
O desabafo de um profissional de segurança pública revela o cenário caótico em que se transformou a atuação policial na Bahia. A inversão de papéis, a falta de recursos e a corrupção infiltraram-se nas instituições, criando um ambiente onde policiais e cidadãos vivem sob constante ameaça – seja do crime organizado, seja de colegas de farda que traíram a missão de proteger.
O Isolamento da Polícia e o medo de ser Parente de Policial
Hoje, um policial não pode mais se relacionar normalmente com a sociedade. Ter familiares ou amigos tornou-se um risco, pois criminosos usam essas conexões para retaliar ou obter informações. "A polícia agora tem que ser feita na chocadeira, sem parente", ironiza o relato, destacando o absurdo de agentes precisarem viver como clandestinos em sua própria terra.
A Confusão Institucional e a Perda de Funções
A desorganização chegou a um ponto crítico:
# Polícia Militar assumindo atribuições da Polícia Civil;
# Polícia Civil, que deveria investigar, sendo obrigada a "marchar na rua" e fazer testes físicos (TAF) como se fosse tropa;
# Guarda Municipal atuando como força de choque;
# Agentes penitenciários supostamente facilitando a entrada de drogas e celulares nos presídios.
A pergunta que fica é: quem está fazendo o que deveria?
A Corrupção que Minou a Confiança
O depoimento é contundente: "Todo mundo roubando". PMs envolvidos em sequestros, tráfico, esquemas de rifa ilegal. A Polícia Civil, sem viaturas adequadas para investigação, recebe carros padronizados que só servem para "entregar intimação". Enquanto isso, criminosos se passam por policiais, invadem casas e extorquem inocentes.
A Bahia no Estado de Calamidade
A referência a Rui Barbosa – "ainda bem que você está morto" – sintetiza o desespero. O estado, outrora símbolo de cultura e resistência, hoje é palco de uma guerra sem sentido, onde não se distingue mais quem protege de quem destrói. Como diz a música citada: "Eu tenho medo da polícia, estou cabreiro com ladrão / Se não sabe mais quem é quem, irmão."
A situação descrita não é apenas um desabafo, mas um alerta. Se as instituições não retomarem suas funções originais, se a corrupção não for combatida dentro e fora das corporações, e se os agentes honestos continuarem sem apoio, a Bahia – e todo o Brasil – seguirá afundando em um ciclo de violência e impunidade. É urgente que a sociedade exija mudanças antes que o abismo seja irreversível.
"Rapaz, essa porra está fodida, irmão. A Bahia está fodida."
Mas ainda há tempo para reagir.
Confira DESABAFO...
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"Crime Organizado Institucionalizado na Bahia: Um alerta há 18 Anos Ignorado"
Comentário de Crispiniano Daltro:
Pois é, esse desabafo do cidadão baiano, em primeiro lugar, não deixa dúvidas do que estava previsto a se tornar realidade. Estamos reféns do CRIME ORGANIZADO na Bahia!
*Digo isso todos os dias, só esse governo do PT que não vê essa desgraça que está acontecendo, desde que assumiu o Estado da Bahia, em 1° de janeiro de 2007, pra cá. Foram 8 anos de Jaques Wagner, + 8 de Rui Costa e + 2 anos de Jerônimo, e mais 2 para fechar o ciclo. Inclusive deixei claro ao tomar decisão em 15 de maio de 2008, de fazer meu dever de dirigente sindical ao protocolar no gabinete do governador Jacques Wagner, denunciando minha saída do SINDPOC, da minha renúncia do movimento sindical pra não ficar refém do crime organizado, já mostrando que iria acontecer na Polícia Civil e Secretaria de Segurança Pública. Então, falta de aviso não foi.*
Enquanto se mantém a pasta de políticas públicas de segurança pública nas mãos de delegados da Polícia Federal, essa desgraça continuará a ocorrer. Eles transformaram a SSP numa delegacia de polícia judiciária federal, estruturada num modelo implantado no regime militar, uma versão do 'DOPS - Departamento de Ordem Política e Social'.
Não bastando um deles ser demitido do cargo de secretário de estado, sob acusação de ser membro de uma organização criminosa do poder judiciário da Bahia, e ainda nesse governo insiste em manter o controle da SSP e das Polícias Civil e Militar, delegados federais, com seu staff e grupos de PMs ocupando todos os cargos comissionados.
Agora até a COGER - Corregedoria Geral, órgão administrativo, se instalam ações de serviços da polícia civil, com elementos fardados e mascarados usurpando as funções exclusivas dos policiais civis, e a ADPEB e SINDGOV nada fazem? Comprovadamente uma subserviência, que antes de serem 'dirigentes sindicais', são policiais e possuem prerrogativas legais conforme a legislação de denunciar, ao Ministério Público Federal, responsável pela OPERAÇÃO FAROESTE.
*Enfim, a realidade é uma só: Estamos reféns do crime organizado institucionalizado no Estado da Bahia, como há 18 anos já previa e assim que invadiram o sindicato, fiz minha obrigação de protocolar no gabinete do governador em 15 de maio de 2007, na condição de diretor do SINDPOC - Sindicato dos Policiais Civis da Bahia, tudo isso que estão fazendo com nossa segurança pública. Literalmente presos ao Estado paralelo."*
— Crispiniano Daltro
(*) "RACISMO NA PM: Policial Civil negro é espancado por militares durante Carnaval em Salvador; VÍDEO mostra agressões e humilhação"




