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VAR: A Morte da Espontaneidade no Futebol

Como a tecnologia transformou o futebol em um esporte mecânico, esvaziando sua emoção e debates.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Editoria de Esportes
21/10/2024 às 16h11 Atualizada em 21/10/2024 às 17h53
VAR: A Morte da Espontaneidade no Futebol

A introdução do VAR (Video Assistant Referee) trouxe a promessa de acabar com erros grotescos e injustiças históricas no futebol. Com a tecnologia, árbitros passaram a revisar lances de gol, pênaltis e situações polêmicas por meio de câmeras, garantindo uma suposta maior precisão. Contudo, essa modernização teve efeitos imprevistos e prejudiciais: o futebol perdeu parte de sua essência espontânea e se tornou mais frio e mecânico, esvaziando a emoção natural do jogo.

Do Futebol Arte ao Jogo Técnico

O futebol sempre foi um palco de momentos improváveis e até controversos que entraram para a história, como o famoso "Gol de Mão" de Maradona, apelidado de La Mano de Dios, nas quartas de final da Copa de 1986, e o gol duvidoso da Inglaterra na final da Copa de 1966, em que a bola bateu no travessão e não ficou claro se ultrapassou completamente a linha. Esses episódios eram combustível para discussões acaloradas entre torcedores e deixavam espaço para interpretações apaixonadas.

Com a chegada do VAR, porém, o futebol perdeu boa parte dessa espontaneidade. Lances que antes provocariam debates no bar ou na arquibancada são agora dissecados por câmeras de alta definição e julgados friamente. A pausa prolongada para análise de faltas e impedimentos interrompe o ritmo da partida, fazendo com que o torcedor perca parte da emoção do momento. O que era uma celebração vibrante no gol se transformou em uma espera tensa por confirmação.

Quando a Tecnologia Tem Efeito Reverso

Embora a intenção inicial do VAR fosse garantir justiça, ele acabou gerando frustração e tirando a fluidez natural do jogo. Além disso, nem sempre a tecnologia é sinônimo de precisão. Mesmo com as revisões, decisões polêmicas continuam acontecendo, como o gol anulado de Gabriel Jesus contra o Tottenham na Liga dos Campeões de 2019 e o pênalti controverso de Cristiano Ronaldo no Mundial de Clubes de 2017.

Em alguns casos, o uso do VAR provocou ainda mais indignação do que se não tivesse sido utilizado, demonstrando que a busca obsessiva por justiça perfeita pode ter o efeito oposto.

O VAR veio para melhorar a arbitragem, mas a que custo? Ao eliminar boa parte das polêmicas e incertezas que faziam parte do espetáculo, a tecnologia deixou o futebol mais frio e previsível. As discussões apaixonadas, que sempre foram um componente cultural do esporte, estão sendo substituídas por análises técnicas e impessoais. Isso nos leva à reflexão de que nem toda inovação tecnológica melhora a experiência humana – em alguns casos, como no futebol, ela pode sufocar a essência do que fazia o esporte tão especial. T

alvez o futebol precise encontrar um meio-termo entre a precisão tecnológica e a emoção do improviso, resgatando o espírito imprevisível que sempre cativou torcedores ao redor do mundo.

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CARLOS NASCIMENTO
CARLOS NASCIMENTO
Funcionário público aposentado Editor da Revista Página de Polícia e responsável pelos Sites: paginadepolicia.com.br, tokdemia.com.br, oservidor.com e Colunista do blog politicafc.com.br.
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