
A convenção nacional do PL, abrigo partidário do clã Bolsonaro, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, foi marcada pela ausência de partidos e a não indicação de quem vai ser o vice (ou a vice) do número 1.
Não me lembro de uma convenção com um presidenciável de uma legenda forte, mais poderosa sigla do Congresso Nacional, que tem o maior dinheiro dos fundos partidário e eleitoral, sem nenhuma coligação partidária.
PP, Republicanos e o União Brasil, legendas do chamado centrão, deixaram Flávio Bolsonaro a ver navios, sequer um videozinho na convenção. O PSD e o Novo já têm seus presidenciáveis, respectivamente Ronaldo Caido e Romeu Zema.
Esse desinteresse dos partidos pela vice de Flávio é a prova inconteste de que as lideranças políticas dão como favas contadas a derrota do primogênito do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
O que terminou salvando a convenção foi o vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que foi insosso do ponto de vista político, já que citou o nome do enteado uma vez só.
Será que a madrasta Michelle já esqueceu que foi maltratada e humilhada pelo enteado? A resposta, sem pestanejar, é um NÃO com todas as letras maiúsculas.
O que existiu entre Michelle e Flávio não foi uma reconciliação e sim uma negociação política, um acordo que ninguém sabe se será cumprido no decorrer da campanha.
Outra informação, que não deixa de ser importante, é que o vídeo de Flávio pedindo desculpas a Michelle foi escrito pelas equipes de marketing do enteado e da madrasta. Tudo muito burocrático e protocolar, sem nenhum tipo de sentimento, o que faz lembrar a temperatura da barriga da lagartixa.
O argumento do flavismo e do michelismo para justificar a ausência da ex-primeira-dama na convenção é o mesmo: que Michelle estava cuidando do marido, que se encontra enfermo.
Se Michelle não pode ir a uma convenção porque não pode deixar Bolsonaro sem seus cuidados, se deduz que não será candidata ao Senado pelo Distrito federal. Lembrando ao caro e atento leitor que Michelle, como então presidente nacional do PL Mulher, percorria o Brasil de ponta a ponta.
Na verdade, Michelle Bolsonaro não quis ir a convenção, o que significa que a "paz" com o enteado está muito longe de ser um fato.
Repito que os dois vídeos, o que pede desculpa e o que perdoa, decorrem de um acordo político. Não há, portanto, uma reconciliação e sim uma negociação.
No frigir dos ovos, o michelismo e flavismo saem perdendo com o pega-pega. O enteado não vai contar com o entusiasmo da madrasta na campanha, que, por sua vez, perdeu o cargo que lhe dava projeção em todo o país: a presidência Nacional do PL Mulher.
PS - Outro assunto que começa a ser ventilado no staff político de Ronaldo Caiado, ainda de maneira tímida, é que é melhor à reeleição de Lula do que a eleição de Flávio Bolsonaro. A justificativa é que com o quarto mandato de Lula o ciclo do PT na presidência da República tem um ponto final. Flávio sendo eleito, será candidato à reeleição.
COLUNA WENSE, SÁBADO, 25 DE JULHO DE 2026.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.
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