
Duda Mendonça nasceu em Salvador e iniciou a carreira na própria cidade, onde fundou a agência DM9 em 1975. O trabalho local chamou atenção pelo estilo direto, pela leitura aguçada do comportamento popular e pela habilidade de transformar ideias complexas em mensagens simples. Essa combinação abriu portas e, pouco a pouco, projetou seu nome para além da Bahia.

Antes de se tornar referência nas campanhas eleitorais, Duda já era conhecido no mercado publicitário. Ainda assim, foi na política que ele encontrou o espaço onde sua criatividade ganharia maior dimensão. As primeiras campanhas de destaque ocorreram nos anos 80 e 90, quando ajudou a impulsionar nomes como Waldir Pires e outras figuras da política baiana. O sucesso regional levou seu trabalho a outras disputas pelo país.
A campanha que o colocou de vez no centro das atenções nacionais foi a de Paulo Maluf para a prefeitura de São Paulo, em 1992. O candidato não era o favorito, mas venceu, e a estratégia construída por Duda teve peso direto no resultado. Depois disso, ele passou a atuar em diversas campanhas importantes, como as de Antônio Carlos Magalhães, Roseana Sarney e governadores de diferentes estados. Em cada uma delas, manteve uma marca reconhecível: linguagem coloquial, emoção, narrativa clara e conexão com o eleitor comum.
O auge da carreira veio em 2002, na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Duda redesenhou a imagem do candidato, reduziu resistências e ajudou a aproximá-lo de públicos que antes tinham receio. A figura do “Lulinha paz e amor” se tornou histórica e abriu novas possibilidades para o marketing político brasileiro. Após essa vitória, seu trabalho também passou a ser procurado fora do país.
A trajetória vitoriosa conviveu com momentos de forte desgaste. Ele foi envolvido no escândalo do Mensalão e, mais tarde, voltou ao noticiário por causa de denúncias na Lava Jato. Houve ainda episódios de caráter pessoal, como sua prisão em uma rinha de galos no Rio de Janeiro. Apesar das polêmicas, manteve o reconhecimento profissional e, anos depois, foi absolvido no caso do Mensalão.
Duda Mendonça morreu em agosto de 2021, aos 77 anos, em São Paulo, após enfrentar um câncer no cérebro. A notícia mobilizou lideranças políticas, profissionais de comunicação e antigos parceiros de campanha, que lembraram seu talento e sua influência na construção de uma nova forma de fazer marketing eleitoral no Brasil.
Duda Mendonça construiu uma carreira que uniu intuição, sensibilidade popular e estratégias sólidas. Mesmo marcado por controvérsias, deixou um legado que segue presente nas campanhas políticas e nos bastidores da comunicação. Seu trabalho mostrou que a força de uma boa narrativa pode mudar rumos, aproximar candidatos do eleitor e definir caminhos na história política brasileira.
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