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VIOLÊNCIA: por quem os sinos dobram?

Por outro lado, a força policial deve ser valorizada. O leitor deve fazer um exercício mental simples. Retire a força policial da sociedade. A quem você vai recorrer? Quantos atos criminosos seriam cometidos nos transportes públicos, nos estádios, no trânsito?  Por Josemar Dias Cerqueira

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Por Josemar Dias Cerqueira*
29/06/2026 às 18h00
VIOLÊNCIA: por quem os sinos dobram?

26/06/2026

Por Josemar Dias Cerqueira*

O leitor deve morar em um bairro com muitas ruas. Apenas na cidade de Salvador temos um total de 171 bairros, o que eleva o número de ruas para milhares. Diariamente as forças policiais patrulham grande parte dessas ruas. Atendem a ocorrências, fazem ronda e cumprem diligências, prendendo pessoas em milhares de ruas apenas em Salvador. O termo policial neste texto se refere a qualquer representante das forças que atuam na segurança pública: policiais militares, civis, guardas municipais etc.

Uma mulher é ameaçada pelo agressor. Quem ela procura? O motorista é agredido e ameaçado em uma briga de trânsito. Quem ele procura? A força policial. Diariamente lemos sobre operações policiais. Policiais são mortos ou feridos nessas operações. São recebidos a tiros de fuzil na maioria delas. Nas notícias, nenhuma linha ou elogio sobre o policial, embora haja inúmeros vídeos sobre uma suspeita de abuso ou violação de direitos humanos. Nada sobre os policiais que são mortos, mutilados ou ficam com problemas psicológicos.

Não se discute que existam policiais que cometem erros ou abusam do poder e, em quase trinta anos de magistratura, encontrei alguns. Médicos, porém, cometem crimes no exercício da profissão. Magistrados fazem isso. Temos professores, advogados e diversos profissionais que cometem atos criminosos quando estão no exercício profissional. O que se questiona é por que demonizar a força policial. As eventuais infrações cometidas devem e precisam ser apuradas pelas Corregedorias e podem sempre ser apuradas pelo Ministério Público.

Por outro lado, a força policial deve ser valorizada. O leitor deve fazer um exercício mental simples. Retire a força policial da sociedade. A quem você vai recorrer? Quantos atos criminosos seriam cometidos nos transportes públicos, nos estádios, no trânsito? A força policial resolve milhares de situações que a sociedade não percebe ou não quer perceber. Obviamente, quando se combate a violência, temos desvios e até crimes, e os culpados devem ser punidos.

A questão aqui é sobre os que não cometeram desvios, aqueles que sacrificam sua vida, todos os que se arriscam a deixar viúvas e órfãos, agindo nos limites da lei. Como ficam? Criminalizados? Tratados e vistos como os mesmos marginais que buscam combater? Temos de aprender a valorizar nossos bons policiais. Eles são heróis em sua esmagadora maioria. Em uma sociedade como a brasileira, em que políticos e outras grandes autoridades vão para a prisão por desvio de milhões que fazem falta nos hospitais que cuidam de todos, existe uma predisposição para se punir uma força de milhares de homens e mulheres pela conduta errada de quantos? Poucos!

As alegações que tentam colocar todos numa vala suja do tipo "a polícia que mais mata é a do Estado X" carecem de informações sobre a violência atual na sociedade e sobre qual é a polícia que enfrenta mais ocorrências, que luta com mais territórios dominados, que teve menos apoio estrutural na formação de seus policiais etc. Em toda operação policial em que há mortes, os sinos estão dobrando por muita gente, menos para quem morreu por tentar cumprir a proteção da sociedade.

A sociedade precisa valorizar seus policiais e ajudar a consertar os desvios, expurgando os maus elementos, mas sempre valorizando todos aqueles que empunham uma arma para que cada pai de família não precise comprar uma. Um recado aos adultos: quando passar por uma viatura, ensine às crianças que devemos algo àquelas pessoas e, se encontrar qualquer policial na rua, ensine a respeitá-lo.

Josemar Dias Cerqueira

*Juiz de Direito; mestre em Segurança Pública; especialista em Ciências Criminais; autor dos livros “Prisão em flagrante - Teoria, Prática E Questões de Concursos” e “O Município na Segurança Pública”; coautor do livro “Princípios Penais Constitucionais”; palestrante.

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