
Quando a comunicação supera dogmas e recoloca a política no eixo

Lembro da época em que ainda era filiado ao PT. Tive a honra de conhecer o baiano que se tornou um dos maiores marqueteiros do país, Duda Mendonça, publicitário autodidata. Fui apresentado a ele pelo saudoso amigo Antônio Medrado, ex-delegado, ex-chefe da Polícia Civil e ex-diretor da ACADEPOL. A agência DM9 ficava próxima ao DTE, no Complexo dos Barris.
Quando assumiu a campanha de Lula para presidente, Duda enfrentou a resistência da ala mais ideológica do PT, hoje representada pelos descendentes do PSOL. Mesmo assim, impôs o óbvio que ninguém tinha coragem de dizer. Disse a Lula, com a franqueza que só ele tinha, que seria eleito apenas se mudasse a forma de falar e de se apresentar. Pediu que abandonasse duas palavras nas entrevistas e discursos: “companheiro” e “luta”. Orientou Lula a ajustar a dentição, trocar as camisas simples e chinelos por paletó italiano e adotar uma postura mais alinhada ao eleitor médio.
As assembleias com a categoria continuariam como sempre, com xingamentos e desabafos. Mas na frente das câmeras, outra história.
Duda produziu um vídeo marcante. Lula se emocionou apenas ao assistir. Era ele saindo de dentro de uma TV, entrando na sala de uma família religiosa e patriota — um modelo de eleitor comum. Ali se consolidou a ruptura: o ex-sindicalista e militante dava lugar ao candidato presidencial capaz de dialogar com o país inteiro. E assim derrotou FHC.
Duda se consagrou como o maior marqueteiro do Brasil, sobretudo porque fez o que muitos no PT jamais aceitaram: ensinar o partido a falar com o povo.
O tempo passou. Duda foi abandonado pela mesma esquerda que o levou ao topo. Viveu seus últimos anos num isolamento que não merecia. Lula perdeu, foi preso, condenado. Depois voltou ao poder junto com o velho vocabulário que só os “iluminados” do partido dizem entender.
Décadas depois, partidos aliados de centro e direita voltam a pressionar. E novamente a turma do “companheirismo” está sendo empurrada para fora da cena. Agora, proibidos até de soltar certas palavras da moda, como “todes”.
Alguém, claramente, ouviu o espírito de Duda Mendonça.
A comunicação política não é sobre falar o que um grupo quer ouvir, mas sobre alcançar quem realmente decide uma eleição. Quando alguém tem a coragem de colocar isso na mesa, merece reconhecimento. O vídeo acerta exatamente neste ponto.
Parabéns pela coragem e pela lucidez.
por Crispiniano Daltro
Está proibido falar "TODES"! O QUE DEVERIA ESTAR EM JOGO DESDE O COMEÇO
Vídeo de: Carlos Bezerra Jr
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