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E se a lógica fosse invertida? Proposta questiona uso de termos como “complexo” e “território” na segurança pública de Salvador

Administrador e especialista em gestão pública defende uma discussão sobre a forma como regiões da cidade são identificadas pelas políticas de segurança e propõe o fortalecimento de um modelo circunscricional

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por CRISPINIANO DALTRO
05/09/2026 às 12h55
E se a lógica fosse invertida? Proposta questiona uso de termos como “complexo” e “território” na segurança pública de Salvador

Salvador, BA | A forma como determinadas regiões são denominadas pelas políticas de segurança pública entrou no centro de uma reflexão proposta pelo administrador Crispiniano Daltro, que questiona o uso de expressões como “complexo”, “território” e “área de intervenção” para identificar comunidades submetidas a ações de segurança.

A discussão parte de uma provocação: e se a lógica utilizada para denominar determinadas áreas fosse aplicada a bairros tradicionalmente associados a regiões valorizadas de Salvador?

Daltro propõe imaginar, por exemplo, que bairros como Barra, Graça e Amaralina fossem reunidos sob a denominação de “Complexo da Vitória”, enquanto Pituba e Alphaville fossem classificados como um “Território de Intervenção”.

Na avaliação do administrador, uma mudança dessa natureza provavelmente provocaria forte reação de moradores, imprensa, empresários e diferentes setores da sociedade, justamente porque esses locais possuem identidade, história, patrimônio, atividades econômicas e características próprias.

A influência dos nomes na percepção sobre os bairros

A reflexão também faz referência ao modelo de nomenclatura utilizado no Rio de Janeiro, onde termos como “complexo” são amplamente empregados para identificar conjuntos de comunidades e favelas, especialmente no contexto das políticas de segurança pública.

Para Daltro, a questão não está apenas nas palavras utilizadas, mas na percepção que elas podem produzir sobre os espaços urbanos e sobre as pessoas que vivem neles.

Segundo a proposta apresentada, quando determinada região passa a ser permanentemente associada à ideia de conflito, intervenção ou ocupação, existe o risco de sua identidade histórica e social ficar em segundo plano.

A discussão levanta, então, uma questão central:

Por que determinados lugares continuam sendo reconhecidos prioritariamente como bairros, enquanto outros passam a ser identificados por conceitos associados à intervenção e ao conflito?

“Bairro não é território. Bairro é comunidade”

|

 

A partir dessa perspectiva, Crispiniano Daltro defende que a política de segurança pública considere, antes das divisões geográficas, as pessoas e as características de cada comunidade.

A proposta apresentada por ele é a adoção de uma Segurança Pública Circunscricional, modelo que, segundo sua visão, deve priorizar a proximidade entre as instituições de segurança e a população, além da integração entre inteligência, forças policiais e serviços públicos.

A ideia é que cada região seja compreendida a partir de suas particularidades, permitindo que as estratégias de segurança sejam construídas levando em consideração as características sociais, econômicas, culturais e territoriais de cada comunidade.

“Bairro não é território. Bairro não é complexo. Bairro é comunidade.”

A frase sintetiza a proposta defendida por Daltro e representa o eixo central da reflexão.

Uma nova leitura do mapa de Salvador

Para o administrador, discutir a nomenclatura utilizada na segurança pública também significa discutir a própria forma como a cidade enxerga seus bairros.

A proposta não se limita à mudança de nomes, mas busca provocar um debate sobre a relação entre segurança pública, território, identidade e cidadania.

Nesse contexto, Daltro defende que a segurança não deve transformar determinadas regiões em espaços permanentemente associados ao conflito, mas conhecer suas comunidades, respeitar suas características e estabelecer uma relação mais próxima com os moradores.

A reflexão termina com uma pergunta:

Se o nome de um bairro fosse invertido, a sociedade aceitaria a mesma lógica?

Para Crispiniano Daltro, a resposta passa pela necessidade de repensar a maneira como Salvador organiza sua política de segurança e reconhece seus diferentes territórios.

Sobre o autor

Crispiniano Daltro é administrador, inscrito no CRA nº 10845, e possui pós-graduação em Gestão Pública pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A proposta integra sua defesa de uma Segurança Pública Circunscricional e da desmilitarização da abordagem territorial na segurança pública.

(*) COLUNA DO AUTOR:

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CRISPINIANO DALTRO..
CRISPINIANO DALTRO..
Administrador, Pós graduado em Gestão Pública de Municípios pela Uneb/Ba, coordenador e professor do curso de Investigador Profissional ministrado pela Facceba, ex-Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia - SINDPOC, ex-Coordenador Geral da Federação dos Trabalhadores Público do Estado da Bahia – FETRAB e Investigador de Policial Civil. E-mail: crispinianodaltro@yahoo.com.br | Whatsapp: (71) 99276 - 8354
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