Segunda, 08 de Junho de 2026
25°C 25°C
Salvador, BA
Publicidade

Quando a Corte Constitucional rompe a Carta

Quando a mais alta corte do país rasga a Constituição Federal, o gesto não morre ali. Ele desce. por BEL. LUIZ FERREIRA

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
28/04/2026 às 12h10
Quando a Corte Constitucional rompe a Carta

Quando a mais alta corte do país rasga a Constituição Federal, o gesto não morre ali. Ele desce.

O Supremo Tribunal Federal é o último degrau da escada jurídica. Sua função é guardar a Constituição. Quando inverte esse papel e passa a relativizar texto expresso, criar teses sem base legal ou julgar por conveniência, envia um recado institucional claro: a norma escrita vale menos que a vontade de quem interpreta.

O estrago é escalonado porque o sistema é hierárquico. Tribunais superiores, como STJ, TST e TSE, perdem o referencial objetivo. Se o STF molda o texto ao caso, por que os demais não fariam o mesmo? Decisões passam a citar precedentes políticos, não dispositivos constitucionais. A jurisprudência vira reflexo da conjuntura, não da lei.

Nos juízos singulares o efeito é imediato. O juiz de primeira instância vê a instabilidade acima e entende que também pode inovar. A segurança jurídica, que depende de previsibilidade, vira loteria. Processos iguais recebem soluções opostas. O precedente deixa de orientar e passa a confundir.

E o cidadão? Sem um estado democrático de direito funcional, ele aprende rápido. Percebe que a lei formal não garante nada. Que contratos, direitos e garantias dependem de quem julga, não do que está escrito. A consequência é grave: se as instituições não aplicam regras estáveis, resta ao indivíduo impor sua própria razão. O exercício arbitrário das próprias razões vira regra de sobrevivência.

Não há ordem sem topo. Quando a Corte que deveria conter o arbítrio se torna fonte dele, toda a estrutura perde o prumo. A Constituição deixa de ser pacto e vira sugestão. E sem pacto, o que sobra é força.

É por isso que a fidelidade constitucional do STF não é detalhe técnico. É a viga mestra.

Quando ela cede, o teto desaba para todo mundo.

por Bel Luiz Ferreira

*COMENTE A MATÉRIA E COMPARTILHE, assim você estará apoiando o jornalismo independente!*

*INSCREVA-SE* no Canal do YouTube do PÁGINA DE POLÍCIA - @tvpaginadepolicia

Clique no *"GOSTEI"* e COMPARTILHE...:

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Bel LUIZ CARLOS FERREIRA
Luiz Carlos Ferreira - Brasileiro, baiano, casado, servidor público aposentado, torcedor do vitória, residente no Rio Grande do Sul, Bacharel em Direito, com formação técnica em redator auxiliar, acadêmico em História, pós graduado em Ciências Criminais, política e estratégia e mestrando em políticas públicas.
E-mail: lcfsferreira@gmail.com | facebook.com/LcfsFerreira
Ver notícias
Salvador, BA
25°
Parcialmente nublado
Mín. 25° Máx. 25°
25° Sensação
4.19 km/h Vento
70% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
05h51 Nascer do sol
17h14 Pôr do sol
Terça
25° 24°
Quarta
25° 24°
Quinta
26° 25°
Sexta
26° 25°
Sábado
27° 24°
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,15 -0,38%
Euro
R$ 5,96 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 343,528,15 +2,20%
Ibovespa
169,019,13 pts -0.77%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Anúncio