
Durante o ciclo junino de 2025, o Governo de Sergipe destinou R$ 322 mil para a realização de espetáculos no Teatro da Vila do Forró, na Orla da Atalaia, em Aracaju. A iniciativa tem aproximado o público das artes cênicas e garantido visibilidade e estrutura para grupos artísticos sergipanos. Seguindo o modelo de sucesso já experimentado em outras vilas temáticas, o espaço, administrado pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), estreou este ano com uma programação gratuita e contínua: foram mais de 100 apresentações de teatro, dança e circo, sempre gratuitas e com duas sessões diárias.
Ao total, o Teatro da Vila do Forró reuniu 25 grupos artísticos selecionados por edital público: 13 companhias de teatro, seis de dança e seis de circo. Cada um realizou, no mínimo, três apresentações. Além deles, quatro grupos se apresentaram espetáculos de forma voluntária: Dança Prev e Coral Prev (Sergipe Previdência), As Divas Guerreiras (Associação de Apoio aos Adultos com Câncer do Estado de Sergipe), Energia Urgente (Energisa) e o teatro de fantoches Juninho e sua turma no São João Seguro (Corpo de Bombeiros de Sergipe).
“O objetivo da Vila sempre foi mostrar a força da nossa sergipanidade e das nossas tradições. Este ano, avançamos ainda mais ao reconhecer que nossa identidade também se fortalece por meio das artes cênicas e de toda a diversidade que elas trazem. O formato do teatro, que já era sucesso, foi ampliado: aumentamos a capacidade de público, estendemos os dias de programação, inovamos nas modalidades, com a inclusão da dança, e, assim, diversificamos as apresentações. O resultado desse investimento é uma cadeia produtiva fortalecida e a presença constante de famílias, amigos e turistas lotando a Vila todos os dias”, destaca o presidente da Funcap, Gustavo Paixão.
Com capacidade para 130 pessoas, o espaço foi pensado para receber diferentes tipos de públicos e para todas as idades. O acesso é feito por ordem de chegada, mas pessoas com deficiência, autistas e neurodivergentes têm prioridade. Os segundos espetáculos do dia também contam com tradução em Libras. A estrutura, climatizada e confortável, tem oferecido condições ideais para grupos se apresentarem com qualidade técnica e segurança.
Para a assessora técnica da Diretoria de Políticas Culturais (Dicult) da Funcap, Grazzy Coutinho, o espaço do teatro na Vila do Forró é de suma importância para toda a cadeia produtiva das artes cênicas. “Foi um grande presente que o Governo do Estado deu para todos os artistas cênicos sergipanos. Toda a programação foi elaborada por meio de um edital do Ciclo Junino e isso também deixou a gente bastante feliz, porque teve uma procura grande dos grupos para poder integrar essa programação. Toda a cadeia produtiva das artes cênicas está, de fato, trabalhando. Para famílias que vivem apenas disso, está sendo muito importante”, considera.
Grazzy Coutinho também ressalta o potencial do teatro de funcionar como vitrine da cultura sergipana por meio dos espetáculos, assim como de garantir acesso às artes cênicas no estado. “As atrações encantam não só a população do estado, mas os turistas também porque eles conseguem conhecer um pouquinho do que temos no nosso estado, às vezes num período curto que eles estão passando por aqui. Trabalhamos também a formação de plateia. As pessoas saem felizes quando sabem que a gente tem uma diversidade imensa de grupos de Sergipe se apresentando”, pontua.
A realização do Teatro na Vila do Forró garante oportunidades para artistas e profissionais de toda a cadeia produtiva das artes cênicas, como destaca o ator Caio Fonseca, de 17 anos, integrante do grupo Raízes: “Para nós que somos artistas sergipanos, é muito importante esse tipo de investimento. A gente sente que está sendo visto, e não é só quem está em cena. É o figurinista que passa dias costurando a roupa, o maquiador que pensa nos detalhes, o iluminador que constrói a atmosfera da peça, o sonoplasta que cuida de cada som. Se tem investimento, tem oportunidade de trabalho para todo mundo”, explica.
O grupo Raízes já se apresentou duas vezes no espaço e tem mais uma apresentação confirmada, sempre com espetáculos voltados para a cultura junina e a identidade sergipana. “A gente sempre traz algo que remete à nossa história, ao nosso povo. Atuamos com orgulho do que é nosso. A entrada franca do teatro abre portas para quem não tem condições de pagar por isso. Então se elas chegarem a um espaço como esse, veem que está tendo investimento e que é grátis, podem prestigiar a gente com essa forma de cultura, eu acho muito gratificante, muito lindo”, pontua.
Quem também viveu a experiência de estar no palco do Teatro da Vila foi o artista César Leite. Com sete apresentações no espaço, entre solos e coletivos, ele encantou o público com o espetáculo ‘Boi de Barro Fragmentos’, inspirado no folclore brasileiro. “A gente fica muito feliz em ter condições de mostrar o nosso trabalho. Trabalho com a cultura popular há alguns anos, é uma coisa que eu adoro, adoro de verdade. A importância da gente estar aqui nesse espaço é muito grande porque a gente tem condição de mostrar o nosso trabalho para as pessoas e fortalecer o interesse pela cultura popular, que é o que eu apresento”, afirma.
O espetáculo de César Leite se apoia em histórias tradicionais e, segundo ele, o ambiente adequado faz diferença. “Acho a maior importância a gente falar sobre folclore para as pessoas. Então esse espaço favorece isso, nos dá a oportunidade de sempre estar fazendo, de sempre estar mostrando esse trabalho. Esse investimento do Governo de Sergipe é muito importante, pois toda peça tem um gasto financeiro e agora temos um retorno não só financeiro, mas de alegria e de emoção do público e também nosso, de poder mostrar o que a gente fez”, conta.
Para o ator Éden Brisio, do grupo Hecta, o teatro na Vila do Forró representa uma grande oportunidade e visibilidade para os artistas sergipanos. “É uma excelente chance para o artista local trabalhar, mostrar sua arte e gerar renda. O teatro para nós não é só sustento, é vitalidade, é onde a gente compartilha conhecimento. Já me apresentei aqui com diversas companhias, e estar na Vila é sempre muito importante para quem vive da arte cênica”, afirma.
Mãe de uma criança autista, a sergipana Érika Travassos sublinha o valor da experiência para apresentar a cultura de sua terra à família. “Eu amei a programação. Eu sou nordestina, sou daqui, mas meus filhos não são, nasceram em Manaus. Então, apresentar essa cultura para eles, que é a cultura com a qual fui criada, é muito importante”, enfatiza.
Vila do Forró
A Vila do Forró é uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) e do Banese, em parceria com o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura. O projeto conta com o apoio da Energisa, Aperipê TV, Netiz, TV Atalaia, Prefeitura de Aracaju, FM Sergipe e TV Sergipe; e com o patrocínio da Eneva, Iguá Saneamento, Maratá, GBarbosa, Sergas, Deso, Pisolar, Celi Engenharia, Rede Primavera Saúde, SEGV e Indra.

