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SINDPOC: TRÊS CHAPAS, UM SINDICATO E UMA PERGUNTA INCÔMODA. QUEM ESTÁ DISPUTANDO O FUTURO DA CATEGORIA E QUEM ESTÁ DISPUTANDO PODER?

Enquanto três chapas percorrem a Bahia em busca de votos, milhares de Policiais Civis continuam esperando aquilo que nunca deveria sair de pauta: valorização, independência e um sindicato que tenha coragem de enfrentar qualquer governo.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Editoria de Política
05/08/2026 às 11h21 Atualizada em 05/08/2026 às 11h57
SINDPOC: TRÊS CHAPAS, UM SINDICATO E UMA PERGUNTA INCÔMODA. QUEM ESTÁ DISPUTANDO O FUTURO DA CATEGORIA E QUEM ESTÁ DISPUTANDO PODER?

SINDPOC: TRÊS CHAPAS, UM SINDICATO E UMA PERGUNTA INCÔMODA. QUEM ESTÁ DISPUTANDO O FUTURO DA CATEGORIA E QUEM ESTÁ DISPUTANDO PODER?

Enquanto três chapas percorrem a Bahia em busca de votos, milhares de Policiais Civis continuam esperando aquilo que nunca deveria sair de pauta: valorização, independência e um sindicato que tenha coragem de enfrentar qualquer governo.

 

A eleição do SINDPOC – Sindicato dos Policiais Civis da Bahia chega cercada de tensão, disputas, judicialização, troca de acusações e um ambiente que há muito deixou de ser apenas uma eleição sindical. O que deveria ser um debate sobre salários, carreira, estrutura das delegacias, aposentadoria, saúde ocupacional e valorização profissional acabou sendo tomado por narrativas políticas, desconfianças e uma guerra de versões.

São três chapas.

Três discursos.

Três projetos.

Mas apenas uma pergunta interessa ao policial civil que sai de casa sem saber se voltará em segurança: quem realmente vai defender a categoria quando os interesses dos policiais entrarem em choque com os interesses do governo?

Essa deveria ser a principal discussão da campanha.

Infelizmente, não é.

Até pouco tempo, a eleição do SINDPOC era um assunto que interessava quase exclusivamente aos policiais civis. Era uma disputa interna da categoria, acompanhada por quem vivia a realidade das delegacias e dependia da atuação do sindicato. Desta vez, porém, o cenário mudou. Segundo alegam alguns policiais civis, partidos políticos passaram a exercer influência nas chapas que disputam a direção da entidade.

Entre as siglas mais citadas nas conversas da categoria estão PT, PSB e PSOL, além de outros partidos identificados com a esquerda. Para esses policiais, a preocupação não está apenas na eventual simpatia política de candidatos ou apoiadores, mas na possibilidade de que interesses partidários passem a ocupar espaço que deveria ser reservado exclusivamente à defesa dos direitos da Polícia Civil.

Se essa percepção corresponde ou não à realidade, caberá aos candidatos convencer a categoria com transparência, independência e atitudes concretas, porque um sindicato perde sua essência quando seus filiados passam a desconfiar de quem realmente conduz suas decisões.

Confira Vídeo:   

Essas percepções ganharam força com a circulação de um vídeo em que o governador Jerônimo Rodrigues faz elogios à atual gestão do SINDPOC. Para adversários da chapa da situação, a manifestação foi interpretada como um sinal político de apoio. Até o momento, não há decisão judicial que considere o vídeo propaganda eleitoral irregular ou que reconheça interferência ilícita no processo eleitoral.

Mesmo assim, o estrago político está feito.

Porque, na política, muitas vezes a percepção pesa tanto quanto os fatos.

E quando uma parte significativa da categoria passa a questionar a independência do sindicato, não basta responder com notas oficiais. É preciso recuperar a confiança.

O problema não é conversar com governos.

Todo sindicato sério precisa dialogar.

O problema começa quando o diálogo parece confortável demais.

Quando a cobrança perde intensidade.

Quando a indignação desaparece.

Quando o silêncio fala mais alto do que a voz da categoria.

Sindicato não existe para proteger governo.

Sindicato não existe para proteger dirigentes.

Sindicato não existe para servir partidos.

Sindicato existe para defender policiais.

E defender policiais, muitas vezes, significa contrariar quem está no poder.

É exatamente por isso que a independência não é um detalhe.

É uma obrigação.

Enquanto as chapas disputam votos, o policial civil continua enfrentando uma realidade dura.

Delegacias sucateadas.

Efetivo insuficiente.

Acúmulo de funções.

Salários que há anos alimentam debates sobre valorização.

Pressão psicológica.

Estruturas incompatíveis com a importância da investigação criminal.

Esses problemas não escolhem chapa.

Também não têm preferência partidária.

Eles atingem toda a categoria.

É por isso que causa estranheza quando a campanha passa a girar mais em torno de alianças políticas do que de propostas concretas.

O policial quer saber quem vai negociar.

Quem vai cobrar.

Quem vai pressionar.

Quem vai dizer "não" ao governo quando for necessário.

Não importa se o governador é do PT, do União Brasil, do MDB, do PSB ou de qualquer outro partido.

A independência do sindicato não pode mudar conforme muda o ocupante do Palácio de Ondina.

Essa é a verdadeira prova de autonomia.

No fim das contas, nenhuma das três chapas será julgada pelo material de campanha, pelas redes sociais ou pelos discursos de eleição.

Será julgada pelas atitudes depois da posse.

Porque promessas vencem no dia da eleição.

Resultados permanecem durante todo o mandato.

Nos dias 11, 12 e 13 de agosto, os policiais civis terão nas mãos muito mais do que uma cédula de votação.

Terão a oportunidade de decidir que tipo de sindicato desejam para os próximos anos.

Um sindicato que aplaude ou um sindicato que cobra?

Um sindicato que se acomoda ou um sindicato que enfrenta?

Um sindicato preocupado com a próxima eleição ou um sindicato preocupado com a próxima geração de policiais civis?

As respostas não estão nos vídeos que circulam nas redes sociais.

Nem nas acusações entre chapas.

Nem nas promessas repetidas em época de campanha.

Elas aparecerão quando a eleição terminar, os palanques forem desmontados e o novo presidente precisar escolher entre preservar boas relações com o poder ou defender, sem hesitação, os interesses da categoria.

Porque é justamente nesse momento que se descobre quem disputava uma eleição.

E quem, de fato, estava disposto a liderar um sindicato.

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