
Ação deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, resultou na morte de dois policiais civis e dois militares. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues e o secretário de Segurança Marcelo Werner comentaram o episódio, reforçando a importância da integração entre os estados no combate ao crime organizado.
Na manhã desta terça-feira (28), forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro deflagraram a operação “Contenção”, com o objetivo de desarticular a atuação da facção Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha. A ação mobilizou cerca de 2.500 agentes entre policiais civis e militares.
O saldo foi trágico: 64 pessoas mortas, incluindo quatro agentes de segurança — os policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, chefe de investigação da 53ª DP, e Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, da 39ª DP; além dos policiais militares do BOPE, os 3º sargentos Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca.
Durante a operação, houve confrontos intensos. Criminosos ergueram barricadas, drones foram utilizados e diversas vias ficaram interditadas. A rotina da população foi gravemente afetada. A operação, considerada a maior já realizada no estado, reacendeu o debate sobre os limites da força e a necessidade de estratégias baseadas em inteligência.

Em coletiva de imprensa, o governador Cláudio Castro reconheceu a gravidade do episódio e afirmou que o Estado tem enfrentado o crime praticamente sozinho. Segundo ele, “as nossas polícias estão sozinhas. É uma operação maior do que a de 2010 e, infelizmente, dessa vez, como ao longo desse mandato inteiro, não temos o auxílio nem de blindados, nem de agentes federais. Estamos fazendo a maior operação da história do Rio de Janeiro”.
Castro também disse que o governo fluminense já teve pedidos de apoio federal negados e que, mesmo assim, as forças estaduais continuarão atuando. “Já tivemos três negativas. O presidente é contra o uso de GLOs. Entendemos que a realidade é essa e não vamos ficar chorando pelos cantos”, afirmou.

O secretário de Segurança do Rio, Victor dos Santos, destacou que a ação foi coordenada inteiramente pelo estado e que o tamanho da área envolvida exigiu planejamento detalhado. Segundo ele, “são aproximadamente nove milhões de metros quadrados de desordem no Rio de Janeiro. Toda a logística foi feita com recursos próprios e o objetivo é retomar o controle de territórios dominados há décadas”.

A repercussão nacional foi imediata. O episódio reacendeu discussões sobre os modelos de enfrentamento às facções e os índices de letalidade das operações policiais. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que o estado mantém um controle planejado sobre suas operações e que “não há previsão de ações desse tipo aqui”. Ele ressaltou que “as operações baianas são feitas com inteligência e planejamento, sempre com foco em retirar de circulação drogas, armas e dinheiro do crime organizado”.

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, também se manifestou, solidarizando-se com as famílias dos policiais mortos e das demais vítimas. Ele afirmou que a Bahia vem intensificando o combate às facções e que “não há fronteira para a atuação do crime organizado”. Segundo Werner, “as facções estão associadas e atuam de forma constante em todo o país. Por isso, precisamos unir forças — governos, instituições e sociedade — para enfrentá-las com firmeza e responsabilidade”.
A megaoperação no Rio de Janeiro expôs novamente o tamanho do desafio que o país enfrenta no combate ao crime organizado. A morte de quatro policiais — dois civis e dois militares — e de dezenas de suspeitos reforça a urgência de repensar estratégias de segurança pública, equilibrando firmeza e inteligência operacional. Para a Bahia e outros estados, o alerta é claro: o avanço das facções é uma ameaça nacional, e o enfrentamento precisa ser coordenado, planejado e sustentado por políticas permanentes, não apenas por ações de choque.
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