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Atividade policial diária é bem diferente da vida de um digital influencer

É necessária uma radical mudança no modelo estrutural da atividade policial brasileira.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Roberto Darós
18/09/2021 às 20h23
Atividade policial diária é bem diferente da vida de um digital influencer

As novas gerações de gestores da Segurança Pública brasileira ainda têm muito a aprender: é preciso humildade institucional para valorizar a experiência laboral, criando critérios fundamentados na meritocracia. A investigação criminal deveria ser o mais importante núcleo de sustentação da atividade policial (preventiva, repressiva e investigativa), legitimando todo o sistema policial, mas tem sido destruída pela falta de vocação dos jovens dirigentes que atuam preocupados com a autopromoção e a celebridade das próprias carreiras, visando a cargos e mandatos políticos.

É necessária uma radical mudança no modelo estrutural da atividade policial brasileira. Enquanto isso, os índices de criminalidade continuam margeando o insustentável e os governantes praticando o “ilusionismo estatístico”, com o sofrimento diário da população mais pobre.

É lamentável a constatação negativa de que a ética policial está ficando em segundo plano, diante da exagerada vaidade e do exibicionismo de alguns policiais (gestores, assessores e aventureiros), já sem controle institucional e sem ética, que tentam justificar seus atos alegando serem “digital influencer”, em vídeos e fotos exageradas, imagens cinematográficas “montadas” e supostas missões de que nunca participaram (utilizando indevidamente armas, equipamentos e viaturas das corporações), criando um falso cenário para promover na mídia suas carreiras burocráticas que de emocionante não têm nada: o máximo que chegam são aos treinamentos em estandes de tiros, postando imagens falaciosas como se fossem grandes missões, atirando em alvos de papel.

A atividade policial diária é bem diferente disso: a defesa da sociedade exige sacrifício, dedicação, renúncia e esperança de reconhecimento e valorização que nunca vem (...) somente as enganosas cerimônias e homenagens distribuindo certificados e medalhas para ocultar o óbvio: desprestígio e alienação.

É preciso discutir abertamente sobre os péssimos resultados estatísticos, a ineficiência cíclica, os baixos e aviltantes salários, o assédio moral dos superiores hierárquicos, o suicídio, a falta de apoio psicológico e a ausência de vocação para essa honrosa e digna “profissão perigo” que se dispõe à proteção da sociedade brasileira, sob o espectro da omissão e ineficiência dos gestores.

Virou mania entre os policiais posarem para as fotografias fazendo “cara feia” ou querendo parecer o guerreiro “Rambo”. Em linguajar policial: “Depois que a onça está morta, todos querem pôr o pé em cima para tirar foto (principalmente, os políticos), mas na hora de caçar, poucos são voluntários”, ou seja, gestores e demais aventureiros estão sempre em busca da fama. Esses mencionados atos servem apenas para criar uma certa antipatia com a sociedade civil, vinculando os profissionais-policiais com a face arbitrária do poder.


Com minha experiência de três décadas de trabalho policial na gloriosa Polícia Federal, posso afirmar que a valorização do policial se fundamenta no comportamento discreto, competente e respeitoso que lhe dará o crédito da dignidade profissional. Ao posicionar-se para o registro da “vitória” em virtude da missão cumprida, o operador de Segurança Pública deve transparecer e exibir o semblante do respeito, da confiança, da dignidade e da honra em proteger a população e coibir o crime.

 É inadmissível a ideia do guerreiro violento e desumano, aquele que se acha “senhor das armas”, ou seja, é conduta insustentável e um prejuízo irreparável à imagem dos policiais dignos, profissionais de nível superior e honrados cidadãos. Isso é uma afronta a todos os padrões éticos institucionais, aos preceitos cristãos e de outras doutrinas religiosas, além de um escárnio com a cidadania e uma atitude desprezível diante da dignidade da pessoa humana.

(*) Roberto Darós é Advogado Criminalista (OAB/ES); Mestre em Direito Processual Penal (UFES); Especialista em Ciência Policial e Investigação Criminal na Coordenação de Altos Estudos em Segurança Pública da Escola Superior da Polícia Federal (ESP/ANP/PF); Especialista em Direito Constitucional (UFES); Vice-Presidente da Comissão de Segurança Pública (OAB/ES); Conselheiro-Suplente Estadual de Segurança Pública (COESP/ES); Conselheiro-Titular Municipal de Segurança Urbana de Vitória (COMSU/ES).

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