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Delegados de Polícia denunciam erros na gestão de segurança pública de Rui Costa

Os delegados da Bahia, que há muito se desdobram para bem cumprir sua missão constitucional na desvalida PCBA, não serão responsabilizados pelos péssimos números de sua gestão, governador Rui Costa.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: ASCOM/ADPEB
23/02/2022 às 13h21
Delegados de Polícia denunciam erros na gestão de segurança pública de Rui Costa

Em Nota Pública a ADPEB/SINDICATO, denunciam erros na gestão da Segurança Pública, confira nota abaixo:

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado da Bahia (ADPEB/Sindicato) vem a público informar e esclarecer à sociedade baiana que no início do mês de março os delegados de polícia da Bahia estarão reunidos em assembleia extraordinária para discutir e deliberar ações contra a intransigência do governo do estado em não recompor as perdas inflacionárias dos servidores da segurança pública durante toda a sua gestão.

Em que pese o esforço da diretoria da ADPEB em solicitar a continuidade do diálogo com o governo, até a presente data nenhum dos nossos apelos foi atendido. O encastelamento político do governador, que não recebe os delegados de polícia para tratativas presenciais, revela sua absoluta falta de habilidade política perante um tema tão sensível e importante, como é a segurança pública, para os rumos do estado.

A Polícia Civil, órgão de persecução penal por excelência, desbravador das incertezas que circundam a atividade investigativa no intuito de revelar autores de fatos delituosos, exige do governante estadual a atenção devida aos problemas inerentes à atividade e dedicação equivalente para solucioná-los. Entretanto, o que assistimos durante a gestão do atual governo foi o abandono de todas as questões que envolvem a estruturação da Polícia Civil da Bahia (PCBA), tanto no aspecto orgânico quanto no físico.

Os delegados de polícia da Bahia enfrentam uma vexatória situação em ambos os aspectos, conquanto não houve investimentos e gestão para solucionar inúmeros problemas estruturais que refletem na prestação de serviço à sociedade, além de amargarmos a pior remuneração, se comparada a outros entes federativos. Neste quesito, entre os estados do Nordeste, ostentamos a última posição remuneratória.

A confluência desses fatores, aliada à aversão do governador ao diálogo, bem como a convicção de que a PCBA precisa ser área prioritária na gestão governamental, levou os delegados de polícia a se mobilizarem e discutirem com profundidade os problemas enfrentados diuturnamente no que tange ao pleno exercício da atividade investigativa.

Nosso comprometimento com a sociedade, em face da responsabilidade que a Constituição Federal nos impõe, está mais que demonstrado quando temos de superar diariamente as dificuldades estruturais, a ausência de investimento, a falta de treinamento e tecnologia condizentes com os desafios modernos da investigação criminal. Na contramão de outros estados, congela-se investimento e apequena-se a gestão central da PCBA com a ausência de planejamento estratégico, de modo que as decisões gerenciais são fundamentadas no ‘achismo’ habitual sobre um tema crucial para a sociedade.

Perplexos com as posições equivocadas desse desgoverno, os delegados de polícia não vislumbram outra solução a não ser expor à sociedade baiana as mazelas e os empecilhos criados pelo governo para que possamos ter uma Polícia Civil com os resultados almejados por toda a população.

Nesse longo tempo de pandemia, do início aos dias atuais, as portas das unidades policiais nunca foram fechadas. Amargamos em silêncio a desestruturação das unidades policiais, a falta de equipamentos de proteção individual, de material de higienização e limpeza, e assistimos à contaminação e morte de muitos, inclusive de familiares, mas não deixamos de atender a todos que nos procuraram. Mesmo assim, nada foi ou é capaz de sensibilizar o governo do estado para os problemas da PCBA. No tempo devido, vamos demonstrar à Bahia a política de terra arrasada praticada pelo governador em nossa instituição, e mais: a política de estado afrontosa aos direitos do servidor e aos direitos humanos, com a subtração de suas garantias e o descumprimento de decisões judiciais, inclusive, as transitadas em julgado.

A plena ausência de compreensão real dos valores republicanos e democráticos inerentes a qualquer político eleito não possuiu guarida essencialmente nesse governo, pois o que ele propala publicamente não corresponde às suas ações internas de gestão. Repete modelos anacrônicos com a vetusta espetacularização de ações policiais e a repulsiva fotografia de entrega de viaturas como símbolo de avanço na segurança pública.

Os delegados da Bahia desde sempre fincaram a bandeira da democracia, do respeito à instituição policial, do respeito às decisões judiciais. Agora, mais uma vez, esclarecem à sociedade baiana que o governo do estado vem se comportando como um déspota ao longo de sua gestão. Omisso ao deixar de investir na Polícia Civil da Bahia, omisso com os desmandos de outrora da Secretaria da Segurança Pública, omisso ao desprezar as valorosas vidas humanas dos policiais civis, omisso ao transformar unidades policiais em depósitos de pessoas precariamente custodiadas e omisso e irresponsável com a política salarial do servidor policial.

Seus últimos passos políticos demonstram absoluta incapacidade para dialogar e negociar, e da mesma forma que age com seus aliados políticos, atropela os servidores policiais com seu egoico e intransigente autoritarismo. Os delegados da Bahia, que há muito se desdobram para bem cumprir sua missão constitucional na desvalida PCBA, não serão responsabilizados pelos péssimos números da gestão desse governo. 

Fonte: ASCOM/ADPEB

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