
"O voto “LuNeto” — a combinação do voto em Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência e em ACM Neto para o governo estadual — é apontado pelo analista político Marco Wense como motivo de forte preocupação para o grupo governista do PT na Bahia". É o que diz o Google.
ACM Neto tratou logo de dizer que não é responsável pelos votos de eleitores adeptos do "LulaNeto", que não cabe a ele "controlar" nas escolhas das pessoas. Finaliza dizendo que "cada eleitor pode se manifestar como quiser". Tem toda razão o ex-prefeito de Salvador.
O senador Jaques Wagner (PT), idealizador da majoritária puro-sangue, com a defenestração de Angelo Coronel, então PSD, hoje Republicanos, é um crítico feroz do "Lula lá, Neto cá".
Já o ex-ministro Rui Costa segue um caminho diferente do seu criador político, admitindo a liberdade do eleitor na cabine de votação, fazendo a ressalva de que "a combinação de votos entre presidente, governador e senador pode facilitar a execução de projetos considerados estratégicos para a Bahia".
O criador e a criatura continuam se bicando. Lembrando ao caro e atento leitor que o desentendimento político já vem de muito tempo, coisa de priscas eras, diria o saudoso jornalista Eduardo Anunciação.
Com efeito, se ACM Neto (União Brasil) derrotar o governador Jerônimo Rodrigues (PT-reeleição), o discurso de Rui Costa vai ser usado pelo netismo na sucessão de Salvador de 2028, de que é importante votar no candidato do chefe do Palácio de Ondina, usando o mesmo argumento de Rui Costa, o de que "pode facilitar a execução de projetos considerados estratégicos".
O voto "LuNeto", cada vez mais preocupante para o lulopetismo, passa a ser mais um motivo para ACM Neto evitar críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tratar com desdém a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
O jogo de cintura do ex-gestor soteropolitano passa a ser em relação ao bolsonarismo chamado de raiz, para que não haja uma revolta, tendo como consequência a perda desses sufrágios, que podem fazer a diferença na contagem dos votos.
O "Lula lá" com o "Neto cá" vai crescendo. Até as freiras do convento das Carmelitas sabem disso. O "LuNeto" rapidamente se espalha.
Rui Costa, de olho na onda do "Lula lá, Neto cá", já passa parafina na sua prancha. É o Rui surfista. Besta é coelho, diz o ditado popular. E de besta, Rui não tem nada.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.
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