Segunda, 07 de Setembro de 2026
25°C 26°C
Salvador, BA
Publicidade

Falta um plano nacional de Segurança Pública

Sem uma estratégia para a redução das mortes violentas com indicadores de desempenho e mecanismos de governança, é pouco provável que se possa reduzir os homicídios no país.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: fontesegura.org.br
26/05/2021 às 10h29 Atualizada em 26/05/2021 às 10h33
Falta um plano nacional de Segurança Pública

Em abril deste ano foi encerrada a fase inicial do projeto EM FRENTE BRASILdestinado à redução dos homicídios no país. O projeto foi lançado em 29 de agosto de 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo então ministro da Justiça, Sergio Moro. Atualmente não há previsão de continuidade das ações, o que, na prática, significa o fim do projeto.

O projeto Em Frente Brasil previa a promoção de ações integradas de diversos setores de assistência social, saúde, educação, lazer, esporte, dentre outras. A coordenação das ações ficaria a cargo do governo federal. Na fase inicial foram implantados projetos-piloto em cinco cidades escolhidas com base nos altos índices de criminalidade: Goiânia (GO), Ananindeua (PA), Cariacica (ES), Paulista (PE) e São José dos Pinhais (PR). Após 19 meses, os resultados não foram animadores. Apenas a cidade de Ananindeua apresentou queda significativa dos índices de homicídios (44%). Nas outras cidades os índices aumentaram ou permaneceram estáveis. 

Ao longo das últimas décadas, o governo federal apresentou cinco planos de segurança pública. Em junho de 2000, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, foi anunciado o Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP), cujo objetivo era articular ações de repressão e prevenção da criminalidade no país. O plano compreendia 15 compromissos que se desdobravam em 124 ações, envolvendo temas relacionados ao crime organizado, controle de armas, capacitação profissional e reaparelhamento das polícias. 

No governo Lula foi criado o Programa Nacional de Segurança com Cidadania, em 2007. Entre os principais eixos do PRONASCI, destacam-se a valorização dos profissionais de segurança pública; a reestruturação do sistema penitenciário; o combate à corrupção policial e o envolvimento da comunidade na prevenção da violência. 

Estes dois planos não tinham foco na redução dos homicídios. Havia vários objetivos ambiciosos e genéricos. Entretanto, não estavam previstos mecanismos de coordenação e avaliação. Em comum, os planos previam a indução de ações estaduais e municipais através do financiamento federal. 

Durante o governo Dilma foram anunciados três planos de segurança pública. Em 2012 foi lançado o plano Brasil Mais Seguro, cujo objetivo geral era a redução da criminalidade violenta no país. O plano previa ações voltadas ao enfrentamento à impunidade, ao aumento da sensação de segurança, ao controle de armas e ao combate a grupos de extermínio. 

Em 2015 foi anunciado o Plano Nacional para Redução de Homicídios. O plano previa ações focadas nas áreas com maior concentração de homicídios, integração de políticas públicas, mobilização e participação social e articulação com entes federados. Em 2017, foi anunciado o Plano Nacional de Segurança Pública, que apresentava vários objetivos: redução de homicídios dolosos e feminicídios; redução da violência contra a mulher; racionalização e modernização do sistema penitenciário; combate integrado à criminalidade organizada transnacional. 

Apesar de apresentarem objetivos específicos de redução de homicídios, nenhum dos três planos conseguiu se concretizar e implantar as ações previstas originalmente. Sendo que os planos de 2015 e 2017 não passaram de cartas de boas intenções. 

A falta de agenda política para o problema dos homicídios não se resumiu aos governos federais. Foram raros os estados que adotaram planos voltados especificamente para a redução das mortes violentas. Na maior parte dos casos, os estados se limitaram a implantar ações isoladas, normalmente a cargo das polícias, para lidar com o problema. A maioria das iniciativas estaduais voltadas para redução de homicídios tem fracassado devido à falta de um planejamento abrangente capaz de envolver uma rede de políticas públicas envolvendo diversos atores. Também foram raros os estados que adotaram medidas para incrementar sua capacidade de coordenar e articular ações de segurança pública. A ausência de mecanismos de governança tem gerado problemas de dispersão e incoerência dessas ações. 

Ao longo dos últimos 20 anos, os diferentes governos foram incapazes de apresentar planos efetivos para redução de homicídios. O projeto Em Frente Brasil é mais um desses casos. O que é lamentável, pois sem um plano voltado para redução das mortes violentas, a partir de ações multisetoriais, com indicadores de desempenho e mecanismos de governança, é pouco provável que consigamos reduzir o número de homicídios do país. 

Fonte: fontesegura.org.br

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
JCardosoHá 4 anos Balneário Camboriú-SCNo Brasil falta plano nacional para tudo.É impossível que o país não tenha plano, plataforma, projeto para educação, saúde, segurança pública, habitação, etc. de longo prazo e que deve ser observado por todos os governos. País sem planejamento, que muda os seus planos a cada governo, não pode ser sério e compromete o seu desenvolvimento.
Mostrar mais comentários
Debate Presidencial Há 2 semanas

Primeiro Debate Presidencial 2026 na Band: Propostas, Confrontos e Ausências no Palco

(Confira vídeo) | Encontro reuniu três postulantes ao Planalto em discussões focadas em segurança, economia e educação, marcado por púlpitos vazios dos líderes das pesquisas.

BASTIDORES EM CHAMAS Há 3 semanas

BASTIDORES EM CHAMAS: Confronto de Ideias e Tensões Marcam Debate Histórico sobre a Segurança Pública na Bahia

Em embate transmitido ao vivo, policiais militares, civil e jurista discutem letalidade, câmeras operacionais, facções criminosas e o futuro do combate à violência no estado.

Debate Eleitoral Há 4 semanas

A Importância dos Debates Eleitorais para a Democracia: O Caso da Bahia

Como o Confronto Direto de Ideias Ajuda o Eleitor a Avaliar Propostas e Posturas dos Candidatos ao Governo

Convenção do PT Há 1 mês

Jerônimo Rodrigues tem candidatura à reeleição homologada em convenção do PT e aliados na Bahia

Evento realizado no Parque de Exposições, em Salvador, reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, parlamentares, prefeitos, lideranças políticas e milhares de militantes. Chapa majoritária terá Geraldo Júnior como candidato a vice-governador e Jaques Wagner e Rui Costa na disputa pelas duas vagas ao Senado.

Paraná Pesquisas... Há 1 mês

Paraná Pesquisas esconde do eleitor informação de que PL pagou por levantamentos eleitorais

O instituto Paraná Pesquisas cometeu fraude em três pesquisas eleitorais produzidas neste ano por encomenda do Partido Liberal (PL), que pagou pelos levantamentos.

POLITICANDO...
POLITICANDO...
Tudo sobre os bastidores da política nacional.
Ver notícias
Salvador, BA
24°
Tempo nublado
Mín. 25° Máx. 26°
25° Sensação
3.89 km/h Vento
83% Umidade
38% (0.36mm) Chance chuva
05h34 Nascer do sol
17h30 Pôr do sol
Terça
26° 25°
Quarta
26° 24°
Quinta
26° 24°
Sexta
26° 24°
Sábado
26° 23°
Publicidade

? LOCALIZAR UNIDADE NA BAHIA

Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,12 +0,02%
Euro
R$ 5,95 +0,03%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 431,549,84 -0,43%
Ibovespa
185,147,16 pts -0.02%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Anúncio