
A percepção de que se aproxima um “ponto final” para a valorização institucional não surge do nada. Ela reflete um sentimento crescente de descompasso entre mérito, reconhecimento e os critérios adotados para homenagens dentro da instituição.
Condecorações deveriam representar trajetórias consistentes, compromisso com a função pública e condutas que reforcem a credibilidade da instituição. Quando esse sentido se perde, o próprio valor simbólico das homenagens é diluído, gerando questionamentos entre os servidores.
Há também um incômodo evidente quando o histórico funcional deixa de ser considerado com o rigor esperado. O reconhecimento, nesses casos, passa a ser visto não como um estímulo à excelência, mas como um processo fragilizado, que compromete a confiança interna.
Esse cenário impacta diretamente a motivação e o sentimento de pertencimento. Valorizar corretamente não é apenas um gesto formal, é um mecanismo essencial para fortalecer a identidade institucional e preservar sua legitimidade.
Se o critério deixa de ser claro, o simbolismo se esvazia. E quando o simbolismo se perde, resta apenas a sensação de que algo importante está sendo deixado para trás.
No fim das contas, o que se vê é um contraste incômodo: enquanto o reconhecimento institucional se torna cada vez mais questionável, muitos dos policiais que sustentam o dia a dia da atividade permanecem à margem, sem qualquer valorização real. São esses profissionais, discretos e constantes, que acabam ignorados no momento em que a instituição deveria reafirmar seus valores.
Em um passado recente, durante a gestão da delegada e ex-secretária Kátia Alves, ao menos havia um gesto simbólico ao final da carreira, com a entrega de um diploma ao servidor aposentado. Não resolvia tudo, mas representava reconhecimento. Hoje, nem isso. O que resta, para muitos, é apenas o encerramento silencioso de uma trajetória marcada por dedicação, acompanhado de salários que seguem aquém do esperado.
Comentário de um policial:
“Foram 40 anos de polícia. Quatro décadas de plantões, risco e dedicação. No dia em que me aposentei, saí pela mesma porta por onde entrei, sem um ‘obrigado’, sem um gesto, sem nada. O que fica não é só o cansaço, é a sensação de que tudo isso não teve valor para quem deveria reconhecer.”
Enquanto isso, outros são lembrados com homenagens, medalhas e visibilidade, reforçando ainda mais a percepção de que o critério deixou de ser a trajetória e passou a seguir caminhos difíceis de justificar.
Como se não bastasse, a distribuição de medalhas também entra nesse cenário de distorção, alcançando, em alguns casos, membros da imprensa cercados por polêmicas e questionamentos judiciais. Esse tipo de escolha amplia a sensação de injustiça dentro da própria corporação e reforça a ideia de que os critérios deixaram de ser técnicos para se tornarem, no mínimo, discutíveis.
A crítica não se limita a uma única instituição policial. Serve como alerta mais amplo para todas as instituições policiais baianas. Quando o reconhecimento perde o sentido e deixa de alcançar quem realmente faz a diferença, o problema deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.
E isso, cedo ou tarde, cobra seu preço.
Editorial
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