
No dia 3 de julho o principal telejornal da emissora de TV mais importante do Brasil dedicou quase sete minutos a uma matéria cuja chamada era “uma campanha disseminada nas redes sociais está provocando críticas e pedidos de moderação”. Na reportagem, Armínio Fraga, o mesmo que defendeu o congelamento do salário mínimo por seis anos, apareceu dizendo que aumentar impostos dos mais ricos terminaria por penalizar os mais pobres. Desfilaram ainda bolsonaristas que esbravejaram contra o governo do PT e contra a campanha que apontava o Congresso brasileiro como o “pior da história”, “inimigo do povo” e Hugo Motta como traidor.
Há algumas semanas eu tinha notado a movimentação da Globo para atacar a proposta de aumento de IOF. Bastaram alguns dias para Motta pautar uma votação relâmpago, consumada no dia 25, impondo uma fragorosa derrota para o governo. Isso após longa negociação e anúncio de acordo entre Haddad e os presidentes das duas casas.
Diante da derrota, os aliados de Lula, com uso da Inteligência Artificial, produziram peças demonstrando que os pobres pagam mais impostos do que os ricos. Nos vídeos, congressistas, liderados por Motta e Alcolumbre, foram retratados como principais responsáveis por atuarem contra as medidas de estabelecimento de alguma justiça tributária no país. Logo a histeria se formou em setores da imprensa, que chegaram a comparar a postura da esquerda com os ataques dos bolsonaristas às instituições.
Há décadas que a emissora da família Marinho, uma das mais ricas do Brasil, conspira contra todas as medidas que sejam minimamente populares. Por isso não há surpresa na postura da Globo. Todavia, o tema repercutiu muito mal para a empresa, que depois de apoiar o golpe de 1964 e a ditadura, assumiu posição respeitável diante da catastrófica gestão da pandemia pelo bolsonarismo, ainda que apoiando as medidas econômicas de Guedes.
Passada uma semana da luta de classes, agora temos o intervencionismo estadunidense a dirigir ameaças ao Brasil. Incomodado pela reunião dos BRICS e a liderança brasileira na cúpula de países que pretendem construir uma alternativa ao hegemonismo estadunidense, Trump veio a público se manifestar sobre decisões do STF no caso Bolsonaro e também ameaçar o Brasil com taxação de 50% a partir de 1º de agosto.
É cedo para dizer se se trata de blefe ou de uma nova Operação Brother Sam apoiada pelo bolsonarismo. Certo é que as Organizações Globo, que em 2 de abril de 1964 publicaram editorial saudando o golpe, intitulando-o “Ressurge a democracia”, correram para condenar os ataques de Trump à soberania do país. Se não dá para cultivar ilusões diante da emissora, que aqui como ali defende seus próprios interesses, cabe perguntar se ficarão histéricos de chamarmos a agressão trumpista de imperialismo, que é o nome que tem na literatura sobre o assunto.
(*) Publicado no Jornal A Tarde, (Espaço do Leitor), edição de 11.07.2025

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