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A REALIDADE SOMBRIA DO SERVIÇO POLICIAL: O Estado e o Perigo do Desvio

Falta de valorização, sobrecarga e desamparo tornam o desvio moral uma ameaça constante nas corporações policiais.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Marcial Machado
28/09/2024 às 17h33 Atualizada em 28/09/2024 às 17h47
A REALIDADE SOMBRIA DO SERVIÇO POLICIAL: O Estado e o Perigo do Desvio

O cenário vivido pelos policiais brasileiros, seja na Polícia Civil (PC) ou na Polícia Militar (PM), revela um quadro alarmante de abandono e falta de valorização. O Estado, que deveria ser o grande aliado na formação e capacitação de seus agentes, acaba por expor esses profissionais a condições de vulnerabilidade que os aproximam, perigosamente, da criminalidade. A ausência de suporte, tanto emocional quanto financeiro, somada à sobrecarga de trabalho, cria um ambiente onde o desvio de conduta se torna uma tentação fácil para quem enfrenta dificuldades.

A preparação policial, muitas vezes, parece treinar o agente para sobreviver no "cinza" — uma zona nebulosa entre o legal e o ilegal. O cotidiano se transforma em uma batalha para resistir ao ambiente tóxico em que estão inseridos, onde gestores descomprometidos e desmotivadores apenas agravam o problema. Esses superiores, que aparecem esporadicamente nas delegacias, exibem um padrão de vida luxuoso, com carros caros, viagens e pouca presença no local de trabalho, alimentando o desalento dos que realmente carregam o fardo diário da segurança pública.

Aqueles que não possuem uma forte formação moral, perseverança, fé em Deus ou apoio familiar podem facilmente sucumbir ao caminho mais fácil: o crime. Sob constante pressão, sem o devido reconhecimento ou suporte institucional, o policial precisa ser firme para não cair na armadilha que se instala quando o desespero bate à porta.

O descaso do Estado e a falta de uma política de valorização consistente estão transformando as corporações policiais em uma bomba-relógio. Se não houver uma mudança urgente no tratamento dado aos profissionais de segurança pública, o número de policiais que se desviam para o crime pode aumentar significativamente. O Estado precisa reconhecer que valorizar e apoiar seus agentes não é apenas uma questão de justiça, mas uma medida essencial para a integridade da própria segurança pública. O risco do colapso moral é real, e apenas uma estrutura sólida de suporte pode impedir que mais policiais sucumbam ao lado obscuro da sociedade que juraram proteger.

Marcial Alberto Moldes Fontal da Costa Machado

Investigador de Polícia Civil na Bahia e Bacharel em Direito

instagram.com/marcialfontalmachado/

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