Sábado, 24 de Janeiro de 2026
25°C 27°C
Salvador, BA
Publicidade

A política entrou nos quartéis

Se não forem tomadas medidas efetivas para conter os ânimos e impedir a radicalização dos quartéis, o quadro político nacional tenderá a se agravar ainda mais até 2022.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: fontesegura.org.br
15/06/2021 às 12h33
A política entrou nos quartéis

As últimas semanas foram marcadas por episódios que refletem um nível preocupante de politização de militares e policiais. Se não forem tomadas medidas efetivas para conter os ânimos e impedir a radicalização dos quartéis, o quadro político nacional tenderá a se agravar.

No domingo, 23 de maio, o ex-ministro da Saúde e general da ativa, Eduardo Pazuello, participou em um ato ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o oficial subiu em um carro de som com o chefe do Planalto e outros aliados depois de um passeio de moto no Rio de Janeiro. Apesar da flagrante infração disciplinar, após ser pressionado pelo presidente o comandante do Exército decidiu não punir o general. 

A decisão do comandante causou indignação entre muitos oficiais, uma vez que abriu um precedente extremamente perigoso de quebra da disciplina. O episódio mostrou que o presidente interferiu gravemente nos assuntos internos do Exército Brasileiro. Ele já fizera isso na Polícia Federal, no COAF e na Receita Federal. Esperava-se que as FFAA pudessem resistir às suas investidas. 

No sábado, 29 de maio, a Polícia Militar de Pernambuco dispersou violentamente manifestantes que protestavam contra o presidente Jair Bolsonaro num ato pacífico no centro do Recife. Duas pessoas perderam a visão de um olho após terem sido atingidas por tiros de bala de borracha que partiram da polícia.

Um documento da PMPE indica que o comando da corporação ordenou a dispersão dos manifestantes. Segundo o relatório interno, o comandante do Batalhão de Choque, responsável pela operação, havia sido orientado pelo Comandante Geral da Polícia, coronel Vanildo Maranhão, para dispersar a manifestação usando os meios disponíveis, caso eles avançassem em direção à praça do Diário. O governador decidiu exonerar o secretário de Segurança Pública e o Comandante Geral após a divulgação das imagens, que desmentiram a versão de que os policiais estavam apenas reagindo às agressões dos manifestantes. 

Em Goiânia, no dia 31 de maio, um policial militar prendeu um professor que se negara a retirar do seu carro uma faixa que chamava o presidente Jair Bolsonaro de "genocida". De acordo com o tenente que realizou a abordagem, o professor estaria infringindo a Lei de Segurança Nacional, que proíbe calúnias contra presidente da República. Entretanto, a LSN é de competência federal, cabendo exclusivamente à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal a sua aplicação. Em função disso, o Comandante Geral da PMGO decidiu afastar o oficial enquanto o fato for apurado.

Os três episódios, embora diferentes, apontam que a política já entrou nos quartéis. Ao impedir a punição do general, ficou claro que Bolsonaro conta com apoio e tolerância do alto escalão da defesa. No caso Pazuello, ele contou com o apoio do ministro da Defesa, general Braga Netto, que deveria atuar para proteger as FFAA das interferências políticas. Foi o que fizeram o ex-ministro da Defesa e os ex-comandantes das três Forças quando, de forma inédita, pediram em conjunto exoneração dos seus cargos. 

A ordem do comandante geral da PMPE de dispersar com balas de borracha um ato pacífico de 300 pessoas que protestavam contra o presidente Bolsonaro mostrou seletividade e exagero no controle de protestos, pois outras manifestações políticas de apoio ao governo Bolsonaro não foram reprimidas.

A abordagem do policial de Goiás mostra o quanto os policiais estão engajados na disputa política que se vê atualmente no país. Dois levantamentos recentes indicam que o número de agentes radicalizados no Brasil, que flertam com discursos antidemocráticos, é significativo. Pesquisa do instituto Atlas de abril deste ano apurou que 21% dos policiais brasileiros (chega a 27% entre PMs) admitem ser favoráveis à instalação de uma ditadura militar. Outra pesquisa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de agosto de 2020, analisou postagens no Facebook de policiais e estimou que 12% dos policiais militares, 7% dos civis e 2% dos federais publicaram conteúdos defendendo o fechamento do Congresso e/ou a prisão de ministros do STF.

O crescimento do ex-presidente Lula nas pesquisas de intenção de votos tende a fortalecer ainda mais Bolsonaro entre os militares e policiais, uma vez que há uma enorme rejeição a Lula entre os militares e policiais. Bolsonaro provavelmente usará sua influência junto a esses segmentos para alcançar seus interesses políticos. O ano de 2022 promete ser muito tenso dentro e fora dos quartéis. 

Fonte: fontesegura.org.br

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
ACERTANDO NO ALVO.
ACERTANDO NO ALVO.
Artigos sobre os mais variados assuntos do momento.
Ver notícias
Salvador, BA
28°
Tempo nublado
Mín. 25° Máx. 27°
32° Sensação
2.59 km/h Vento
77% Umidade
100% (0.82mm) Chance chuva
05h23 Nascer do sol
18h07 Pôr do sol
Domingo
27° 25°
Segunda
27° 26°
Terça
27° 25°
Quarta
26° 25°
Quinta
27° 25°
Publicidade
Publicidade


 


 

Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,29 +0,00%
Euro
R$ 6,23 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 500,965,06 -0,23%
Ibovespa
178,858,55 pts 1.86%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Anúncio