
No dia a dia, entre um bate papo e outro com colegas e amigos, vem à tona uma superficial discussão acerca do momento político do país, com ênfase para os recentes desdobramentos no Congresso Nacional, principalmente com a derrubada do decreto presidencial que instituía a cobrança do IOF dos afortunados, impondo ao presidente Lula uma fragorosa derrota e com prenúncios nada alvissareiros para o ano seguinte, eleições 2026, reeleição.
Mas, o que está acontecendo, em plena contemporaneidade, onde tanto se propala a tal civilidade, harmonia entre os poderes que alicerçam a estrutura do Estado Democrático de Direito? Pois bem, não é de difícil compreensão notar que o núcleo político do nosso amado e promissor país sofre um processo autofágico.
O conceito de autofagia nos remete a metáfora política. Afinal, o processo autofágico é natural no núcleo da célula e as partes degradadas se auto reciclam. Já no contexto político, atual, a “auto-degradação” e “auto-destruição” são aspectos que evidenciam inúmeras circunstancias em que nosso sistema político age de forma contrariando a essência da natureza do ser e fazer política, com “P” maiúsculo com a inconteste manifestação e participação popular, e, acima de tudo, com o debate de idéias respeitando as vertentes ideológicas, sem que haja contaminação pelo ódio e qualquer tipo de preconceito.
A autofagia política já se manifestava no pós Revolução Francesa, pois, posterior a derrota da Monarquia o grupo político vitorioso travou intestinas disputas dentro do próprio cerne político, ai, configurando um processo de “auto-degradação” e “auto-destruição”, onde o próprio movimento levou a guilhotina alguns dos seus lideres. Assim sendo, diversos fatores ensejam o processo autofágico na política de qualquer natureza (partidária, sindical e outras). Mas essencialmente, na política partidária elencamos diversos fatores que contribuem para sua autofagia: a crise de representatividade manifestada na incapacidade de atender às demandas da população, seus representados, gera desconfiança e perda de legitimidade representativa, vindo à tona a perda do apoio popular.
Ainda, na mesma linha, a radicalização e a polarização interna e externa minam a dinâmica política, deixando à margem o dialogo e o debate de idéias, ingredientes da natureza da política. E, por fim, os escândalos e corrupção atingem diretamente os atores políticos e as instituições, levando-os a uma acentuada autofagia.
Laudelino Conceição (Lau)
Ex-vereador de Salvador, professor de filosofia, acadêmico de direito e Escrivão de Policia Civil da Bahia.
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