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Perícia se mostra decisiva na investigação da morte do ativista conservador americano Charlie Kirk

O trabalho da perícia nesse caso será amplo e fundamental para que a investigação seja completa e traga as respostas necessárias. Por Cássio Thyone Almeida de Rosa

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: fontesegura.forumseguranca.org.br/EDIÇÃO N.293
29/09/2025 às 15h43 Atualizada em 29/09/2025 às 15h48
Perícia se mostra decisiva na investigação da morte do ativista conservador americano Charlie Kirk

O ativista conservador Charlie Kirk foi morto em um atentado ao ser atingido no pescoço por um projétil de arma de fogo disparado com um fuzil, fato ocorrido durante um evento na Universidade Utah Valley, na última quarta-feira, 10 de setembro. Kirk chegou a ser socorrido com vida e levado a um hospital, onde passou por cirurgia, mas morreu horas depois.

O disparo que matou Kirk partiu de longa distância, efetivado por um atirador que se encontrava em um telhado nas proximidades. Vídeos divulgados sobre o assassinato mostraram o momento em que a vítima foi atingida e, momentos após o crime, uma pessoa correndo no telhado de um edifício. O FBI (Federal Bureau of Investigation), agência federal de investigação, assumiu imediatamente o caso.

O evento na Universidade Utah Valley constituía a primeira aparição do ativista em uma turnê que passaria por 15 instituições de ensino americanas.

Kirk era fundador do grupo estudantil conservador chamado Turning Point USA (organização sem fins lucrativos presente em mais de 3.500 escolas e universidades nos 50 estados americanos) e teve papel central na mobilização do apoio jovem ao então candidato Donald Trump nas campanhas presidenciais de 2016 e 2024. Seus eventos em universidades de todo o país sempre costumavam atrair grandes públicos.

Entre as ideias defendidas por Kirk estavam valores cristãos, o livre mercado e o alinhamento ao movimento Make America Great Again (MAGA) — ou “Faça a América Grande Outra Vez“. Ele também era defensor de armas, questionava o aquecimento global e era crítico ferrenho da esquerda. O jovem se tornou presença constante na Casa Branca, ganhando destaque na mídia e, ao mesmo tempo, envolvendo-se em muitas polêmicas, em especial durante a pandemia, quando seu perfil no antigo Twitter chegou a ser suspenso com a alegação de divulgar informações falsas sobre a Covid-19. Também foram alvos de seus ataques a “ideologia de gênero” e o “marxismo“.

Outra de suas polêmicas teve como tema exatamente a questão das armas de fogo. Em 2023, segundo a revista Newsweek, ao comentar sobre um tiroteio em uma escola que deixou seis mortos, incluindo crianças, Kirk teria afirmado que valia a pena “arcar com o custo” de “algumas mortes” para manter o direito ao porte de armas de fogo nos EUA.

Em relação à morte de Kirk, as apurações iniciais já contaram com uma importante participação da perícia: entre os objetos e vestígios encontrados na cena de crime, havia uma toalha que estava enrolada no fuzil encontrado por policiais, bem como uma chave de fenda que estava no telhado de onde o disparo foi desferido. Nesses objetos os peritos encontraram traços de DNA, que após processados foram comparados com o DNA do suspeito preso um dia depois do atentado, Tyler Robinson, um jovem de 22 anos.

Vamos relacionar a seguir o que está em andamento em relação aos exames e o alcance esperado:

Exames de Local: um completo exame da cena de crime foi efetivado. Tão logo a área onde o evento era realizado foi evacuada, a polícia interditou a cena, incluindo as imediações. No telhado onde uma pessoa foi vista fugindo havia uma chave de fenda de onde se extraíram vestígios de DNA. O fuzil (ou rifle, como aparece em alguns veículos de comunicação) foi encontrado envolto em uma toalha, em uma área de vegetação próxima ao local do fato, tendo sido abandonado durante a fuga do atirador. Outros vestígios eventualmente coletados vão ser processados e podem ajudar a estabelecer a dinâmica dos fatos em detalhe.

Exame Médico-Legal: Foi realizada a necrópsia no corpo da vítima. O laudo vai detalhar a causa médica da morte, descrever as lesões e o trajeto do projétil no corpo do ativista.

Exames Balísticos: A arma apreendida com o atirador foi reportada como um fuzil Mauser de modelo antigo. Outros veículos de comunicação americanos também citaram fontes para afirmar que se tratava de um fuzil Mauser .30-06 importado, com ação de ferrolho. A arma e os cartuchos recuperados serão objetos de exames. Chamou a atenção que alguns dos cartuchos traziam inscrições gravadas, entre elas: “percebe o volume?“, “toma essa, fascista“, “o bella ciao, ciao” e “se você ler isso, você é gay“.

Exames de imagens: Imagens de filmagens e fotografias operadas por populares existem em abundância e certamente serão periciadas e empregadas em reconstruções 3D e outros recursos que permitirão um completo entendimento da dinâmica do evento.

Exames documentoscópicos: um bilhete que o suspeito (Tyler Robinson) teria escrito antes do crime, e que teria sido recuperado por policiais mesmo após ser destruído, será certamente objeto de exames documentoscópicos e grafoscópico (da escrita), visando atribuir ao suspeito a autoria do bilhete. As informações até aqui indicam que o texto dizia: “Tenho a oportunidade de eliminar Charlie Kirk, e vou aproveitá-la“.

Exames em dispositivos de comunicação e armazenamento de dados: celulares e computadores relacionados ao atirador serão examinados minuciosamente visando embasar a investigação e certamente vão colaborar na busca da motivação, caracterização de planejamento das ações e premeditação, bem como na compreensão de sua personalidade e se ele agiu de forma solitária (existe a suspeita de que ele sofria constrangimento e intimidação por parte de terceiros).

O trabalho da perícia nesse caso será amplo e fundamental para que a investigação seja completa e traga as respostas necessárias.

(*) Cássio Thyone Almeida de Rosa - Graduado em Geologia pela UNB, com especialização em Geologia Econômica. Perito Criminal Aposentado (PCDF). Professor da Academia de Polícia Civil do Distrito Federal, da Academia Nacional de Polícia da Polícia Federal e do Centro de Formação de Praças da Polícia Militar do Distrito Federal. Ex-Presidente e atual membro do Conselho de Administração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 fontesegura.forumseguranca.org.br/EDIÇÃO N.293

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