
O escândalo do Banco Master e a corrida eleitoral (Jornal A Tarde, Salvador, 24/07/2026)
Carlos Zacarias de Sena Júnior (Professor do Departamento de História da UFBA)
Cada vez mais enrolado no escândalo do Banco Master, Flávio Bolsonaro voltou a gravar um vídeo para explicar o inexplicável. O escândalo da vez se refere à emissão de notas fiscais por parte de seu escritório de advocacia, que somam R$ 1,5 milhão, em favor de empresas de fachada que seriam usadas por Daniel Vorcaro, dono do Master, segundo reportagem do site Metrópoles. Vorcaro é aquele “irmão”, a quem o Zero Um se dirigiu para pedir R$ 134 milhões, e conseguir R$ 60 mi, para bancar o filme “Dark Horse”.
Os escândalos de agora me lembram o passado. Em março de 2002, a PF descobriu R$ 1,34 milhões, em notas de R$ 50,00, na empresa de Jorge Murad, então marido de Roseana Sarney. Pré-candidata à presidência da República no pleito marcado para aquele ano, com chances eleitorais, a filha do ex-presidente José Sarney e ex-governadora do Maranhão, viu seus planos escorrerem pelo ralo.
Os tempos eram outros, e nessa altura não se sabe que tipo de escândalo pode abalar uma candidatura como a de Flávio Bolsonaro. Sem ter feito nada de relevante para exibir aos seus eleitores em sua extensa carreira política, Flávio vive de ilusões em torno de valores conservadores, religião e família, sempre mencionados pela horda de fanáticos incapazes de apontar um projeto de Flávio ou de Jair que tenha lhes beneficiado.
Do escândalo do Master, em que vimos apenas a ponta do iceberg, muitos apostam que escaparão ilesos. Que o digam os ex-governadores Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), além do senador Ciro Nogueira (PP-PI), “amigo de vida” de Vorcaro, segundo palavras do banqueiro. Da turma da direita, que não foi alvo de batidas da PF com busca e apreensão, pode-se imaginar que bastará apenas gravar um vídeo ou permanecer quieto para que tudo seja esquecido.
Problemas mesmo quem tem é Jaques Wagner (PT-BA). Alvo de busca e apreensão pela PF, na Operação Compliance Zero, realizada em junho e autorizada pelo ministro André Mendonça, ao senador baiano, tal qual à mulher de César, não bastará ser honesto. Será preciso que pareça honesto e ainda que prove ser inocente daquilo de que é acusado.
A questão é que, enquanto a PF, por decisão de Mendonça, avança em investigações sobre o petista, o que, por óbvio, está correto, o que não se entende é o porquê de não haver tratamento igual à turma da direita e da extrema direita, bastante mais envolvida com o Master do que a esquerda.
Sem nada a oferecer aos seus eleitores, que no ordinário precisam de desenho para entender as diferenças gigantescas entre o governo Lula e o de Jair, Flávio aposta na fidelidade canina de 30% por cento do eleitorado. Para estes, incapazes de ligar lé com cré, vale a máxima de Trump, que um dia disse: “Eu poderia parar na metade da Quinta Avenida, disparar contra as pessoas e não perderia eleitores”. Disparos deste tipo, não matam umas poucas pessoas. Matam um país inteiro.
Sobre o autor:
*Carlos Zacarias de Sena Júnior, graduado em História pela Universidade Católica do Salvador (1993), mestre em História pela Universidade Federal da Bahia (1998) e doutor também em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2007), Professor do Departamento de História da UFBA.
Contato: zacasenajr@uol.com.br
Publicado no Jornal A Tarde, (Coluna do autor), edição de 10.07.2026.

📢 *COLUNA DO AUTOR:*
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