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A carta, a chantagem e o tiro que pode sair pela culatra.

Quando a ideologia vira moeda de troca, até a soberania entra na barganha.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por Lisdeili Nobre
13/07/2025 às 13h16 Atualizada em 13/07/2025 às 13h40
A carta, a chantagem e o tiro que pode sair pela culatra.

“Conheci e tratei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países.”


É assim, com um verniz de diplomacia para encobrir o viés ideológico, que Donald Trump abre sua carta em defesa do aliado da extrema-direita brasileira. O ex-presidente dos Estados Unidos, prestes a reassumir o protagonismo de um movimento internacional conservador, não economiza nos adjetivos e nas ameaças. Classifica o julgamento de Bolsonaro como “uma vergonha internacional” e exige que “essa caça às bruxas acabe imediatamente”.

Mas o que está em jogo aqui não é apenas uma amizade entre populistas. É a tentativa explícita de ingerência em assuntos internos de um país soberano. É a chantagem internacional como ferramenta de barganha política. E é, sobretudo, o uso da diplomacia como palanque para blindar um aliado que responde a processos legais previstos na Constituição brasileira.

O Brasil e suas instituições não são linha auxiliar de Trump

O Supremo Tribunal Federal não age sob paixões políticas — mas conforme a legislação penal e processual vigente. Bolsonaro não está sendo julgado por suas ideias, mas por atos concretos que, segundo os autos, atentam contra o Estado Democrático de Direito. O Judiciário cumpre seu papel. O que Trump tenta fazer, ao atacar o julgamento, é deslegitimar instituições democráticas para salvar um "pseudoamigo"

A movimentação coordenada entre Eduardo Bolsonaro e congressistas republicanos nos EUA, transformando a pauta judicial brasileira em moeda de troca econômica, é um escândalo silencioso. Trata-se de uma ameaça velada: ou o Brasil absolve Bolsonaro, ou sofrerá retaliações comerciais.

O setor produtivo já entendeu: isso pode custar caro

Diplomatas, especialistas em comércio exterior e associações de exportadores brasileiros — especialmente dos setores de carne, café e pescados — soaram o alarme. Não há motivo econômico legítimo para tensionar as relações com o Brasil. O gesto de Trump é político, unilateral e preocupante.

O risco não é apenas de sanções — é de isolamento. Em vez de nos curvarmos, o momento é oportuno para o governo Lula reforçar laços com mercados que respeitam soberanias e instituições: União Europeia, BRICS, Mercosul, países do Leste Europeu. A diversificação comercial pode ser resposta madura a uma ameaça infantil.

O tiro que pode sair pela culatra

Se for bem conduzida, essa crise forçada pode abrir janelas. O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada. Expandir nossas parcerias e mostrar firmeza institucional pode não apenas resguardar a independência dos poderes, mas impulsionar nossa presença em novos mercados.

Ao contrário do que Trump sugere, o mundo respeita o Brasil quando ele se mostra soberano. A democracia brasileira tem instituições sólidas — e não precisa da tutela de aliados autoritários para se manter de pé.

Sobre a autora

Lisdeili Nobre é cronista, doutoranda em Políticas Sociais e Cidadania, mestre em Gestão Pública. Professora de Direito, Delegada de Polícia Civil e CEO da Afirmativa Consultoria, atua em planejamento estratégico para cidades inteligentes e desenvolvimento de políticas públicas.

 

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