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Delegada Natasha Dolci denuncia Perseguições e Irregularidades na Polícia Civil de Pernambuco

Punida com suspensão, delegada se revolta, aponta uso político dos Processos Administrativos Disciplinares (PADs) e acusa a cúpula da Segurança Pública de manipulação e retaliações.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Vídeo Intagram
23/06/2025 às 16h04
Delegada Natasha Dolci denuncia Perseguições e Irregularidades na Polícia Civil de Pernambuco

A delegada de Polícia Civil de Pernambuco, Natasha Dolci, publicou um vídeo – veja no final da matéria - contundente nas redes sociais no qual denuncia, com indignação, o que chama de “perseguição institucional” por parte da Secretaria de Defesa Social (SDS). Segundo a delegada, vêm sendo abertos sucessivos PADs (Processos Administrativos Disciplinares) como forma de silenciar críticas e ocultar irregularidades dentro da corporação.

Delegada Natasha Dolci

O estopim para a nova punição aplicada à delegada foi o conteúdo de ligações telefônicas com o empresário Rodrigo Carvalheira — investigado por estupro — nas quais, segundo a SDS, ela teria feito “comentários com interpretação equivocada” sobre a polícia e autoridades, além de divulgar fatos restritos à instituição. A pena determinada foi de oito dias de suspensão, convertida em multa de 50% por dia de vencimento, com desconto em folha e obrigatoriedade de comparecimento ao trabalho.

O caso foi divulgado no Boletim Geral da SDS, assinado pelo secretário Alessandro Carvalho Liberato de Mattos, e teve como base o relatório da Comissão Especial Permanente de Disciplina da Corregedoria, que apontou “transgressão disciplinar” com base na Lei Estadual nº 6.425/72.

Entre as acusações citadas pela SDS estão:

·       Divulgação de atos internos da repartição a pessoas não autorizadas;

·       Negligência no cumprimento de deveres;

·       Desrespeito à hierarquia;

·       Falta de conduta pública irrepreensível.

No entanto, a defesa da delegada contesta a medida, informando que o inquérito que investigava corrupção foi arquivado, sem qualquer comprovação de crime. Em nota oficial, seus advogados afirmam que “a Administração Pública Estadual, num ímpeto beligerante e punitivo, aplicou punição desarrazoada pelo fato de a delegada apresentar críticas e denúncias contra a gestão da Polícia Civil, revelando odiosa ditadura e uso do sigilo administrativo como manto de ilicitudes”.

"Não vou me calar, nem que isso custe meu cargo"

No vídeo, Natasha Dolci rebate duramente as acusações, afirmando que sua suspensão foi motivada por críticas legítimas e públicas à gestão da segurança pública no estado. Ela relata que teve sua vida vasculhada, com acesso a redes sociais, conversas de WhatsApp e telefone — sem que nenhuma irregularidade fosse encontrada.

Com tom firme e direto, a delegada aponta supostos privilégios e favorecimentos em transferências internas ("quem tem QI vai pra Noronha, quem não tem, ganha PAD"), além de denunciar a manipulação de dados estatísticos de produtividade da polícia.

“Vocês prendem quem já está preso pra fingir que houve prisão. Os números apresentados são fictícios”, afirma Natasha em um dos trechos.

Ela também denuncia que após o cumprimento de metas mínimas de apreensões, delegados ficariam ociosos, e que esses dados seriam maquiados para aparentar produtividade. Segundo ela, essas distorções são ocultadas sob o argumento de “sigilo administrativo”.

Apesar de reconhecer que o caminho judicial é difícil e que poderá ser demitida, a delegada diz estar disposta a pagar esse preço por defender aquilo em que acredita.

“Eu não vou abaixar a cabeça pra lixo humano que fralda número e processo administrativo. Eu saio com a cabeça erguida pra uma vida nova, mas lutando por essa instituição que estudei tanto pra servir”, declara.

O caso da delegada Natasha Dolci escancara um debate necessário sobre os limites entre disciplina interna e liberdade de expressão dentro das instituições públicas. Sua denúncia pública — ainda que polêmica — coloca em xeque a transparência da Polícia Civil e da SDS, além de levantar questionamentos sobre o uso político de processos disciplinares.

A situação também evidencia como críticas internas, mesmo feitas por servidores concursados, ainda enfrentam resistência e retaliações — algo que deveria preocupar não apenas a categoria, mas toda a sociedade.

A repercussão do caso continua crescendo nas redes sociais e pode reacender a discussão sobre a autonomia funcional dos delegados e a necessidade de auditorias externas sobre os dados e condutas institucionais da segurança pública.

Vídeo-denúncia nas redes sociais:

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