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CONFIRA PODCAST: Trajetória, Justiça e Gestão Pública: A visão de Ricardo Mandarino sobre o Brasil, o Estado e os desafios contemporâneos

Juiz federal emérito e ex-secretário de Segurança Pública da Bahia reflete sobre formação na escola pública, combate ao preconceito regional, papel estratégico das instituições e regulação do ambiente digital.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Café com B
11/10/2026 às 09h13
CONFIRA PODCAST: Trajetória, Justiça e Gestão Pública: A visão de Ricardo Mandarino sobre o Brasil, o Estado e os desafios contemporâneos

Salvador — Figura com longa folha de serviços prestados ao Judiciário e à administração pública, o juiz federal aposentado Ricardo Mandarino revisitou passagens centrais de sua trajetória e compartilhou reflexões incisivas sobre o cenário social e político do país durante entrevista ao programa Café com B, veiculado pela TV Parafuso e apresentado por Fred Barbosa.
​Com uma carreira que transita da advocacia pública e da magistratura federal até a gestão da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Mandarino articula uma visão de país ancorada na valorização da escola pública, na responsabilidade fiscal com investimento social e na defesa do Estado como agente regulador indispensável.

Das salas de aula públicas à magistratur

Mandarino fez questão de sublinhar suas raízes no ensino público baiano, com passagem marcante pelo tradicional Colégio Estadual Central da Bahia, instituição que reuniu gerações de intelectuais, artistas e lideranças políticas. Ele recorda um ambiente plural e democrático, onde conviviam filhos de trabalhadores e da elite política da época.

​Sua formação acadêmica ocorreu sob a sombra da ditadura militar brasileira, período que classificou como de constante tensão e cerceamento. Ao relembrar amigos perseguidos e mortos pelo regime, destacou o medo cotidiano de portar obras acadêmicas e a tentativa do autoritarismo de estigmatizar o pensamento crítico.

Após a graduação em Direito, ingressou inicialmente na carreira policial como delegado, seguiu como procurador da Fazenda Estadual por mais de uma década e, posteriormente, dedicou 20 anos à Magistratura Federal. Ao longo desse período, atuou em instâncias colegiadas de relevância nacional, como a Turma Nacional de Uniformização (TNU), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e como juiz auxiliar no Supremo Tribunal Federal (STF).

Sentença histórica contra o preconceito regional

Um dos momentos mais emblemáticos recordados na entrevista foi a repercussão de uma decisão proferida em 2007, quando atuava na Justiça Federal em Sergipe. Ao julgar manifestações preconceituosas dirigidas ao povo nordestino, Mandarino optou por construir uma fundamentação que transcendeu os artigos estritamente formais para debater a raiz do preconceito regional e o desconhecimento geográfico e cultural que parcelas do país ainda nutrem em relação ao Nordeste.
​Para o magistrado aposentado, combater visões caricatas e estereótipos pejorativos é dever civilizatório, pontuando que o país precisa se reconhecer em sua complexidade e riqueza humana sem hierarquias artificiais.

Gestão pública e a leitura das estatísticas

​Convidado para chefiar a Secretaria de Segurança Pública da Bahia durante a gestão do ex-governador Rui Costa, Mandarino ressaltou que a escolha teve caráter eminentemente técnico. Na pasta, deparou-se com o desafio crônico da criminalidade organizada associada ao tráfico de drogas e com a leitura muitas vezes descontextualizada de dados de violência.

O ex-secretário alertou para distorções metodológicas nos comparativos entre estados da federação. Segundo explicou, a metodologia baiana preza pela transparência ao registrar cada homicídio de maneira individualizada em confrontos armados, enquanto outras unidades federativas costumam classificar incidentes múltiplos sob um único evento ou como mortes a esclarecer, o que mascara a realidade estatística.

​Mandarino também defendeu a tradição de equilíbrio e responsabilidade fiscal do estado, destacando que manter as contas públicas saneadas permitiu investimentos contínuos em saneamento básico, estradas e infraestrutura no interior.

Responsabilidade na era digital e defesa do Estado social

Outro ponto central da conversa foi o debate sobre comunicação e novas tecnologias. Embora reconheça o papel positivo das redes sociais em pautar temas de interesse público, o jurista defendeu com veemência mecanismos de responsabilização civil e penal nas plataformas:

"Tudo na vida em sociedade requer controle e responsabilidade. Liberdade não se confunde com autorização para cometer crimes ou destruir reputações", ponderou.

Nessa mesma linha, criticou os vazamentos midiáticos ilegais em investigações criminais, apontando os danos irreparáveis causados à honra e à integridade psicológica de pessoas investigadas antes do devido processo legal. Mandarino concluiu sua análise exaltando o potencial inovador brasileiro — mencionando soluções como a urna eletrônica, o sistema Pix e os avanços na simplificação tributária — e reafirmando a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e da escola pública em tempo integral como garantias fundamentais da cidadania.

Confira a íntegra do podcast:
Assista ao episódio completo do Café com B no YouTube

 

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