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BAITAKÃO EU ERA FELIZ E NEM SABIA

Saudade do Baitakão. No Farol e na Piedade. Precisava de manual de instruções para começar e dar a primeira dentada, que já derrubava as ervilhas e os milho verde pelo caminho.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Samir Dahia
16/11/2020 às 08h47 Atualizada em 31/12/2024 às 17h13
BAITAKÃO EU ERA FELIZ E NEM SABIA

Esses jovens Nutellas só querem saber de Hambúrguer artesanal.

Porra de nada!

Quer arte? Vá pintar um quadro zorra.

Quer fazer arte? Vá aprontar dentro de casa e ficar de castigo sem ver sessão da tarde 15 dias.

Saudade do Baitakão. Ali no Farol.

Aquilo sim era Hamburgão. Hambúrguer Raiz.

Saindo da farra (hoje é balada...ui), saltava do carro com a galera, com a bandeja com o Roadstar na mão e arriava no balcão. Páaa!

As moscas voavam e saiam do caminho. Elas sabiam que a coisa era séria.

O lugar era imundo e o chão escorregava de gordura. Maravilha!!!!!

Pedia o cardápio só pra perder tempo e a fome aumentar um tiquinho. Só na pirraça!

A pança já sabia o que estava por vir e se bulia toda de felicidade.

"Me dê um Manga Larga correndo".

O cara da chapa tinha que tá sem luva, sem porra de toquinha na cabeça e suado.

Se o suor não pingasse na chapa e fizesse barulhinho faltava o têmpero. Morre não!

Ahhhhhh...o Manga Larga.

O bicho assustava pelo tamanho.

Precisava de manual de instruções para começar e dar a primeira dentada, que já derrubava as ervilhas e os milho verde pelo caminho.

"E um Sucão de laranja 500ml. Com 4 pedras de gelo. Eu disse 4"

No máximo um Fratelli Vita empedrando. Porra de Coca!

O da chapa começava os trabalhos.

O outro cara lançava as laranjas pra cima e com uma espada élfica cortava as danadas no ar que já caiam em bandas. E ia espremendo, espremendo....

A chapa queimando, o suco escorrendo....uma sinfonia.

Era ensaiado...os dois ficavam prontos na mesma hora e chegavam delicadamente no balcão. Eu só olhava pra moscas e elas se retiravam.

Delicia...lambuzava tudo ...mas... delicia.

Ovo, bacon, presunto, queijo, alface, tomate, cebola, milho verde, ervilha, maionese.

Ah...tinha carne...e pão também.

Pagava 10 conto e saia torto jurando: "Nunca mais como na vida"

Ia dormir e acordava meio dia com a barriga empanturrada.

Meio dia e meio a fome voltava. Era a conta certa.

Hoje pago 50,00 no tal "combo" -ui, e nem sinto cócegas no esôfago.

Saudade do Baitakão!!!!!!!

Por: Samir Dahia

Esses jovens Nutellas só querem saber de Hambúrguer artesanal

A nostalgia é uma força poderosa, especialmente quando o assunto é a comida que marcou uma geração. O relato acima sobre o lendário "Baitakão", no Farol, não é apenas um desabafo contra os tempos modernos, mas uma ode a uma época em que os prazeres simples e genuínos reinavam soberanos.

Os detalhes pintam uma cena tão viva que é quase possível sentir o cheiro da chapa, ouvir o barulho das moscas se afastando com respeito, e visualizar a sinfonia improvisada entre o suor do churrasqueiro e o frescor do suco de laranja. No Baitakão, cada elemento, por mais caótico que fosse, contribuía para a magia do momento. Não havia glamour, mas havia autenticidade. Não havia estética impecável, mas havia sabor e alma.

Hoje, vivemos na era dos hambúrgueres "artesanais", das luvas, aventais de marca, das chapas impecáveis e dos cardápios que prometem uma experiência gastronômica por um preço exorbitante. Porém, falta algo essencial: o tempero do improviso, da tradição descomplicada, da alegria despretensiosa que só o "Manga Larga" poderia proporcionar.

O Baitakão não era apenas um lugar para matar a fome, mas um símbolo de uma geração que sabia viver com menos firulas e mais intensidade. O texto carrega o saudosismo de quem reconhece que, às vezes, o verdadeiro luxo está na simplicidade — no hambúrguer lambuzado, no chão engordurado e no sabor que não precisava de aprovação no Instagram para ser eterno na memória.

A conclusão é clara: o Baitakão não era só comida, era um estilo de vida. E para aqueles que viveram essa época, resta a saudade de algo que os jovens Nutellas, com seus hambúrgueres de 50 reais, jamais compreenderão.

Saudoso Baitakão.

Essa história, só pra quem viveu a experiência e pode completar.

Os donos, gaúchos fdps de uma ignorância do cara...., parecia até que estávamos pedindo e não pagando. Afinal só era deles o monopólio "nakela" época.

Eu ainda sou do tempo quando era ao lado da igreja da Piedade, descendo a ladeira para o Shopping Piedade. Lembro quando saíamos, indo pra casa, levávamos os potes de mostardas e ketchup, em  um fuscão que era de dar inveja aos - "carrinhos"  de hoje -, e em todos os pontos de ônibus no trajeto, só pra sacanear espirrava no povo que alí estivesse esperando o noturno. Hoje provavelmente essa brincadeira não aconselho, arriscar repetir, diante da violência urbana principalmente aqui na cidade do Salvador, está literalmente nua e despida, abandonada entregue aos bandidos. Mas valeu lê o texto, Samir Dahia.

Por Crispiniano Daltro

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Alcides OliveiraHá 2 meses SalvadorDegustar os vários hambúrgueres do Baitakão lá pelos idos anos 80 e 90 era mais que uma experiência gastronômica (ainda não havia esse termo). Era um convite à lambuzança, à extravagância e ao exagero. Os estômagos de hoje não aguentariam a pressão. Essa geração nutella que só conhece os os hambúrgueres "importados" não sabem o prazer de comer um X egg bacon com suco de laranja e um quilo de molhos (ketchup, mostarda, maionese) e suor. Tempos bons de sabores melhores.
AdrianoHá 5 meses SalvadorEra a melhor lanchonete da Cidade na época não conseguia comer todo. era muita grande o hamburguer. Top!
MarcosHá 1 ano SalvadorTop de mais, que saudade bateu, falo para meus filhos o quanto fui feliz na minha juventude! Esse Baitakão da Narra eu saí da Tropicalia e era desse jeito!!! Nunca serão, essa geração fraca comendo Sabway kkkkkk, vamos no Mac!!! Kkkkkkkkk ou vamos no King!!!! King era o mangá larga do Baitakão, e na madrugada era todo tipo de tribo, as meninas da orla, policiais, todo tipo de gente mas não tinha confusão, todo mundo feliz há que saudade do Baitakão, eu era feliz e sabia disso. Vivi!!!
Enzo Sgarioni Há 1 ano Feira de Santana Não nasci a tempo de conhecido isso, mas com muito orgulho conheci o criador disso tudo, Plinio argentino Sgarioni (O GAÚCHO), (meu pai), infelizmente perdemos ele no dia 09/02/25, mas fico feliz em ver tudo isso, que ele me contava isso com muito orgulho …
Francisco José Ferreira LimaHá 1 ano FortalezaSou cearense, mas baiano de coração. A saudade do Baitakão é muito grande. Morei em Salvador nos anos 1980 e frequentei muito o da Piedade. Eu estudava no Colégio Águia e matava a fome no Baitakão. Eita salvador querida...como sinto saudades de ti. Aonde passei os melhores anos da minha vida.
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