma espécie de “mula oficial”. Esse quadro só veio à tona após a prisão de um dos núcleos do crime organizado que, segundo os investigadores, representa apenas uma parte de uma estrutura compartimentada e altamente disciplinada. Esse grupo era responsável por se aproximar de gestores com poder discricionário, monitorar autoridades e planejar atentados. Nesse cenário, o servidor público passou a ser utilizado como instrumento para facilitar desvios financeiros supostamente comandados pelo Banco Master.
Onde o crime prospera
O crime organizado prospera onde o Estado se torna, na prática, um “Estado desorganizado”. Servidores vulneráveis, falhas no controle, falta de proteção ao patrimônio público e aos próprios trabalhadores e, muitas vezes, gestores, governantes e políticos inseridos ou coniventes com esse cenário. Enquanto isso persistir, a máquina criminosa seguirá usando trabalhadores do setor público como peças invisíveis e estratégicas de um esquema gigantesco.
por CRISPINIANO DALTRO
Coluna Crispiniano Daltro/PÁGINAdePOLÍCIA:
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