
Não, você não leu errado. O Brasil acaba de inovar, mais uma vez, na sua já rica fauna institucional: surgem os Deputados e Senadores Trans — aqueles que nasceram Ministros do Supremo Tribunal Federal, mas se identificam como legisladores eleitos pelo povo.
É bonito ver essa liberdade de identidade institucional. Afinal, por que se limitar a ser “apenas” um juiz, comedidamente técnico, quando se pode acordar num belo dia e sentir-se um parlamentar de alma, um tribuno ungido por votos que nunca existiram? O povo não os elegeu, é verdade — mas, em nome de um princípio de representatividade transcendental, eles assumem a missão de decidir o que o Congresso deveria ter decidido, mas ficou com preguiça (ou covardia) de fazer.
Se o Legislativo cochila, o Judiciário acorda com sede de protagonismo. E não é qualquer protagonismo. É protagonismo gourmet, com voto decorado, sustentação ao vivo e hashtags nas redes sociais. Eles não só julgam — militam com toga e tudo, numa espécie de cosplay jurídico de deputado de oposição (ou situação, depende do dia).
A Constituição? Ora, a Constituição… essa já virou praticamente um livro de autoajuda: cada um interpreta como quiser, conforme o humor do Plenário. O artigo 2º, aquele que fala da separação dos Poderes, já foi para a sessão de terapia. Está em crise de identidade desde que viu o STF criando normas, suspendendo leis, decidindo sobre orçamento e até dando pito em quem ouse discordar. O Legislativo? Assiste calado, como quem aceita que perdeu a guarda compartilhada da democracia.
E assim seguimos, com os ministros-deputados, juízes-senadores, uns quase candidatos a presidente de si mesmos. Faltam apenas as emendas parlamentares e as selfies com eleitores no comício. Mas calma… dessa transição institucional para o palco político, é só mais um passo.
E o povo? Bom, o povo, esse ente místico e folclórico que deveria ser o centro da democracia, está lá, tentando entender como é que o Brasil tem 513 deputados, 81 senadores… e mais 11 parlamentares supremos que nunca disputaram sequer o grêmio estudantil — mas tomam decisões como se tivessem sido eleitos com a maior votação da história.
Brasil, o único lugar do mundo onde até os Poderes têm crise de identidade.
(*) Francisco Issa - Tenente Coronel PM/RR, Advogado, Direito UCSal, missão em El Salvador e Haiti, Direito Intern. Humanitário
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