
Quem acompanha a Coluna Wense sabe que venho questionando o uso do nome de Deus em vão, mais especificamente no lamaçal que toma conta do processo político.
Usam a religião para atrair os religiosos, quando são costumazes pecadores. A demagogia e o cinismo saltam aos olhos.
Faço essa crítica com base no Êxodo 20:7 do terceiro mandamento: "Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu Nome em vão".
O clã Bolsonaro é o maior exemplo do uso de Deus nessa podridão que se tornou a política. Eles brigam entre si usando citações do Livro Sagrado.
O pega-pega agora é entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Fernanda Bolsonaro, esposa do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro. Usam citações bíblicas como "armas".
Em meio a divergências políticas com o enteado Flávio Bolsonaro, Michelle cita um trecho extraído do provérbio 19:5: "A falsa testemunha não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá".
Fernanda Bolsonaro rebate a madrasta do marido com um trecho bíblico que lista "as seis coisas que o Senhor odeia", dando ênfase "a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre os irmãos".
Para sensibilizar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em relação ao pedido de prisão domiciliar, Michelle chegou a dizer que Bolsonaro "pediu para Deus levá-lo, porque ele não aguentava mais a dor".
As citações do Livro Sagrado inundam as redes sociais. O alvo principal é o eleitorado evangélico, que fica no meio da briga, sem saber quem fala a verdade ou está mentindo.
Esse segmento religioso deveria se posicionar contra o uso do nome de Deus em vão, nesse lamaçal da política. E não ficar em silêncio diante desse pecado.
Concluo com o que ordena o segundo dos dez mandamentos: "Não pronunciarás em vão o nome do Senhor teu Deus".
COLUNA WENSE, SÁBADO, 27 DE JUNHO DE 2026.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.
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