
Na minha avaliação, o resultado das eleições de 2026 na Bahia precisa ser analisado para além dos nomes que ocuparam as urnas. É necessário compreender o peso da conjuntura política nacional e, principalmente, a influência da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Não tenho dúvida de que Lula teve um papel de enorme relevância nesse resultado. Afinal, estamos falando de um presidente que conquistou mais um mandato presidencial, chegando ao seu quarto mandato, e que mantém uma relação política e eleitoral muito forte com o povo baiano.
Os números ajudam a compreender essa dimensão: Lula recebeu 71,31% dos votos válidos na Bahia no segundo turno presidencial. Jerônimo Rodrigues, por sua vez, foi reeleito governador no primeiro turno, com aproximadamente 55,8% dos votos válidos. Para o Senado, foram eleitos Jaques Wagner e Rui Costa.
Diante disso, faço uma pergunta: até que ponto esse resultado representa exclusivamente a força política individual dos candidatos estaduais ou também expressa a confiança que boa parte do eleitorado baiano deposita em Lula?
Na minha concepção, seria um equívoco político atribuir a Jerônimo Rodrigues, isoladamente, toda a dimensão desse resultado. É preciso reconhecer que a sua candidatura esteve amparada por uma liderança nacional de grande expressão popular. O governo Lula, sua história política e sua presença no cenário nacional constituíram elementos importantes da conjuntura eleitoral baiana.
O mesmo raciocínio merece ser aplicado às eleições de Jaques Wagner e Rui Costa para o Senado. Ambos possuem suas próprias trajetórias políticas e administrativas, mas participaram de uma composição política que tinha em Lula uma referência nacional de grande alcance eleitoral.
Também considero legítimo discutir os questionamentos e as controvérsias que envolvem a trajetória pública de lideranças políticas. Isso, porém, deve ser feito com responsabilidade, distinguindo críticas políticas, questionamentos judiciais e decisões definitivas da Justiça.
O que não podemos é ignorar o contexto em que essas candidaturas foram apresentadas ao eleitorado.
A minha leitura é que a eleição baiana de 2026 também foi uma demonstração da força política de Lula. Jerônimo, Wagner e Rui precisam compreender que o resultado não pode ser interpretado apenas como uma consagração individual. Existe uma liderança nacional, uma história política e uma base popular que tiveram participação importante nessa conjuntura.
E deixo uma reflexão: governar não é apenas conquistar votos. É saber reconhecer as forças que contribuíram para a vitória e, sobretudo, transformar a confiança recebida nas urnas em compromissos concretos com a população.
A eleição terminou. Agora começa a cobrança da sociedade.
Por Jorge Araújo Pereira
Policial Civil e Jornalista
