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Quando vai acabar a "dança das cadeiras?"

Com a saída nada ortodoxa do Secretário da Segurança Pública, o Governador nomeia um ex-delegado de polícia, e ex-juiz federal, para ocupar a vaga, além de nomear um delegado de carreira para sub-secretário.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Bel. Luiz Ferreira
14/01/2021 às 10h51
Quando vai acabar a

 

É bem comum quando o chefe do executivo do Estado, nomeia um novo gestor para uma Secretaria, que ocorra a tal "dança das cadeiras". Em particular, na Secretaria da Segurança Pública, este fenômeno vem ocorrendo há anos.

Os grupos, sub-grupos, grupinhos, e os "carreira solo", sempre existiram. É interessante, entretanto, o comportamento como estes agem, dentro do organograma da estrutura da pasta. Existe sempre três grupos distintos, e obviamente um deles alcança o poder, quando isto acontece, os dois que perderam a liderança se unem e passam a fazer oposição ao grupo vencedor. Incrivelmente este triângulo do poder transforma-se em uma roda giratória continua, já que estes grupos são heterogêneos, apesar de fazerem de tudo para manter as aparências, eles não se misturam.

Na polícia civil da Bahia a existência dos "caciques", é indelével, porém com a chegada de novos servidores, surgiu os tais "Menudos", uma tribo diferente que na contramão da hierarquia, todavia sempre buscando o poder, passou a lutar por melhorias salariais. Na gestão deste último Secretário da Segurança Pública, o qual era oriundo da Polícia Federal, os menudos ficaram desprestigiados, tendo por conseguinte, um grupo de servidores de conhecimento técnico duvidoso, se aliado ao ex-gestor da pasta, e acatando aos seus desmandos e desordens, promoveram um verdadeiro retrocesso, e desconfiguramento da instituição.

O Secretário por ser de uma outra instituição, por falta de conhecimento e por falta de capacidade, promoveu uma enxurrada de nomeações de pessoas inabilitadas para ocupar vários cargos de relevância na estrutura da instituição, e por conta disto, podemos ver escândalos de servidor com cargo de direção, sendo acusado de associação criminosa, tráfico de drogas, dentre outras graves acusações, tais quais as que lhe retirou do cargo.

Foi uma década perdida para Polícia Civil da Bahia, e porque não dizer, para Segurança Pública do Estado, onde os números alarmante de violência cresceram assustadoramente, tudo isto resultado da falta de competência e inabilidade do administrador.

A Polícia Civil foi deixando de ser como de origem e formação, uma polícia investigativa, e passou a atuar com farda, em uma versão *tupiniquim” da co-irmã Polícia Militar, a qual por sua vez, vendo a brecha deixada pelo Secretário, passou a fazer o trabalho da polícia civil, configurando-se flagrante desvio de função. Tudo sendo visto e assistido por toda a cúpula da SSP. Houve até o caso de um militar que saiu do Detran/BA, e foi "acolhido" na Segurança Pública pelo seu amigo Secretário. A gestão era de quem era amigo do rei.

Com a saída nada ortodoxa do Secretário da Segurança Pública, o Governador nomeia um ex-delegado de polícia, e ex-juiz federal, para ocupar a vaga, além de nomear um delegado de carreira para sub-secretário, vaga esta deixada por mais um dos tantos que "vieram de fora" (ninguém sabe de onde), e tão pouco disseram para o que veio. Foram preteridos nomes de decanos competentes servidores, e pior, além de preteridos, perseguidos, o que culminou com um sem fim de pedidos de aposentadorias. Este foi o "grande legado" deixado pelo último Secretário, contudo, graças ao bom Deus, são páginas viradas...

Esta nova gestão já começou a promover a referida dança, por enquanto, uma "dancinha", mas para o bem da instituição, e para que a mesma não erre os passos, assim como fez o ex-secretário, que promoveu a "dança do crioulo doido", existe a proeminente necessidade de uma dança mais clássica, mais aguda, onde o preenchimento das cadeiras seja ocupada por "competentes dançarinos", os quais tenham a lhaneza de tratar seus pares, e a urbanidade de saber lidar com o pseudo poder.

A Polícia Civil tem que buscar resgatar a valorizar as delegacias de barrio, a autoestima dos servidores, a aproximação interpessoal, a deliberalidade para os gestores das unidades fazerem as suas equipes de confiança, dentre outras medidas. A bem da verdade, nunca podemos dizer que tudo está perdido, pois para retomar e resgatar a instituição deste abismo institucional que foi colocada, o ex-secretário deixou a lição: basta fazer inversamente tudo o que ele fez.

 

Bel. Luiz Ferreira

 

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