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Quando o discurso é fantasia, a política vira carnaval permanente.

Em 2026, a política entra na avenida fantasiada de fé, moral, segurança e cuidado social. Por trás do brilho, sobram privilégios, medo fabricado e promessas que não sobrevivem à realidade. Por Lisdeilli Nobre

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por LISDEILI NOBRE
08/02/2026 às 11h51 Atualizada em 08/02/2026 às 12h19
 Quando o discurso é fantasia, a política vira carnaval permanente.

Em 2026, a política entra na avenida fantasiada de fé, moral, segurança e cuidado social. Por trás do brilho, sobram privilégios, medo fabricado e promessas que não sobrevivem à realidade. Esta crônica convida o leitor a olhar além do brilho antes que o ano vire desfile de mentiras.   

Tem gente que não vê a hora do Carnaval de 2026 passar.

Não pelo samba, nem pelo confete.
É o outro bloco que está sendo ensaiado em silêncio: o bloco eleitoral, aquele que desfila antes do prazo, driblando a legislação com a mesma habilidade de quem finge que não sabe ler o calendário da Justiça Eleitoral.

As pedras já se mexem.
Procuram bandeiras, palanques improvisados, frases prontas.
Nem sempre o que dizem é — mas preparem o teatro: vem aí o espetáculo.

Os candidatos evangélicos entram em cena com Deus estampado na fachada.
“Deus acima de tudo”, anunciam, em letras garrafais.
Mas no interior do prédio — aquele onde mora o princípio maior do amor ao próximo — as luzes parecem apagadas.
Os dogmas bíblicos ficam esquecidos justamente quando a pauta é solidariedade, partilha dos recursos públicos e justiça social.
Super salários, penduricalhos e privilégios passam batidos.
O inimigo, esse sim, vira o personagem principal do palco: serve para esconder o egoísmo com versículos recortados fora de contexto.

Logo depois, penduram a bandeira da segurança pública.
O discurso vem pronto: “o inimigo está na rua, armado de fuzil”.
Dizem que oportunidade foi dada a todos e que quem caiu foi por escolha errada — como se escolhas nascessem em ruas sem saneamento, escolas sucateadas e postos de saúde vazios.
Basta um olhar rápido para os índices de segurança, saúde e saneamento das cidades baianas para o castelo de palavras cair.
O Estado continua escolhendo quem vai viver, quem vai morrer e quem vai ser preso.
Mas isso não cabe no jingle.

A pauta da mulher também sobe ao palanque.
Sempre sobe.
Mas desce vazia.
Falam em proteção sem entender nada de construção de gênero, repetem discursos frágeis que reforçam a mulher no papel eterno de vítima — nunca como sujeito político, nunca como protagonista, nunca como quem decide.

Tem quem suba no palanque do renascimento da lavoura cacaueira, evocando um passado glorioso.
Mas nega a ciência, desmata a Mata Atlântica e explora o trabalhador em condições que flertam com a escravidão moderna.
O cacau vira slogan, não política pública.

Outros defendem programas de transferência de renda com fervor — não para emancipar, mas para formar redutos eleitorais de dependência.
Auxílio eterno, voto garantido.
Assistencialismo como estratégia, não como transição.

Há também os defensores da educação.
Esses discursam bonito.
Mas, nos bastidores, são os primeiros a entrar na ciranda dos subterfúgios para desviar recursos, cortar investimentos e tratar escola como gasto, não como direito.

E não faltam os candidatos que prometem resolver tudo.
Colam no Executivo como sombra, disputam quem será o “baba-ovo oficial” do prefeito, do deputado ou do governador.
Entregam tapa-buracos, pequenas remendas, favores miúdos — obras que rendem foto, mas não mudam a vida de ninguém.

Preparem-se.
Eles estão chegando.
Fantasiados de salvadores, vestidos de moral, maquiados de boas intenções.
O Carnaval das Máscaras vai durar o ano inteiro de 2026.

E, como todo carnaval longo demais, o risco é acordarmos na quarta-feira de cinzas com a conta — e sem música.

(*) LISDEILI NOBRE
https://noticias.portalafirmativa.com/

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Prof. Me. LISDEILI NOBRE
Prof. Me. LISDEILI NOBRE
Este espaço tem como fundamento os Direitos Humanos. Os princípios fundamentais deste espaço são: LIBERDADE - DIVERSIDADE - VIDA – RESPEITO | BIOGRAFIA: Doutoranda em Políticas Sociais e Cidadania na Universidade Católica de Salvador. Mestre em Teologia na linha de pesquisa em Ética e Gestão pela Faculdades EST São Leopoldo/RS, atualmente é Delegada de Polícia/Ba.| lisdeilinobre@hotmail.com
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