
Se o PL vem tomando atitudes arbitrárias, ignorando as regras do Estado Democrático de Direito, dando um chega pra lá na Lei Maior, fico a imaginar se Flávio Bolsonaro fosse eleito para o cargo mais poderoso da República.
O governo do número 1 seria assentado no "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Lugar de chorar é lá no pé do caboclo. A perseguição aos adversários seria implacável, sem dó e piedade.
Tendo a maior bancada no Senado, a partir de fevereiro, o PL, abrigo partidário do clã Bolsonaro, com seus 29 senadores, vai se achar no direito de impor o que deseja, não importanto os meios. O ensinamento é maquiavélico.
Ora, ora, defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF), tudo bem. Com efeito, foi uma promessa de campanha não só do primogênito de Jair Messias Bolsonaro como dos candidatos à Câmara Alta.
O que é inaceitável são as articulações para derrubar a prerrogativa do presidente da República de indicar o nome para o Supremo Tribunal Federal, instância máxima do Poder Judiciário.
Se querem impedir que o indicado por Lula não integre a Alta Corte, que faça pela via legal, recusando o nome na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Os imprescindíveis critérios constitucionais do notável saber jurídico e da reputação ilibada não podem ser jogados na lata do lixo em decorrência da politicagem.
O que se espera dos senhores senadores e das senhoras senadoras é juízo. Respeito ao Estado Democrático de Direito.
O Brasil não é uma republiqueta.
COLUNA WENSE, TERÇA-FEIRA, 03.11.2026.
Sobre o autor:
(*) MARCO WENSE é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no PÁGINA DE POLÍCIA e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.

