
O cenário da segurança pública na Bahia foi o centro de um debate acalorado e repleto de divergências no programa Alô Juca Podcast, transmitido pela TV Aratu.

Quatro postulantes a cargos públicos com vivência direta na linha de frente e na academia — Coronel PM/RR Humberto Sturaro, Professor Marinho Soares, Lázaro Alexandre Pereira de Andrade, conhecido como "Tchaca", e Kleber Rosa — confrontaram visões antagônicas sobre os caminhos para estancar a escalada da violência e reestruturar as forças policiais baianas.
Divergências sobre o Modelo de Enfrentamento
A discussão começou em tom elevado ao analisar as causas da violência urbana. O Policial Civil Kleber Rosa criticou duramente a lógica de incursões focadas no confronto direto, sustentando que o modelo tradicional falha ao atingir predominantemente as periferias sem desarticular as grandes redes financeiras e de fornecimento de armas.
Em contraponto, o Coronel Sturaro argumentou que a Polícia Militar cumpre a missão constitucional preventiva e ostensiva [21:07], destacando que as viaturas entram em locais de alta periculosidade onde o poder paralelo tenta se sobrepor ao Estado e não há como recuar diante de criminosos armados. O cabo Alexandre Tchaca reforçou o ponto de vista da tropa de rua, alertando que o operador da ponta enfrenta facções altamente armadas e muitas vezes não recebe o respaldo institucional necessário.
A Polêmica das Câmeras Corporais e Direitos da Tropa
Outro tema de forte embate foi a utilização de câmeras operacionais portáteis. O Professor Marinho Soares defendeu o recurso como garantia de segurança jurídica para os próprios agentes que atuam estritamente dentro da lei, posição acompanhada por Kleber Rosa. Já Alexandre Tchaca contestou a eficácia da medida no formato atual, declarando que o equipamento costuma ser usado para coagir o policial em serviço de confronto.
A valorização profissional também ganhou destaque: Tchaca cobrou equiparação da gratificação de Condição Especial de Trabalho (CET) entre praças e oficiais, enquanto Sturaro defendeu a incorporação de horas extras para policiais que vão para a reserva .
Embora marcado por trocas de farpas e leituras ideológicas opostas, o debate deixou evidente que a crise da segurança pública na Bahia não comporta respostas simples. A superação do problema exige a convergência entre inteligência investigativa, valorização salarial e psicológica dos profissionais da base, rigor técnico e, fundamentalmente, a entrada consistente de políticas públicas de educação e assistência social nas comunidades dominadas pelo crime organizado.
Síntese dos Principais Pontos do Debate
Apresentação e Mediação: Conduzido pelo jornalista Marcelo Castro no Alô Juca Podcast / TV Aratu, reunindo quatro pré-candidatos à Assembleia Legislativa da Bahia com trajetória na área de segurança: Coronel PM/RR Humberto Sturaro (PM-BA), Professor Marinho Soares (ex-Capitão do Exército e jurista), Alexandre Tchaca (Cabo da PM-BA) e Kleber Rosa (Policial Civil e Professor).
Confronto Policial e Modelo de Segurança: Kleber Rosa defendeu a mudança de paradigma na segurança pública, priorizando inteligência e investigação para evitar confrontos armados que vitimizam a população periférica e os próprios policiais. Coronel Sturaro e Alexandre Tchaca apontaram que a PM realiza policiamento ostensivo e atua nas áreas de risco onde as facções criminosas se instalam e impõem confronto armado.
Uso de Câmeras Corporais: O Professor Marinho Soares e Kleber Rosa manifestaram-se a favor da implementação obrigatória de câmeras nas fardas para proteger o policial e garantir a transparência das ações. Alexandre Tchaca posicionou-se contra, argumentando que o equipamento é utilizado seletivamente para punir operadores de ponta.
Valorização da Base e Condições de Trabalho: O cabo Alexandre Tchaca cobrou o pagamento da CET (Condição Especial de Trabalho) de 125% para praças, além do combate ao déficit de soldados e sargentos. O Coronel Sturaro propôs a incorporação de horas extras nos proventos da reserva remunerada.
Políticas Integradas de Estado: Os debatedores convergiram sobre a necessidade de o Estado ocupar as comunidades com educação, esporte, cultura e infraestrutura após as intervenções policiais.
Assista à íntegra do debate:
Debate ao Vivo: Segurança Pública em Foco | Alô Juca Podcast
Segurança Pública, racismo e câmeras corporais marcam abertura de debate entre candidatos




